merceariaaliancaantiga.jpgViegas Gomes recorda outros motivos de interesse sobre a Mercearia Aliança, um ícone da cidade de Faro. A rede serve também para isto, para destapar histórias que fazem a história, ainda que de forma fragmentária. Mas para isso temos o hipertexto (se bem que tenha feito a fortuna da Google, a função de “pontuar” as páginas é secundária).
Respigo: “As conservas Júdice Fialho (as sardinhas Maria Elizabete eram bestiais) e mais em nenhum lugar em retalho de balcão. Idem para o miolo de amêndoa, os figos, as nozes, vindas de São Bartolomeu de Messines, do Estabelecimento Teófilo Fontainhas Neto. Os doces regionais – D. Rodrigo, Morgado de Amêndoa – tinham o mesmo tratamento.” (em história breve do “gourmet”)
Ah, os D. Rodrigo, que deram a volta ao palatos do mundo… Ainda se podem comer e bons, mas nunca tão bons como aqueles. E a embalagem?
Messines (São Bart para os íntimos) à época ficava longe, era uma aventura lá ir. Como ir a Lagoa, no fim do mundo, onde fui encher tonéis do afamado vinho, que depois vendíamos ao jarro na Adega dos Arcos (penso lá ter visto o Viegas Gomes algumas vezes, não?).
Mas não só os produtos regionais tinham essa etiqueta. A Mercearia Aliança era única no Algarve a vender uísque de malte, rum da Jamaica, caviar de esturjão do Mar Negro” (idem).

Nota: O texto da minha autoria que Viegas Gomes cita (obrigado) sublinhando o acto evocatório está aqui.

* O título deste post é uma hipertextualidade da banda desenhada de Quino, Mafalda, com o impagável Manolito.

merceariaaliancaantiga.jpg
A Mercearia Aliança das minhas memórias, data imprecisa, eu diria fim dos 60, início dos 70. Foto copiada de A defesa de Faro
  1. 1 F. Caetano

    He! he! he! Estes algarvios continuam uns líricos. A Mercearia Aliança elevada a Fouchon de Faro. Boa! Atentemos na fotografia. Anos sessenta, setenta ? O caixote de lixo de plástico ao lado do mirone remete-nos pelo menos para os anos oitenta, não?). Uma coisa é certa, nos anos sessenta, mesmo em Faro, ninguém espreitava uma montra na baixa de “teshirt”. Curioso, já na altura o desleixo na pintura da fachada era patente.
    Aliança, uma modesta mercearia de uma modesta cidade. Não é vergonha para ninguém.

  2. 2 Paulo Querido

    Líricos, os algarvios serão. Devo ser responsável pela tua má interpretação: a fotografia é mais recente que a evocação de Viegas Gomes, de um tempo em que nem tu nem eu éramos nascidos.
    E em meados de 70 já havia caixotes daqueles? Acho, mas posso estar enganado.

  3. 3 F. Caetano

    Paulo, aqueles “caixotes”, como os célebres semáforos de Faro, são uma das grandes conquistas do poder autárquico. Percebo que a evocação de Viegas Gomes é anterior, só me quis armar em Sherlock no que diz respeito à foto.

  4. 4 Paulo Querido

    Pelas caixas à porta, parecia-me anterior — mas as grandes conquistas são inegáveis!
    E a comparação com Fouchon é mázinha, bem ao teu estilo, mas não é tão disparatada quanto parece: a Mercearia Aliança foi, nos seus tempos áureos, um estabelecimento ao qual acorriam as famílias abastadas da cidade. Os 60 e o turismo já assistiram a uma certa “democratização”, ou, se quisermos, a pequena burguesia passou a ter algum acesso.

  5. 5 O Salgador da Pátria

    A questão dos caixotes não interessa para ninguém… Há alguns caixotes por Faro que deveriam receber mais atenção. Serão esses os caixotes de madeira verde e branca com q o grande e saudoso autarca Vitorino decidiu presentear os farenses há alguns anos, pondo há disposição dos q sofrem de escorbuto da poderosa vitamina C. E basta esticar o braço.

  6. 6 margarida

    se me lembro e com grande saúdade, fiquei com água na bouca ao recordar os belos doces k em miúda ia lá comprar

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