Poupar energia com fundos negros: uma mistificação
publicado 21 Janeiro 2008 em Do papel.Tardou, mas chegou. Um dos mitos da web 2.0 já tem replicação portuguesa com um “projecto” de marketing barato que dá pelo nome de Eco-Find.
O Eco-Find é uma página que copia a entrada do motor de pesquisa Google — mas ao contrário, isto é, com o fundo negro em vez de branco. Usa a tecnologia de pesquisa da Google através de um programa de parceria que a empresa disponibiliza gratuitamente. O Google Custom Search permite a qualquer pessoa criar o seu próprio motor de pesquisa, alojá-lo no site que quiser e ter publicidade (dentro de certos limites impostos pelo acordo de utilização).
Até aqui, tudo bem. O Eco-Find aproveita a parceria como tantos outros.
A mistificação começa no propósito do portal. Segundo a apresentação, Eco-Find “é um motor de pesquisa ecológico em Português que ajuda a poupar a energia”. E como? “O conceito do Eco-Find baseia-se na poupança de energia mediante a apresentação de resultados num fundo escuro e com letras não totalmente brancas, para que os monitores dos computadores, telemóveis e outros artefactos de navegação online poupem o máximo possível de energia, tendo uma maior autonomia e é claro, ajudando ao meio ambiente”.
O cálculo usado é delirante e não tem a mínima relação com a realidade. Além da hipotética teoria citada de forma vaga, não explica como é que poupa energia, não apresenta o seu plano para comprovar os dados, não há forma de comprovar os acessos (fudamentais para investigar até que ponto se verificariam as condições em que a poupança realmente ocorre com fundos pretos), não há uma empresa ou um rosto a quem pedir explicações, o próprio registo do domínio foi tornado privado.
A poupança do fundo negro parece ser um mito, conforme já foi demonstrado. Darren Yates, um blogger e autor de longa data na web, deu-se ao trabalho de fazer testes com vários monitores e apresentou os resultados no Techlog. Reproduzo-os em duas palavras: esqueça a poupança. A própria Google se desmarcou do assunto no seu blogue oficial quando o assunto surgiu pela primeira vez. Termina com conselhos realmente úteis para poupar energia, como por exemplo desligarmos os computadores durante a noite e nos fins de semana e activar as poupanças de energia que todos os sistemas operativos proporcionam.
Sim. Houve uma primeira vez há meses. O Eco-Find é uma cópia do Blackle. O Blackle surgiu como uma manobra de marketing quando os seus promotores descobriram que o blogue que teorizou sobre as contas da poupança se tornou instantaneamente popular. Desde então, uma série de cópias multiplicaram-se para aproveitar o filão, como é regra na web. O Eco-find — domínio registado por um cidadão português (fonte) — é uma delas, que não hesita em recorrer a empresas de spam para propagandear a sua falsa mensagem. Outra técnica tem sido o rebranding, com o qual conseguiu “cavar” notícias nos jornais. O Eco-Find é mesma coisa que o Google-Zero mencionado no mês passado nalguma imprensa. Outra marca é o Google-Cero.


Bem dito.
Mandei um mail a esse senhor há umas semanas precisamente sobre isto.
Cláudio,
Primeiro não faça SPAM que é muito feio.
Segundo isto é um aproveitamento de um thread estúpido que andou a circular pelos Blogs há uns meses, e já há uma dezenas de sites tão estúpidos como o thread por aí. De novo só tem a sua coragem.
Terceiro verifique os factos. Um CRT poupa eventualmente energia com o preto mas um TFT gasta *mais* energia a desenhar o preto do que a cor branca, bem como os projectores de vídeo que tb usam “backlight”. O backlight está sempre ligado e gasta sempre a mesma energia. Desenhar o preto implica “tapar” luz, e não produzir luz. Fazer a cor preta não é a mesma coisa do que reduzir o brilho do monitor (que infelizmente só consegue fazer manualmente).
E todos os laptops ou monitores novos usam TFT, mais de 80% do parque é TFT neste momento.
http://en.wikipedia.org/wiki/TFT_LCD
Abraço,
Celso.
Sem esquecer que a “habitual eficiência do google” se resume a apresentar os resultados do google.com - que não raras vezes são diferentes e menos focados que os do google.pt.
Também por aí cai por terra o argumento da poupança, já que os utilizadores são obrigados a novas buscas ou a visitar mais páginas para encontrar o que pretendem (uso do pc por um período de tempo superior.)
Como saberás não tenho interesses nem no eco-find nem no google-zero, however…
1 - a questão menor é a da poupança de energia (que tem de ser efectiva em ecrãs CRT para quem conhecer o funcionamento de um cinescópio - relação directa entre luminusidade e consumo de energia).
2 - libertação de CO2! Nada a fazer nos CRT! Liberta mesmo. O que é que liberta? A bobine, mais precisamente, aquela que é forçada a buscar mais energia sempre que puxarmos pela luminosidade.
3 - cansaço dos olhos - é evidente! Tentemos uma experiência exageradamente oposta: olha para o sol e abre os olhos à noite e vê qual te custa mais.
4 - radiações - nada a fazer! Está provado em ecrãs CRT. Danos que poderá provocar isso é que ninguém sabe! Mas este ninguém sabe é muito diferente de dizer que até à data não conhecemos nenhum dano causado aos olhos pela radiação emanada pelos ecrãs CRT a não ser secura do globo ocular.
O bom da história é que (estou convencido) a maioria dos consumidores de computador já não tem ecrãs CRT - sacrificaram a qualidade da imagem pelo espaço disponível e/ou pela estética.
Abraço
Carlos, a controvérsia em torno das vantagens e desvantagens não é para mim. Não acho a controvérsia positiva ou negativa, porque ainda não decidi: há um equilíbrio de motivos, digamos assim.
O que acho, está dito: foi um golpe de marketing barato da parte de uma empresa que se destaca pela negativa.
Uma coisa é fazer um proof of concept — uma forma de lançar um debate. Outra é tentar aproveitar o debate explorando o assunto.
Eu recomendo o uso Darkoogle pois está disponível em mais de 40 países http://www.darkoogle.com
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E eles têm a opção ’simiar páginas “, em resultado de pesquisa como o Google branco normal.
Portugal version http://pt.darkoogle.com