Fusão de conveniência para combater espectro da Google
publicado 7 Fevereiro 2008 em Do papel.( Publicado primeiro no Expresso online em 1 de Fevereiro de 2008).
A Microsoft foi a coqueluche dos anos 90. A Yahoo! encantou o mundo e os accionistas na viragem do século. Há três anos estes dois empórios entraram em declínio lento, ofuscados e manietados pela nova menina bonita do reino, tão querida e admirada pelo público quanto fria e calculista no negócio.
A solução?
Os dois antigos rivais tornam-se um só na tentativa de criar um exército suficientemente forte para combater o espectro do domínio avalassador que a Google representa.
Esta é a leitura imediata do negócio hoje proposto formalmente, em que a Microsoft compra a Yahoo! numa operação de 30 mil milhões de dólares.
Francamente, e numa frase: é a única saída possível. Logo, faz sentido e está justificada. Tanto que o anúncio da fusão de conveniência, que vinha a ser preparada há mais de um ano e apontada como inevitável há pelo menos três, foi de imediato recompensada pelo mercado de capitais.
A Microsoft teve a decência de deixar Terry Semel sair da presidência da Yahoo! antes de avançar com a proposta. Semel dissera não à oferta pública de aquisição há cerca de um ano, demitindo-se poucos meses depois mas mantendo-se em exercício até a empresa encontrar uma solução. Saiu ontem — uma notícia abafada pelos acontecimentos de hoje.
Financeiramente a fusão é uma benção. Sobretudo para a Yahoo!, cujo crescimento era negativo, desesperando os accionistas. Aliás, foi a baixa do preço das acções da empresa que tornou a operação possível nesta altura e não há um ano atrás. O preço oferecido por título — 31 dólares — equivale à cotação de Fevereiro de 2007, quando Semel se negou.
Mesmo integrando os funcionários, a Microsoft pensa que a aquisição permitirá à nova empresa uma poupança nos custos de mil milhões de dólares anuais.
Depois, há o mercado. A fusão é um passo firme no caminho da publicidade online, juntando as soluções tecnológicas da Microsoft com os serviços e clientes do Yahoo!.
Mas para lá da folha da Excel há um mundo, uma realidade. A tradição de uniões entre gigantes nesta área não tem dado grandes frutos — a comparação com a Time Warner / AOL é inevitável e sombria.
Pior. Ao contrário dessas duas, que estavam numa curva ascendente, aqui é um império decadente que propõe a aquisição de outro império já caído, uma saída que assenta na premissa de serem capazes, juntos, de fazerem o que não foram capazes de fazer como entidades separadas: criar algoritmos de pesquisa melhores que os da Google e canais para venderem publicidade.
Duas empresas gordas e lentas juntam as respectivas massas originando um novo organismo mais leve face à soma dos seus pesos anteriores, no pressuposto de serem capazes de correr mais depressa a partir desse momento.
Pode ser que resulte — mas parece improvável: Microsoft + Google trata-se de uma adição de talento, quando o mínimo que a brilhante Google exige num rival é uma multiplicação dele.


Xii. Estás lixado. A publicar coisas que só vão sair no Expresso daqui a quase um ano.
LOL! Emendado, thanks.
hmm, acho que esta’s muito enganado. 2 analogias que li (em 2 si’tios diferentes, mas ja’ na~o me lembro quais… techcrunch e um tipo linkado pelo john gruber, possivelmente):
* 2 frangos na~o fazem uma a’guia
* 2 coxos na~o passam a correr melhor por se amarrarem um ao outro
Pedro, leste-me a correr. É precisamente isso que eu digo.
Além do mais, esta peça foi escrita no dia 1 — em cima da notícia. Isto é, com pouco tempo de mastigação em cima ainda. Fiz uma espécie de upgrade dias depois, o sistema editorial do Expresso é, erm, limitado. Só aqui o publicarei dentro de dias. E não tenho de cabeça o endereço do Expresso — pudera, eles mudam aquilo mês sim, mês não. Está por lá.
Basicamente, o “novo organismo” é mais leve financeiramente. A aquisição permitirá poupar um milhão de euro em operação. Ou seja: farão o mesmo que têm feito até aqui, mais barato, logo melhor para os accionistas. Ou seja: a Google tem de procurar outro “inimigo” se quer que lhe tirem o sono…
Paulo não concordo com o comentário sobre as duas empresas “gordas”, aliás a Microsoft tem sido referenciada em vários reports de analistas das casas de IT Gartner, Forrester só para citar algumas como uma empresa imparável em termos de inovação. Só quem desconhese o roadmap de produtos que a microsoft lançou no ano de 2007 e vai lançar no ano de 2008 é que poderá ter opinões deste tipo.
O evento Techdays em Portugal (o maior evento nacional de tecnologia) dia 11 de Março de 2008 é uma oportunidade para ver o que bom se faz em Tecnologia Microsoft.
Caro peasus,
“imparável em termos de inovação” — essa foi bem paga aos analistas, boa!
Se você conhecesse o meu roadmap de inovações e lançamentos ficava doido. Infelizmente, não tenho tido tempo para os press-releases…
Caro peasus, a Microsoft tem o seu valor e ninguém lho tira. É uma empresa eficaz a “persuadir” as pessoas a comprarem o Office por uma pipa de massa — mesmo que seja apenas para poderem dizer que têm o Office. Mas infelizmente para a empresa e os seus accionistas, tem falhado sucessivamente o alvo. Esta década ainda não acertaram uma — estou a falar disso a que você chama de inovação, bem entendido.
Este espaço está aberto à sua colaboração. Enumere os produtos inovadores da Microsoft, deixe ver… bem, desde o começo do milénio. E não se preocupe com o espaço que a lista venha a ocupar! Eu uso Apache a correr em cima de Linux, pelo que deverei ser capaz de aguentar…
Ouch…
Hi. This is the qmail-send program at sharksquirrel.com.
I’m afraid I wasn’t able to deliver your message to the following addresses.
This is a permanent error; I’ve given up. Sorry it didn’t work out.
< *******@hotmail.com>:
65.54.245.104 does not like recipient.
Remote host said: 550 Requested action not taken: mailbox unavailable
Giving up on 65.54.245.104.
Caro peasus, importa-se que lhe recomende o Gmail? Bem sei que não é da Mais Inovadora Empresa Segundo Os Analistas, mas pelo menos poderia receber os follow-ups do comentários…