Há coisas fantásticas, não há?
Um estudo da Anacom divulgado esta semana transforma em letra de forma, oficial, o que a experiência de praticamente todos os clientes há muito nos dizia: as velocidades de acesso à net são muito abaixo dos serviços contratados.
A conclusão genérica do estudo, de acordo com a notícia do Jornal de Negócios, é que a qualidade do serviço melhorou nos últimos dois anos, mas a velocidade contratada está ainda longe da conseguida.
Sublinho o “ainda”. Denota que a autora da notícia quis mostrar uma confiança no mercado e um optimismo no futuro inusitados tendo em conta o registos histórico das empresas envolvidas. A minha intuição diz-me que uma investigação aos estudos do passado revelaria que o ainda é provavelmente abusivo pois verificaríamos que o fosso entre o prometido (e contratado) e o conseguido tem vindo a aumentar. E podem medir tanto em fosso real como em fosso proporcional.
O problema deste mercado é que os operadores afiançam sempre que cumprem os contratos (e estou a falar estritamente da velocidade de acesso, deixando outros detalhes de fora) e puxam de estudos, que reportam de “independentes”, e fazem “medições” com resultados espantosos, calando a voz aos recalcitrantes. A incipiente ou inexistente Imprensa da especialidade não tem meios para contrapor à publicidade em press-release dos operadores.
A Anacom, enquanto regulador, tem conseguido mais sucessos na divulgação da realidade do mercado do que… os jornalistas.
Quanto ao estudo, refere que o melhor desempenho é o da Cabovisão, que oferece 1,794 Mbps de um máximo previsto de 2 Mbps. 87,6% da velocidade contratada é conseguida. Outro operador de cabo também apresenta bons indicadores. A TV Cabo garante 81,2% da velocidade contratada de 4 Mbps. Já na Telepac, para a mesma velocidade (4Mbps), a velocidade é em média 66,2% da contratada.
O Clix é estranho. Tem a pior percentagem dos ISP estudados, mas é o operador que fornece maiores velocidades — tanto no download como no upload, sendo que a velocidade de upload passa ao lado da maior parte do mercado mas é essencial para os autores, artistas, programadores, em regra, os utilizadores profissionais da Internet.
O estudo tem tanto sucesso que a Anacom o quer tornar anual — o que não é nada mau. Uma vez por trimestre é um sonho em Portugal — o país onde em matéria de tecnologias e comunicações se investe, gere e vende às escuras. No próximo, a Anacom quer incluir as placas de acesso móvel. Vai ser bonito.
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13 opiniões no artigo “Há coisas fantásticas, não há?”
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Mas certamente que sim! é uma publicação de Paulo Querido, jornalista freelancer que publica livros, artigos e também algum código sobre a net e na net. Desde 1989. (
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E o que dizer então dos alegados, (enfim lá usam o até)7.2 da banda larga móvel.
Por experiência própria com a Tmn (que até só anuncia até 3.6), salvam-se os downloads, graças ao IDM, a não mais de 3, nos dias bons, e a navegação a não mais de 0.5, o que felizmente com o Firefox dá para uma navegação calma e sem stress.
Pois, foi o que eu disse: no próximo, a Anacom quer incluir as placas de acesso móvel. Vai ser bonito.
Só lamento que não o façam já este mês. O mercado vai comprar uns bons milhares de palcas enganado.
A vantagem deste artigo cair aqui, além de outras, é de se poder comentar
Não me surpreende de maneira nenhuma as conclusões do estudo da Anacom.
O acesso móvel é tecnologicamente rançoso. Jamais será possível obter as velocidades máximas. Agora, quedas no acesso e velocidade anormalmente lenta é que não têm desculpa e isso meus senhores é falta de investimento.
No DSL, a linha de cobre em si é tecnologicamente limitada, as perdas são enormes, o que por mais que se possa fazer, jamais se atingirá as velocidades máximas, só vivendo ao lado ou dentro da central. Não é menos verdade que a rede está mal estruturada, com demasiados enlaces que amplificam as perdas de sinal. A solução passa por substituir gradualmente as linhas de cobre por fibra óptica, só assim deixará de haver perdas. O cobre é como ter um cano esburacado enquanto tentamos que a água chegue na totalidade ao extremo oposto.
