Uísque de malte e caviar de esturjão? Só na Mercearia Aliança! (*)
publicado 26 Janeiro 2008 em Geral, aspas aspas.
Viegas Gomes recorda outros motivos de interesse sobre a Mercearia Aliança, um ícone da cidade de Faro. A rede serve também para isto, para destapar histórias que fazem a história, ainda que de forma fragmentária. Mas para isso temos o hipertexto (se bem que tenha feito a fortuna da Google, a função de “pontuar” as páginas é secundária).
Respigo: “As conservas Júdice Fialho (as sardinhas Maria Elizabete eram bestiais) e mais em nenhum lugar em retalho de balcão. Idem para o miolo de amêndoa, os figos, as nozes, vindas de São Bartolomeu de Messines, do Estabelecimento Teófilo Fontainhas Neto. Os doces regionais – D. Rodrigo, Morgado de Amêndoa – tinham o mesmo tratamento.” (em história breve do “gourmet”)
Ah, os D. Rodrigo, que deram a volta ao palatos do mundo… Ainda se podem comer e bons, mas nunca tão bons como aqueles. E a embalagem?
Messines (São Bart para os íntimos) à época ficava longe, era uma aventura lá ir. Como ir a Lagoa, no fim do mundo, onde fui encher tonéis do afamado vinho, que depois vendíamos ao jarro na Adega dos Arcos (penso lá ter visto o Viegas Gomes algumas vezes, não?).
“Mas não só os produtos regionais tinham essa etiqueta. A Mercearia Aliança era única no Algarve a vender uísque de malte, rum da Jamaica, caviar de esturjão do Mar Negro” (idem).
Nota: O texto da minha autoria que Viegas Gomes cita (obrigado) sublinhando o acto evocatório está aqui.
* O título deste post é uma hipertextualidade da banda desenhada de Quino, Mafalda, com o impagável Manolito.

A Mercearia Aliança das minhas memórias, data imprecisa, eu diria fim dos 60, início dos 70. Foto copiada de A defesa de Faro


He! he! he! Estes algarvios continuam uns líricos. A Mercearia Aliança elevada a Fouchon de Faro. Boa! Atentemos na fotografia. Anos sessenta, setenta ? O caixote de lixo de plástico ao lado do mirone remete-nos pelo menos para os anos oitenta, não?). Uma coisa é certa, nos anos sessenta, mesmo em Faro, ninguém espreitava uma montra na baixa de “teshirt”. Curioso, já na altura o desleixo na pintura da fachada era patente.
Aliança, uma modesta mercearia de uma modesta cidade. Não é vergonha para ninguém.
Líricos, os algarvios serão. Devo ser responsável pela tua má interpretação: a fotografia é mais recente que a evocação de Viegas Gomes, de um tempo em que nem tu nem eu éramos nascidos.
E em meados de 70 já havia caixotes daqueles? Acho, mas posso estar enganado.
Paulo, aqueles “caixotes”, como os célebres semáforos de Faro, são uma das grandes conquistas do poder autárquico. Percebo que a evocação de Viegas Gomes é anterior, só me quis armar em Sherlock no que diz respeito à foto.
Pelas caixas à porta, parecia-me anterior — mas as grandes conquistas são inegáveis!
E a comparação com Fouchon é mázinha, bem ao teu estilo, mas não é tão disparatada quanto parece: a Mercearia Aliança foi, nos seus tempos áureos, um estabelecimento ao qual acorriam as famílias abastadas da cidade. Os 60 e o turismo já assistiram a uma certa “democratização”, ou, se quisermos, a pequena burguesia passou a ter algum acesso.
A questão dos caixotes não interessa para ninguém… Há alguns caixotes por Faro que deveriam receber mais atenção. Serão esses os caixotes de madeira verde e branca com q o grande e saudoso autarca Vitorino decidiu presentear os farenses há alguns anos, pondo há disposição dos q sofrem de escorbuto da poderosa vitamina C. E basta esticar o braço.
se me lembro e com grande saúdade, fiquei com água na bouca ao recordar os belos doces k em miúda ia lá comprar