Primeiro: sou ateu. Segundo: há muitos anos que assisto, entre o divertido e o assustado, ao avanço da Cientologia — que começou em Portugal pelos livros de Ron Hubbard. Pseudo-ciência a macadamizar o caminho para o que se seguiria: a religião. Terceiro: sem estar do lado dos que aplaudem o reconhecimento da Cientologia como religião em Portugal, coisa que nunca me passaria pela cabeça estar, confesso a minha incredulidade perante a franciscana pobreza dos argumentos que se opõem à decisão.
O que li por aí de argumentos espremidos dão-nos duas linhas de “pensamento”.
1) O que distingue a Cientologia das “religiões verdadeiras” é que os cientologistas são uma seita e as outras não.
2) Há coisas estranhas com os cientologistas, como narra — entre outros — Vitor Dias no tempo das cerejas?
Há.
Dou a resposta de Eduardo Pitta: são casos de polícia.
Não são casos de política. A Comissão fez o que era suposto, legítimo e esperado fazer num Estado (que se quer) laico.
Voltando aos argumentos. “Seita” aplica-se aqui, suponho, pelo lado do “bando” mais que da “facção” ou “partido”. Qualquer organização nasce a partir de um núcleo fundador que, por maioria de razão, é originalmente pequeno. Os cristãos começaram por ser uma seita do piorio, um punhado de mendigos atrás dos discípulos de Jesus Cristo, e sofreram pela mesma medida, que é a medida primária do antigo perante o novo: diaboliza-se.
Diabolizados e perseguidos foram, portanto, os seguidores de Cristo. Eles resistiram, fabricando a primeira fornada de mártires que os ajudou primeiro a subirem à I Liga do campeonato das religiões e depois a imporem-se como marca dominante no mercado das almas — que é, diga-se, um excelente mercado, com lucros fabulosos em qualquer altura da saison humana, só sendo muito episodicamente molestado pelas crises de “moral” que ocorrem uma vez por século, geralmente na transição.
De quem acumulou colossal fortuna ao longo da vida não se espera outra coisa que não a acérrima defesa, por todos os meios ao dispor, do seu espólio. Tenho por isso uma palavra de compreensão para com a Igreja Católica, que vê evidentemente a sua vida a andar para trás, com agravantes que nunca mais acabam. É só problemas — e a falta de fé apenas um deles, o mais pequeno até, se me permitem discordar da Vossa Santidade nesta questão de fundo (não brinco com coisas sérias: ainda que em círculo privado, tenho mantido este debate num tom vivo, se querem saber.)
Não tenho nenhuma palavra de compreensão para com os cientologistas e demais pequenos players da indústria do horror ao vazio — short-term, religião. Por mim, os incumbentes chegam (e sobram, aliás).
Mas por favor arranjem melhores argumentos do que a questão do número (e também nisto aplico a dose, como Pitta, aos pequenos partidos) ou o espantalho das sevícias, que não é diferenciador do ponto de vista do consumo: houvesse também aqui uma DECO para medir ao peso as toneladas de relatos de monstruosidades dos incumbentes e compará-las com os dossiers dos iznogouds do milagre de bairro, e concluiríamos facilmente que os factores diferenciadores são outros.

  1. 1 Uiii

    Issuh e uma pouca vergiinha!

  2. 2 Anónimo

    A questão é que são muitos os casos de policia que se vão acumulando acerca desta organização supostamente religiosa, não me interessa o facto de ser recente ou de serem poucos, porque isso também são os bahai e os raelianos que não me fazem espécie nenhuma.
    O meu problema é mesmo com o facto de se irem acumulando histórias atrás de histórias de perseguição de criticos, infiltração de governos, mortes por neglicencia e toda uma panoplia de comportamentos mais dignos de uma organização criminosa do que de uma religião.
    O governo Alemão não reconhece esta seita porque a considera uma ameaça à ordem constitucional, pois faz de facto parte dos seus objectivos, assumir o controlo politico de todo o mundo(embora consegui-lo seja muito pouco provavel).
    Na Bélgica corre agora um processo por fraude e exercimento ilegal da medicina.
    A questão da medicina é interessante, a cientologia considera a psiquiatria uma mentira e provura substitui-la pelas suas “maravilhosas” técnicas. Nada contra a medicina alternativa, mas acho que os Homeopatas(por exemplo) não acusam os médicos convencionais de serem parte de uma enorme conspiração para dominar o mundo(coisa que a cientologia diz dos psiquiatras).

    Nestes dois links estão alguns dos factos mais bem documentados
    http://forums.enturbulation.org/8-education-research-inside-reports/fact-sheet-documented-history-scientology-7937/
    http://forums.enturbulation.org/73-cold-hard-facts/cold-hard-facts-7039/

    Pedia-lhe que os analizasse e que me desse a sua opinião sobre eles ou aqui ou pessoalmente para o meu mail.

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