O acesso Cabo obtém um maior sucesso no estudo, porque a sua infraestrutura não é limitadora relativamente à distância, além do mais os amplificadores de sinal são fortíssimos. A desvantagem é que fisicamente a infraestrutura é partilhada, daí que o sucesso dependa da construção de rede de modo a que a partilha não seja excessiva entre clientes, enquanto que no DSL cada um de nós embora tendo um cano esburacado até à central, é dedicado, e quanto mais perto da central estamos, menos água perde.
Peço desculpa pela analogia ao cano e à água, mas é a que melhor me ocorreu.
Resumindo: DSL tem melhores resultados com a proximidade da central, já no Cabo os melhores resultados obtêm-se com um número reduzido de clientes por head-end.
Tudo isto melhora com investimento e este, a partir de agora será em fibra óptica. E aí a velocidade deixa de ser um problema.
A questão das velocidades da Clix são óptimas para o eye-candy.
Daniel, é uma analogia fabulosa! Vou promover a post, com alguma edição.
Está à vontade Paulo.
Ainda a propósito de fibra óptica, curiosamente ontem atingiu-se um recorde de velocidade nesta infraestrutura. Pesquisadores atingiram a módica velocidade de 16.4 Tbps numa distância superior a 2,5 Kms.
[Fonte]
Sineceramente tenho alguma fé que vá evoluir favoravelmente. Não por causa dos estudos nem por causa dos clientes. Mas por causa da televisão por ADSL. É um mercado que está aqui a bater à porta. E o cabo é o cabo. É altamente limitado. O “cabo” por satélite, é, chamando as coisas pelo nome, uma merda. Apenas um sinal (um canal) e falha com mau tempo (como qualquer satélite). De maneira que tv por adsl é um nicho de mercado enorme. A HDTV ‘tuga’ - a TDT - juntamente com possível transmissão de “canais de cabo” em HD, vai exigir muitíssimo mais da estrutura actual. As velocidades, para levar sinais em HD (e não a mera televisão por adsl que existe na clix e com o meo) exigirá velocidades 4 ou 5 vezes superiores às actualmente promovidas (os tais 24mb). Será um investimento ainda maior, se pensarmos no que este artigo noticia. Mas é um nicho de mercado tão grande, tão grande, que parece-me que isso levará as empresas de telecomunicações a investir nele.
[...] um estudo da Anacom, que se debruça a propósito da qualidade do serviço prestado aos clientes por parte dos [...]
Caro JLS, então a TDT vai chegar via ADSL? é isso que o seu comentário tenta dizer? Oh diabo..
Existe claramente um desconhecimento do caro JLS em tudo aquilo que diz.
Não haverá “canais de cabo” em alta definição na TDT, o que haverá é que a partir de 2012, quando a RTP 1, RTP 2, SIC e TVI abandonarem as emissões em analógico, o mesmo espectro será reutilizado, desta vez para que os mesmos canais transmitam em alta definição. Apenas estes. Não está previsto que haja mais canais além destes quatro em alta definição, até porque não existe largura de banda disponível na TDT para isso, ou então o número de canais pagos a oferecer, seria drasticamente mais baixo.
Bem, bem, tanta confusão com o meu post.
Pontos prévios: Eu não me estava a referir à TDT em si. Estava-me a referir às mudanças que a TDT vai provocar.
TDT = DTV = televisão digital = emissões em “mero” sinal digital.
Ora DTV (TDT) é diferente de HDTV. Sem TDT não há, de certeza absoluta, HD. Vão, certamente passar a haver transmissões, pelo menos algumas em HD (que é o que se passa lá fora, apenas, nem tudo é HD, mesmo que seja digital.
Ponto assente, ou nem por isso? São coisas bem diferentezinhas. Uma coisa (em inglês) é DTV = TDT outra coisa é HDTV. Percebidíssimo este ponto?
