O que as revistas ainda não perceberam sobre a web
A recente conversa sobre o excelente artigo de Nick Carr na The Atlantic (Is Google Making Us Stupid?) merece atenção. Desde logo, o artigo. Depois, uma não menos excelente reacção de Scott Karp no Publishing 2.0, (What Magazines Still Don’t Understand About The Web), que é leitura obrigatória (um estudo de caso!) para os jornalistas que se interessam e para os editores, chefes de redacção e directores, interessem-se ou não.
E é da leitura deste, mais propriamente dos comentários, que me assalta uma ideia com potencial. Em vez de fechar a edição na web para preservar (?) os leitores do papel, não seria melhor estimular o interesse pela edição papel usando a discussão prévia na web?
(O Expresso fez uma primeira aproximação a este formato. Não sei ainda os resultados, estou curioso, mas sei uma coisa: algumas pessoas sentem a falta de ler a história (em vez do teaser que recebem por e-mail) e de a poder linkar; têm-me falado disso). Talvez por isso participem menos, é a ideia que me fica dos e-mails que recebi.
A ideia não me caiu propriamente do céu. Está longe de ser nova. Na edição de livros ela já foi usada com grande sucesso. Tanto o best-seller Wikinomics como o não menos campeão de vendas The Long Tail venderam-se a um público ávido, já previamente titilado pelas longas conversas acerca dos livros. O mesmo tipo de sucesso se pode prever desde já para o próximo título de Chris Anderson, Free, que será publicado em 2009 e já foi anunciado num artigo da Wired (Free! Why $0.00 Is the Future of Business). Lembro-m bem das críticas a Anderson, quando ele usava o blogue para a recolha do material e sua refinação (grande parte dos números e quadros foram revistos por leitores do blogue), que insistiam no “risco” de colocar todo o conteúdo, ou mesmo parte do conteúdo, do livro, na web: isso iria fazer com que ninguém tivesse interesse em adquirir o livro de papel.
Passou-se precisamente o contrário. E mais: os ganhos em publicidade viral foram extraordinários, dando ao livro uma dimensão global.
Criar buzz em torno de um assunto que vai sair na próxima edição — eis uma função realmente à medida dos blogues.
Como diz um velho amigo, “tirar da web”, não “pôr na web”. Há aqui mais a tirar do que a pôr. É preciso apenas descobrir o caminho.
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Olá, o meu nome é Paulo Querido e Certamente! é o meu webzine pessoal. Sou jornalista free lance, escrevo livros e artigos (e também algum código) sobre a net e na net desde 1989. (
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Onde é que se desliga a merda da música?
[...] 1. Por coincidência editorial, Paulo Querido hoje abordou alguns deste assuntos. [...]
A WEB E O PAPEL…
…
Certíssimo Paulo.
Há mesmo coisas que são incompreensíveis, como sejam os sites noticiosos em Portugal, sempre com aquele »para ler a notícia integral veja a edição em papel»……
Sobre o Expresso e apenas a título informativo, o envio dos teasers não funciona de todo. Aquilo não tem ponta de interesse.
Gabriel, de acordo. Em conversa esta semana com Bruno Giussani, situámos em 10 o número de anos que os MSM levam de atraso em relação a uma atitude construtiva para com a web
Exagero nosso?
Talvez.
Quanto ao Expresso, deixa-me realçar um mérito à iniciativa: é uma primeira ponte de diálogo estabelecida com os bloggers. Cabe também a estes responderem.
(btw, check your e-mail)