A morte de Arthur C. Clarke: anatomia de um post
Cometi a proeza de repetir (por deformação profissional, escrevi “dar” mas logo substitui) a notícia da morte de Arthur C. Clarke dentro da mesma hora que os primeiros dois órgãos de comunicação social portugueses.
E antes da blogosfera lusófona, e também dentro da mesma hora que os mais rápidos bloggers americanos.
Não há aqui nada de espantoso nem procuro medalha (não há medalha numa notícia replicada — contrariamente ao que muitos bloggers de repetição costumam espumar). Na verdade, pretendo somente relevar um aspecto do uso do Twitter. Foi através do meu Twitter que soube da morte de Clarke. Recorrendo à memória e à Wikipedia (detalhe do Rendezvous com Rama ir a filme), publiquei um post em menos de 20 minutos.
O Twitter é (entre milhares de outras funções) a rádio planetária em directo. Inestimável para um jornalista.
Decididamente, tenho de lhe prestar mais atenção!
Act: Nos blogues, o João “deu” antes de mim! Arthur C. Clarke
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9 opiniões no artigo “A morte de Arthur C. Clarke: anatomia de um post”
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Duas imprecisões.
1) Não escreveu o post dentro da mesma hora. O seu é das 23, os dos orgãos de comunicação social são das 22.
2) Os orgãos que aponta como os primeiros, só acertou num deles. Há pelo menos 7 orgãos de comunicação social na web que escreveram a notícia primeiro que o Paulo.
But who’s counting.
Pulido, obrigado pelo reparo.
Explicando 1: eu referia-me a ter publicado dentro da mesma hora contando os 60 minutos, ou seja, não chegou a passar uma hora desde que eles publicaram até eu publicar. Peço desculpa se a minha escrita defeituosa o induziu em erro.
Em 2 não tem razão. No instante em que escrevi havia apenas dois órgãos de comunicação social portugueses recenseados no G. News: Portugal Diário (o primeiro a dar, segundo o G.) e TSF (segundo). NESTE MOMENTO, são 00:20, o meu browser dá-me a página com mais alguns OCS (eram 16 ou 17, agora são 25) E APENAS UM é português, o Sol.
Usei o Google como fonte. Não sou responsabilizável pelos algoritmos do Google ou pela sua política de escolha dos sites e da velocidade a que os rastreia.
Agora, francamente, eu tentei não deixar margem a este tipo de equívocos: a questão do tempo tinha significado para relevar o uso do Twitter no seguimento da actualidade, não tinha significado pessoal nem valor comparativo com ninguém.
Gastei um parágrafo a deixar isto bem claro.
But who’s reading, não é?
Tenho razão tenho.
Cada um usa o que quer, o que não impede de ir a outros para se comparar os resultados. No SAPO Noticias ainda nem sequer aparece a noticia da morte, no Destakes ( http://www.destakes.com/search/?q=arthur%20c.%20clarke ) existem pelo menos 5 OCS (como diz) antes do seu post e mais alguns minutos depois.
Mas pronto, pode culpar os algoritmos do Google.
No resto concordo consigo, nomeadamente em relação ao Twitter.
Pulido, claro que tem razão. Você tem sempre razão.
É curioso. Agora lembrei-me do 11 de Setembro. Na altura não havia twitter, mas havia IRC. Era impressionante a quantidade de informação, a quantidade de fotos, vídeos, tudo e mais alguma coisa que lá aparecia. Coisas que nunca vi a passarem na televisão, ali, na hora. Já nem me lembro bem qual a rede a que estava ligado (dalnet ou efnet talvez?). Mas ainda antes da web 2.0 foi umas das maiores manifestações do poder da internet que presenciei.
JLS, sim, o IRC desempenhou um papel fundamental noutras épocas. Tive um insight profundo disso aquando de Timor. A supermanifestação — milhares de portugueses foram para a rua e deram as mãos por Timor — foi iniciada nos canais de IRC.
Fiz algum jornalismo no IRC na altura, nomeadamente obtendo algo difícil à época (e ainda hoje…): vislumbres do lado indonésio (refiro-me à opinião pública, de “rua”, não às posições oficiais). Frequentando os poucos IRC indonésios onde se falava m mais de 10 palavras de inglês.
(Está tudo nos arquivos papel do Expresso).
Do IRC a ideia do cordão humano brotou para os telemóveis e para a televisão. E no IRC foi feita uma parte substancial (estas coisas são difíceis de medir) do trabalho de convencimento mútuo, de motivação, para a iniciativa.
O Twitter é nesse aspecto um luxuoso herdeiro do IRC.
O Mário Crespo tinha encerrado as notícias das 21h (na SIC Notícias) com essa informação - e uma cena algo ‘caricata’ que foi a de, no momento, lhe ter dado uma ‘branca’, e não se lembrar do título do “2001: Odisseia no Espaço”…
Ena, o Crespo twitta!
kidding. A notícia foi difundida em primeiro lugar pela Agência France Press (AFP), que a SIC (e a grande maioria dos OCS nacionais, penso) recebe. É provável que a Lusa tenha veiculado muito rapidamente (não estou a ver a TSF e o Portugal Diário a andarem a ver o news.google.com…)
[...] me tinha sucedido antes, com a morte de Arthur Clarke, voltou a ocorrer esta tarde ter o Twitter enquanto agência noticiosa, ou rádio planetária. [...]