Ora HDTV (que implica, também, som 5.1) e não DTV (e aqui talvez a única dúvida que possa surgir no meu post), exige larguras de banda descomunais (os tais 100mbits que referi); mas como me referi aos 100 mbps, para quem está minimamente dentro da coisa, perceberia, imediatamente, que me estava a referir ao HDTV e não ao mero DTV. Aliás, sem HDTV, para quem já tem cabo, não me parece que a emissão em sinal digital - o sinal já é recebido em forma digital -, vá provocar grandes diferenças, em termos de qualidade de imagem e som.
Tenho dúvidas que o wikipédia esteja absolutamente correcto nestes valores, mas lá está escrito algo assim:
«Em termos práticos, isto é o equivalente a um programa em alta definição, que ocupa 15 Mbps, ou quatro programas em definição padrão, que consomem em média 4 Mbps cada.»
4 Mbps por canal sintonizado (a oferta actual da clix são 3 simultaneamente) em sinal digital. 14 mbps por canal em alta definição. 14 + 14 + 14 = 42. Some a quota-parte para a net e para o telefone e tem aí os tais 100mbps.
«Caro JLS, então a TDT vai chegar via ADSL?»
Constato que ainda paira por aí muita confusão. O que levou a não perceberem absolutamente nada do que escrevi. Eu falava no nicho de mercado referente ao HD, ao verdadeiro HD. Não ao mero sinal digital.
Televisão por aDSL já existe, claro Gonçalo que TDT e aDSL são coisas diferentes, não se “recebe” TDT por aDSL - não, não era nada disso que eu queria dizer, nem sei bem o que o levou a perceber isso. Os 24 mbits chegam para isso. Até chegam para dividir o sinal por vários televisores (vários/diferentes canais ao mesmo tempo). O que 24 mbits não chega é para HD.
«Não haverá “canais de cabo” em alta definição na TDT, o que haverá é que a partir de 2012, quando a RTP 1, RTP 2, SIC e TVI abandonarem as emissões em analógico, o mesmo espectro será reutilizado»
Eu não me estava a referir à TDT em si. Estava-me a referir às mudanças que a TDT vai provocar. É um passo para futuras transmissões em HDTV. Como lá fora, começará com alguns programas. Um dia, poderemos todos ver as exibições do Benfica
(como em Nuremberga) em toda a gloriosa HD - nos EUA até os eventos desportivos já são transmitidos em HD.
Assim, eu afirmei algo tão simples quanto isto: será um mercado com um potencial de expansão imenso, a aDSL (ou mais se quiser a xDSL). O cabo é fisicamente limitado. A aDSL não é, vai mais longe, com investimentos bem menores. Onde o cabo não chega, a aDSL chega. Zon, Clix, PT e provavelmente outros, vão procurar investir nesse mercado e ganhá-lo (a PTM/Zon já tinha oferta cabo e adsl, antes da separação). Não tenho dúvidas. Se vai ser já daqui a dois anos, ou se vai demorar quatro ou cinco, não sei. Mas vai acontecer em breve (apontar, talvez, ao próximo mundial ou euro; as típicas fases de investimento em televisores?).
Onde disse 14+14+14=42, era 15+15+15=45; se é que esses valores são fidedignos. Mas servem, de qualquer modo, para assinalar a diferença entre a diferença entre “HD” e o mero “D”.
Caro JLS, gostava de concordar consigo mas infelizmente a minha visão diz-me que HDTV por DSL está longe de acontecer nos moldes em que diz.
O cobre apesar de estar em todo o lado também é fisicamente limitado, e como prova temos que apesar da ADSL2+ debitar 25Mb/s menos de 60% das casas consegue ter 8Mb/s daí a IPTV estar limitada a 2 Televisões. Quando VDSV2 começar a ser implementada apenas quem está a 0,5Km da central vai supostamente conseguir 100Mb/s. O investimento de ter mini centrais de 500 em 500 metros parece-me um investimento mais caro que o cabo. Se tamos a falar de algoritmos que vão surgir no futuro que vao minimizar estas perdas do DSL, então tamos a falar de uma janela temporal suficiente para que HDTV já esteja nas casas via DVB-T/H e depois ninguém vai mudar.
Se DSL é o futuro, porque anda tudo a investir na infraestrutura de fibra?