O que a classe média não quer ouvir: a fronteira entre o conforto e a miséria pode ser ténue
publicado 3 Janeiro 2008 em política.Muito curial, o ponto de vista de João Jesus Caetano no Goodnight moon acerca das eleições americanas, de John Edwards e da pobreza. Respigo:
Mas também é verdade que Robert Kennedy foi assassinado antes de se poder avaliar o impacto da sua mensagem. E que a recente crise no mercado hipotecário nos EUA veio lembrar a classe média que o limite entre o conforto e a miséria pode ser ténue. Muito ténue.
(em John Edwards)
Eu acho que Edwards não tem hipótese num palco onde se jogam trunfos mais importantes do ponto de vista político, económico e social. Politicamente correcto às malvas, numa corrida presidencial nos EUA entre um preto e uma mulher, quem vai prestar atenção a um wasp preocupado com os pobres?
Mas isto sou eu, desiludido.
Como João Jesus Caetano (e Rui Tavares), puxo pelo assunto aproveitando o momento. Até porque o assunto não é exclusivo dos americanos: toca-nos também. A nossa classe média não quer que se diga alto o que sabe muito bem ser verdade (e sente estar mais ou menos iminente). É, de resto, típico da classe média. Que se vai entretendo, consolada, com o ping pong demagógico sobre os pobres e os ricos, qual deles paga a crise (nenhum, claro).


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