Comunicação de Alta Eficácia
publicado 29 Janeiro 2008 em tomem os comprimidos!.Digo-vos: há anos que não recebia uma mensagem comercial tão bem elaborada, que me levasse a concordar, acenando com a cabeça. Que mensagem tão boa! Que conteúdo tão apropriado! Um must — a estudar em todas as escolas de jornalismo, de comunicação, de publicidade, de marketing, etc.



Porque será que não encontro (pelo menos nos blogues mais lidos) qualquer referência à nova descida das taxas de juro dos Certificados de Aforro - enquanto, ao invé, encontro tudo e mais alguma coisa sobre as eleições americanas?
E, no entanto, o assunto afecta muitos - mas mesmo MUITOS! - milhares de portugueses, especialmente do interior e de menos posses.
Palpita-me que isso a ver com a idade e/ou a origem de classe dos nossos autores e comentadores da blogosfera - a quem, naturalmente, esse problema pouco ou nada diz.
Estarei enganado?
Caro Medina Ribeiro, o que entende por blogues mais lidos? É capaz de termos aí um diferendo.
Eu soube tudo o que havia para saber sobre a morte dos certificados de aforro através de um blogue, antes mesmo da grande Imprensa ler realmente as novidades. Aliás, foi um daqueles casos em que dispensei a leitura da Imprensa. O caso foi destacado na TubarãoEsquilo — da qual o blogue em questão faz parte.
(E eu podia dizer-lhe que o blogue em questão é o segundo mais lido de Portugal, logo depois do Obvious e à frente dos humoristas (ok: bem sei que não são considerados blogues…) mas prefiro não dizer porque seria mal interpretado — além de que deve ser o autor a revelar essas coisas publicamente, se achar necessário)
Além dd que noto aí uma ponta de crítica… Talvez o meu caro esteja a colocar sobre “os blogues” a responsabilidade informativa antes conhecida por jornalismo, não? Já não seria o primeiro a vir-me bater à porta com essa ideia — e no período de um semana.
De qq modo, e respondendo ao palpilt: há na blogosfera muitos comentadores e bloggers com idade para serem aforristas naturais. Eu procurava mais na origem de classe.
Que nada, Paulo. Era um ensaio de marketing viral.
Depois do sucesso que foi a publicação deste post (eles já tinham o Certamente! debaixo de olho) outros bloggers vão receber o mm conteúdo, o qual vão naturalmente abrir na ânsia de repetir o efeito. Desta vez com uma url que aponta para uma página misteriosa.. Ó pra eles
António, eu logo vi que era uma Extraordinária Proeza Do Melhor Marketing Viral do país! LOL
Tenho de arranjar uma coisa destas.
A expressão que usei (”blogues mais lidos”) pode não ter sido feliz - e até errada.
Mas julgo que deu para perceber o que eu quis dizer:
Não seria de esperar que blogues como o ABRUPTO, A GRANDE LOJA DO QUEIJO LIMIANO, o BLASFÉMIAS, o PORTUGAL DOS PEQUENINOS, o DO PORTUGAL PROFUNDO, etc… dessem alguma atenção ao tema?
Posso ter procurado pouco ou visto mal; mas, nesses, não encontrei uma palavra sobre o assunto. Meti lá “comentários” a puxar o assunto, mas não tive seguimento.
Coloquei 3 “posts” em dois blogues… e o resultado foi quase-nada.
Claramente, o tema não interessa ao cibernauta-comum.
Ah, ok. Já era de calcular que se estivesse a referir a “essa” blogosfera. O único deles que sigo, ainda que de forma irregular, é o Blasfémias, e não me lembro de facto de ter lido nada.
Agora, deixe-me desmenti-lo: claramente, o tema interessa ao cibernauta comum. O cibernauta comum vai ao Google e procura por “descida das taxas de juro dos Certificados de Aforro”. Eu sei bem disso porque no dia da publicação da lei tive de meter uma cache especial num blogue, para evitar o pior. Nesse dia o blogue em questão teve mais acessos que a soma dos acessos da parte da “umbigosfera” que referiu — e não foi só nesse dia que tive de prestar cuidados especiais a esse blogue.
Mas tudo isto se passa longe dessa parte da blogosfera e como tal corre o risco de nem ser considerada blogue. Por mim… eu até chamo webzine ao conjunto de páginas no meu endereço.
Não pretendendo abusar deste espaço de comentários (tanto mais que o tema do “post” não é esta…), aqui fica, no entanto, um desabafo intimista:
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O FACTO DE TER NA FAMÍLIA muitas pessoas que nasceram (e algumas continuam a viver) em pequenas aldeias da Beira Baixa, tem-me permitido ter uma visão de alguns problemas do país de uma forma que escapa ao cidadão urbano ou que apenas conhece o litoral industrializado.
Nesse aspecto dos Certificados de Aforro, lembro-me bem de ver como o meu sogro acompanhava (sempre com grande interesse e, por vezes, com algum nervosismo) a evolução dos juros e do valor acumulado da sua poupança que, por sinal (e como se imagina numa pessoa que vive exclusivamente do trabalho do campo), nunca foi grande.
Depois de ele falecer, vejo agora como a viúva, com mais de 80 anos, faz o mesmo, com idêntica (ou acrescida…) preocupação.
Essas pessoas habituaram-se, durante toda a vida, a ver nos Certificados de Aforro um instrumento de poupança estável, garantido e fácil de gerir, na medida em que é comprado (e vendido, sempre que necessário) na estação dos CTT que têm à porta de casa.
Só pessoas muito insensíveis (ou que vivem noutro mundo, que não o país real) é que podem ignorar o impacto psicológico que tem uma baixa nos juros respectivos - ainda por cima por duas vezes em pouco tempo.
Para cúmulo, apareceram, agora uns pândegos a dizer «Procurem na Internet, que encontram aplicações mais vantajosas!». A esses, não dá vontade de enfiar com um pano encharcado nas trombas - como dizia a saudosa Hermínia Silva?
” (…) O que mais me desgosta é saber que haverá milhares de aforradores, habituados desde sempre a pôr dinheiro nos Certificados de Aforro e pouco propensos a gerir activamente as suas poupanças (até por ignorância) que serão progressivamente penalizados, ficando a financiar o Estado a desconto face qualquer tubarão das finanças que compre títulos do tesouro. Seria mais honesto acabar com os Certificados de Aforro de forma imediata. Modestamente tentaremos aqui alertar para essa situação. Avise os seus familiares menos conhecedores, é a dica que deixo. (…)”
in Economia & Finanças.
Então, se não é abusar muito, aqui fica um outro desabafo - publicado no «Global» de ontem e que deve sair também no «Destak» um dia destes:
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CERTIFICADA… MENTE
Imagine-se que alguém pede a outrem dinheiro emprestado a um determinado juro. E que, algum tempo depois, arranja outra pessoa que lhe empresta mais, e em condições mais vantajosas. Estará de parabéns.
Mas imagine-se que o acordo com o primeiro credor abrange os dois empréstimos e que, de um momento para o outro, o beneficiário - apanhando-se com o dinheiro na mão… - decide, unilateralmente, passar a pagar menos do que o combinado.
Será provável que isso suceda sem dar origem a sarilhos? Bem… Pelo menos é o que, e mais uma vez com este governo, acontece com a descida das taxas de juro dos Certificados de Aforro.
De qualquer forma, a questão que se coloca é a seguinte:
Se todos já sabemos que o actual governo é especialista no que toca ao incumprimento de promessas - e, mais ainda, no que toca a insensibilidade humana… - era assim tão necessário mais este “certificado”?