As mudanças invisíveis e a claustrofobia global
publicado 5 Janeiro 2008 em Geral.“Fenómenos que (infelizmente) sempre existiram, como a pedofilia, quando amplificados no espaço público, acabam por condicionar comportamentos absolutamente normais (há dias, um amigo dizia-me que tinha perdido o hábito de fazer festas na cabeça das crianças…). Este tipo de amplificação desproporcionada, expurgatória e “exemplar” (à moda dos regimes cruéis ou inquisitoriais) acaba por gerar formas de agir também desproporcionadas, expurgatórias e irracionalmente persecutórias. São elas, também, o gene destas chamadas mudanças invisíveis.” (Luis Carmelo em Os fascismos de 1 de Janeiro de 2008, no Expresso)
Ultimamente tenho-me interrogado um tanto em abstracto sobre os caminhos invisíveis da civilização. A civita é a humana procura de um ambiente pacífico e construtivo. A evolução, gostamos nós de pensar. A civilidade, um normativo não escrito da conduta em sociedade, faz de nós seres estimáveis.
E no entanto resistimos a normativos profundamente certos (proibir o fumo). E outros normativos profundamente certos na aparência (combater a pedofilia) revelam-se depois desconcertantes.
Há ou não há um preço a pagar pela civilização?
Há até mais de um, claro.
Há esta sensação de que os nossos limites individuais encolhem, esta claustrofobia global decorrente da paranóia da segurança, que vem da necessidade da guerra, guerra essa essencial para assegurar o fornecimento que permite à civilização ocidental — é dela, e só dela, que se trata — continuar a existir.
Às vezes um gajo cansa-se de pagar.


O cancelamento do Lisboa - Dakar anda mesmo na boca do mundo. De tal forma, que fez com que o Paulo divagasse sobre os caminhos das chamadas sociedades civilizadas.