É curioso, olhando para o resultado há quem pense precisamente o contrário
“Dou ao público caviar, não dou sardinha assada”, Filipe La Féria, o homem dos musicais requentados, ao 24 Horas.
O “caviar” servido por La Feria desde 2000:
Em 2000 escreve, encena e faz os cenários do músical Amália, que estreia no Teatro Politeama. Durante 6 anos em cena e representado em Paris e outras cidades de França e Suíça, ultrapassou os 16 milhões de espectadores.
Em 2001 encena A Casa do Lago.
Em 2002 encena o musical My Fair Lady (Minha Linda Senhora), adaptado de Bernard Shaw, espectáculo galardoado com o Globo de Ouro para Melhor Espectáculo do Ano, sem dúvida alguma devido ao particular gosto do júri pelos sabores mais finos do teatro.
Em 2004, A Rainha do Ferro Velho.
Em 2005, A Menina do Mar, de Sophia de Mello Breyner e Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll
A Canção de Lisboa, em 2006, é outra peça de requinte e na linha da cozinha requentada, mas elevada, temos ainda O Princepezinho a partir de Saint-Exupéry (2006) e Música no Coração (2007). Mas o Beluga servido por La Feria ao deleitado público da capital foi Jesus Cristo Superstar, no ano passado, a partir dos mais frescos e tenros esturjões conhecidos na cena musical, e só mal intencionadamente confundível com a peça homónima levada à cena em 1971 no teatro para parolos comedores de sardinha tipo Broadway e que este ano (37 anos depois da estreia) já vai em representações na Islândia — isto sem contar a raríssima, só acessível a um punhado de felizardos milionários, creme do creme, interpretação de Anastacia no Verão de 2007 num espectáculo só ao alcance dos iluminados: o concerto por Diana. Com um coro gospel em pano de fundo.
Como se vê, tudo obra de élite para élites no apogeu da saison.
Confirmando a sua propensão para abastecer as massas com caviar, a sua mágica glória, La Feria foi ao século passado desenterrar outro tesouro do palato para a temporada 2008: Um Violino no Telhado.
“Um dos maiores clássicos do Teatro Musical que, pela primeira vez sobe à cena em Portugal, inspirado na obra do pintor Marc Chagall que foca a vida de uma pequena comunidade judaica na Rússia, em vésperas da Revolução de Outubro de 1917. A música de Jerry Bock e o libreto de Joseph Stein fizeram de “Um Violino no Telhado” uma obra universal” (aqui). Universal, calma. Foi La Feria quem, levando o caviar ao exigente público portuense, que nunca antes tivera ocasião de saborear tal requinte, e com o alto patrocínio de Marcas Que Todos Sabemos Que Vão Mal Com A Sardinha E Têm Por Target As Classes Exclusivas, como a Sagres e a Suzuki, tornou verdadeiramente Um Violino no Telhado numa obra universal.
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E a lista de potenciais musicais é enorme, qualquer dia temos o Cats ou o Fantasma da Opera. Mas no meio de isto tudo pode ser que venha algo de bom e o senhor traga o Spamalot ate cá, mesmo correndo o risco de ter um musical de Monty Python trucidado por ele…
Sim sim — aposto em como Filipe La Feria já marcou Cats na sua lista. Talvez já em 2009?