Luiz Pacheco: a entrevista sou eu

Ainda a propósito da morte de Luiz Pacheco: pertinente este texto de Acácio Barradas que foi prefácio de o uivo do coiote, livro em que o escritor reuniu quatro das muitas entrevistas que deu.

A entrevista é o mais suspeito de todos os géneros jornalísticos. Primeiro: a sua autoria, em grande número de casos, dificilmente se pode determinar. Segundo: não é possível, salvo pelos próprios interlocutores, avaliar a sua autenticidade (1), a menos que se trate de um frente-a-frente “em directo”. Na melhor das hipóteses (e com a ressalva apontada), o que conta é a credibilidade (2) dos interlocutores, com predominância daquele que lhe confere a forma definitiva.

Em todo o caso, se a arte de manipular os elementos recolhidos numa entrevista era, até aqui, atributo exclusivo dos jornalistas, como senhores da última palavra por terem a faca e o queijo na mão, com Luiz Pacheco a situação muda radicalmente. A última palavra pertence, neste caso, ao entrevistado. E tal como Flaubert em relação a Madame Bovary, Luiz Pacheco arroga-se o direito de proclamar: “A entrevista sou eu”.

(Leiam, por favor, as notas finais do meu ex-chefe de Redacção. São uma lição de jornalismo, para jornalistas & seus blogosféricos polícias.)

  1. 1 Daniel Marques

    Agora que acabo de ler a última nota, confirmo que Casal Garcia pode tornar a leitura muito mais divertida. Por isso não deverá haver qualquer erro de interpretação do jornalista do Expresso. E quem sabe o pessoal da Quinta da Avelada viu uma oportunidade de negócio.

    E já agora, parabéns ao Expresso! Obviamente extensíveis a si Paulo, que participa no projecto.

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