Davos ou o jornalismo em rede

No dot.life da BBC, Darren Waters diz não saber exactamente o que será o “networked journalism” mas é uma figura de estilo: o próprio descreve com bastante minúcia prática o essencial do jornalismo em rede.
Vamos ouvir falar do termo mais vezes este ano, e daqui para a frente. Em grande parte porque alguns dos impulsionadores das ferramentas do jornalismo em rede aproveitaram os holofotes em Davos para dali mostrarem as suas coberturas dos acontecimentos.
A começar pela Reuters, que já tinha lançado a ideia do Mobile Journalism, com um site próprio. Os seus repórteres passeiam-se com um Mobile Journalism Toolkit, que consiste num telefone Nokia com 8 GB de memória para a sua câmara de video, um teclado desdobrável Bluetooth, um tripé para estabilizar o telemóvel-câmara quando necessário e um microfone direccional adaptado pela Sony.
O conjunto cabe num bolso largo, é leve e tem variações quanto baste para enfrentar algumas contrariedades — a primeira das quais, a energia, que é sempre o primeiro problema das comunicações móveis.
Mas as estrelas de Davos não foram os rapazes da Reuters. Vejam o blogue de Robert Scoble. Um blogue aparentemente igual a milhentos outros — só que não é. Scooble espetou com fotos de Davos na sua conta Flickr, Scooble espetou com video-entrevistas no seu ScoobleShow, Scooble fez directos para a web usando uma tecn0logi emergente, o qik.
Scooble é uma coqueluche mundial da blogosfera — e vai tornar o seu blogue numa empresa, seguindo o exemplo de Michael Arrington, que hoje emprega 10 pessoas a tempo inteiro no seu blogue TechCrunch. Bom investimento de mais de um ano só na sua própria imagem.
Menos coqueluche, mas mais empreendedor, é o intrépido aventureiro francês Loic LeMeur, com quem em tempos negociei o software que suportava o weblog.com.pt. Lemeur não faz nada há seis meses excepto promover o seu Seesmic. Em Davos tem essencialmente feito entrevistas a tudo o que mexe à sua frente, e que depois espeta no YouTube, num canal com o seu nome, www.loic.tv.
Muita coisa distingue Scooble e LeMeur dos jornalistas da Reuters, que por sua vez se diferenciam dos outros. Mas o que importa aqui é o que os une: o jornalismo em rede.
O jornalismo em rede não é um jornalismo novo: é o mesmo jornalismo de sempre adaptado rapidamente à modernidade, ao meio ambiente. É o jornalismo da frente.
Muito à frente.

  1. 1 Carlos Duarte

    Grande artigo! Curioso porque tenho em rascunho um artigo sobre o mesmo tema…

  2. 2 Paulo Querido

    Carlos, esta peça saiu no Expresso online há dias, decorria Davos. Costumo publicá-las também no meu arquivo, mas com uns dias de diferença em relação ao jornal.

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