Imagem de todos os tempos
publicado 1 Fevereiro 2008 em intimidades.Gaudí é uma antena, um pára-raios da História. Como Leonardo, tal e qual. É como se ele estivesse ali, de pé, e houvesse uma tempestada no tempo e um raio atingiu-o vindo do passado, enchendo-o com toda a sabedoria da pedra, do metal e do cálculo acumulada pelas ancestrais gerações — e no instante seguinte outro raio vindo do futuro transportava desenhos, visões, mundos, planetas, formas que ele não conseguia, talvez, abarcar e traduzir para o catalão do fim do século XIX.
Tinha sonhos e delirava — mas acordava e manobrava à sua volta, conquistando, arrebatador.
Depois desenhava, febril, media, zeloso, construía, obssessivo.
Enfiá-lo na prateleira do modernismo ou da arte nova é apressado, redutor ou provavelmente sinal de fraco bestunto. Suponho que o futuro tratará Antoni Gaudí melhor que esta contemporaneidade — que, desfavorecida, expia o pecado custeando a construção do Templo Expiatório da Sagrada Família, na foto sem tempo ou lugar fixos, tirada há escassas horas no centro de Barcelona.



Gostei muito do Parque Guell.
Aproveitem.
Abraço.
Leonel Vicente
Obrigada, Leonel. Ontem foi marcante a visita à Fundação Miró. Hoje, tomara que não chova, para não tolher os movimentos…
Um abraço