Chuck Norris e a cibercultura
publicado 14 Fevereiro 2008 em Do papel.Experimente o leitor procurar no Google por “find Chuck Norris” e premir o célebre botão “Sinto-me com sorte”, que o dirige automaticamente para o primeiro resultado da pesquisa.
No seu monitor surgirá o seguinte texto:
Google won’t search for Chuck Norris because it knows you don’t find Chuck Norris, he finds you.
No standard web pages containing all your search terms were found.
Your search - Chuck Norris - did not match any documents.
Suggestions:
- Run, before he finds you
- Try a different person
Embora lhe pareça uma mensagem do Google, semelhante a tantas outras apesar de algo insólita — “estarão a gozar com o actor?” pergunta-se com os respectivos botões o leitor –, na verdade não o é. Mas sim, é um gozo. Trata-se de uma brincadeira muito típica da web, feita por um jovem australiano de 21 anos, Arran Schlosberg.
O seu único objectivo declarado é atingir o topo das pesquisas do Google para os termos “Chuck Norris”. Não se pense que é fácil: Chuck Norris é objecto de um autêntico culto na Internet, com vários milhares de páginas dedicadas à legenda do cinema americano.
Schlosberg contenta-se, para já, com ser o primeiro à pesquisa “find Chuck Norris“. Se o leitor procurar somente por “Chuck Norris“, o site oficial do actor surge na segunda posição da lista — atrás do célebre Chuck Norris Facts, provavelmente mais célebre que o próprio entertainer!
Na rede, pelo menos, é mais célebre. No index do Google existem 794 links para o site oficial — e 4.230 para a paródia Chuck Norris Facts.
Esta é uma recolha de alarvidades sobre Chuck Norris. Frases como “quando o papão se vai deitar todas as noites, primeiro verifica se Chuck Norris não está no seu armário” (uma das favoritas do visado) e “Chuck Norris não dorme: espera” (a minha favorita) podem ser lidas ali — ou numa t-shirt encomendada num impulso de riso.
O melhor de tudo é que o próprio Chuck Norris se riu à brava quando confrontado com os “factos”. Isso mesmo ficou documentado num programa de televisão onde estavam presentes estrelas ao World Combat League que não se riram — Chuck Norris não as autorizou a rir; ele manda na WCL — e que veio parar ao YouTube, onde já foi visto quase 3 milhões de vezes.
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Este é um dos fenómenos típicos da cibercultura, que alimenta tipos de humor que não se podem reproduzir fora do ambiente digital em rede. Explicar onde está o gozo de obter o primeiro resultado do Google para uma pesquisa por Chuck Norris pode ficar um tanto difícil até para um jornalista com alguns anos de experiência neste ambiente. Talvez o melhor seja ler as diversas reacções que a iniciativa provocou, que foram desde o sério (acusar a técnica de fraudulenta para “subir” no Google) até ao ridículo (pessoas que acreditaram estar perante uma mensagem do Google — mesmo depois de lhes terem dito que era piada). Basta para tal seguirem 4 ou 5 dos primeiros 10 resultados da pesquisa.
Paulo Querido, jornalista


Hoje era dia para o Google nos surpreender e devolver uma página semelhante para “find love”