Eu voto Clinton
publicado 5 Fevereiro 2008 em política.Já o disse antes e não sou o único. Os europeus, em especial, mas também os cidadãos de todo o mundo deviam votar para a presidência dos Estados Unidos da América — um cargo demasiado importante para ser deixado aos eleitores americanos.
Durante mais alguns mandatos, 3 ou 4 eu diria, o que o presidente dos EUA decidir afecta mais não-americanos do que americanos. Estamos portanto perante uma bizarria.
Eu voto Hillary Clinton. É por pouco, devo dizer, e fico com pena porque o homem não terá outra hipótese, apesar de novo. O programa de Obama é interessante. Mas — lá está — vejo Obama melhor como presidente dos EUA e Clinton como presidente do mundo de facto, que não de jure.


Estamos em sintonia quanto a este assunto - em outros também mas cinjamos a este.
Ainda hoje falei sobre isso, de facto a política norte-americana afecta-nos o suficiente para que tenhamos algo a dizer.
Hillary Clinton? Que estava a favor da invasão do Iraque, mas que depois já está contra? Que passa a ser contra a guerra, mas vota SIM ao seu financiamento de mais 63 biliões USD? Hillary, que aceitou mais de $1 milhão de dólares do lobbyistas de DC e nunca se opôs a estes? Mais, do mesmo?
A minha primeira escolha seria Dennis Kucinich ou Mike Gravel, ambos pela sua seriedade e honestidade comprovada, e pelo paralelismo com a política social democrata europeia. Em terceiro vem o Obama, que parece disposto a contrariar o lobbying e é bem mais comedido em relação às guerras. No entanto, ainda vai falando que os EUA se deviam era concentrar no Afeganistão, pelo que nem com ele há total segurança.
Confesso que a política anti-war, anti-imperialista do Ron Paul também me agrada, mas entro em total desacordo quanto à teoria económica e monetária dele que é totalmente neoliberal. No entanto, não sou americano, seriam eles que sofreriam as consequências do neoliberalismo e o mundo, entretanto, seria um local bem mais sossegado.
O alarmismo criado à volta das armas de destruição maciça, ainda para mais por pessoas com altas responsabilidades, levaram-me a mim a apoiar esta guerra e neste momento já não a apoio. Quem devia ser responsabilizado é quem erradamente nos iludiu com as armas, e não quem apercebendo-se da realidade muda de opinião.
Obama pode falar do Afeganistão. A mim preocupa-me mais o Iraque devido aos preços dos combustíveis e a cadeia de influência que estes têm em tudo o resto.
Eu estou-me nas tintas para os combustíveis. Prefiro pagar mais pelo litro do gasóleo a saber que já morreram 1 milhão de iraquianos totalmente inocentes.
Esta guerra foi uma propaganda de uma das maiores alguma vez feitas em toda a história. Petróleo para os EUA, contractor jobs para as grandes corporações americanas. Enfim.
Sim, Mário, de acordo — mas o que tem o apoio de Clinton a ver com isto? Metade dos políticos (e das pessoas) que seriam por princípio contra a invasão foram a favor em circunstâncias muito peculiares no pós-11 de Setembro.
Daniel: o preço do petróleo é complicado… Por um lado, vai baixar a curto e médio porque a procura diminuiu. Por outro, vai voltar a subir a longo prazo porque se vai tornar escasso. No entanto, com o barril a, digamos, 15 dólares passa a ser viável a extracção de zonas onde nem se pensa tocar com ele a 100 dólares — o que pode aumentar o tempo de exploração bastante além do que dizem os críticos.
É complicado.
Simples é o negócio da família Bush e de todos os envolvidos com interesses nisto: quanto mais caro ele se tornar por via da instabilidade política e da “segurança”, maiore$ os lucro$.
Simples é a instrumentalização de uma nação aos interesses de um grupo.
Complexos são os mecanismos dessa instrumentalização.
Para além do petróleo, já me começo também a preocupar com os biocombustíveis. É o preço do óleo e dos cereais a subir…
Acho que o assunto dos combustíveis jamais irá dar descanso.