A Internet e o futuro do jornalismo: o PEOPEAN

nuit_finale.jpgEntre os Grandes Perigos que a região antes conhecida por Internet, a blogosfera, comporta para o futuro do jornalismo está o que classifico de PEOPEAN: o Problema Entre O Público E A Notícia.
Uma das suas últimas manifestações é observável no caso da Serero, uma empresa de arquitectura que colocou um “chapéu” na torre Eiffel numa competição inventada. Bastava ir a um ou dois sites para perceber do que se tratava — mas não: o Guardian (no melhor pano cai a nódoa) não fez sequer o básico antes de publicar como notícia o que não passava da aparência de um boato depois de uma leitura apressada e sem critério de um ou diversos blogues e páginas na Internet que reproduziam as espectaculares imagens produzidas nos CAD dos arquitectos da Serero. O NYT engoliu e ainda inventou por cima.

“Enfim, esta boa jogada promocional do ateliê de arquitectura revela que, pelo menos neste episódio (felizmente sem consequências) os critérios de rigor de alguns dos principais jornais do mundo aproximaram-se perigosamente dos da Internet” — escreve com propriedade Luís Paixão Martins em O embuste da Torre Eiffel e o rigor editorial.

Só posso esperar que essa aproximação não seja, também ela, assacada à blogosfera, como se tornou mister fazer-se quando as coisas dão para o torto.

Debate

2 opiniões no artigo “A Internet e o futuro do jornalismo: o PEOPEAN”

  1. António em 12 Abr 08 16:30 link

    “Critics are already fretting that the crowds will dissipate along with the awe-extinguishing addition….” :lol: :lol: Isto é humor e do bom…

    O DN também engoliu a história e tem o seu ponto a crescentar ao conto…

    “A utilidade e os custo (ainda não revelados) estão na base das críticas, mas um porta-voz da SETE, citado pelo jornal, já veio explicar que o objectivo é aumentar a qualidade do acesso à Torre Eiffel, visitada anualmente por 6,9 milhões de pessoas.” DN online

  2. Paulo Querido em 12 Abr 08 17:16 link

    Assim que um jornal publica, está a legitimar a história perante os outros. Os jornais acreditam uns nos outros, evidentemente. A questão está no primeiro jornalista que erra, antes de a estendermos aos restantes (que não estão ilibados, têm apenas o “atenuante”, discutível, de se contarem entre as primeiras vítimas).

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