Episódio do telemóvel: o péssimo e o bom
Sobre o episódio do telemóvel, vi hoje dois excelentes exemplos de tratamento do assunto, nos antípodas um do outro: o péssimo e o bom.
O péssimo é o insuportável video de Rui Unas para as Produções Fictícias. Se pensam (como eu) que as televisões já exploraram as imagens e o assunto muito para lá dos limites do aceitável, sobrepondo-os a qualquer tipo de debate útil, vejam isto e pensem outra vez.
A mim não provoca mais do que nojo do autor — já nada mais tenho por sentir em relação ao episódio.
O bom é o artigo de Leonel Moura para o Jornal de Negócios, Em defesa dos miúdos. Não concordo completamente com as conclusões dele, mas isso não me impede de recomendar a leitura: além de ser contra a corrente minimal repetitiva de “opinião” que regurgita dos meios por estes dias, só pode mesmo fazer-nos pensar. E perspectiva o assunto no lado correcto: o da sociedade que somos hoje e seremos amanhã, não o da sociedade do século passado, onde se formaram todos os que hoje opinam sobre o caso.
Um excerto (a questão da liberdade, mais que os saberes tecnológicos, um pilar do generation gap que hoje vivemos, e que pode ser bem mais aprofundada):
Este episódio, trivial em si mesmo e que deveria ter sido resolvido no contexto próprio, revela um evidente desfasamento entre aquilo que são alguns modelos e rotinas do passado e a realidade do presente. O Mundo mudou mais depressa do que a capacidade de adaptação de muita gente, em particular dos mais velhos. Daí que enquanto que estes imaginam ser possível agir com a cabeça no passado, enquanto que passeiam o corpo pelo presente, coisa que obviamente faz tropeçar, os mais novos vivem já totalmente mergulhados no século XXI. Uma das coisas que mais distingue estas duas posturas é precisamente a questão da liberdade.
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4 opiniões no artigo “Episódio do telemóvel: o péssimo e o bom”
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Não não não. É ridículo falar dos novos tempos a propósito deste caso. Será mais o caso de uma miúda mal-educada e de uma escola onde as regras de funcionamento serão uma coisa vaga e pouco definida. Não é preciso mergulhar no século XXI nem em análises aprofundadas. O que precisamos é de um banho de bom-senso. Século XXI? Só porque os miúdos sabem teclar mensagens de telemóvel (a tecnologia dos analfabetos) como antes (ou ainda hoje) mandavam bilhetes?
sim sim sim. Há diferenças profundas de estatuto. Logo, de poder. Estes tempos são novos — pelo menos para esta civilização.
A diferença não é do bilhete em papel para o telemóvel. Isso é utensílio.
Concordo com o Pedro. Não há nada que os putos saibam fazer que eu não possa ; mas há coisas que eu sei fazer que eles não sabem , a saber , e principalmente , relacionar. Aprender de memória , coisa do século XX , logo ultrapassada segundo os do século XXI , tem uma componente altamente necessária : ok , o saber está todo na net ( também já estava nas enciclopédias) , mas o lembrar que tal está relacionado com tal , a net ( e a enciclopédia) não dá. A tecnologia não ensina a pensar , a pesquisar , só a manipular.
E máquinas necessitam sempre de quem as saiba fazer.
A vida está facilitada em alguns aspectos , mas continua a ser a Vida. Difícil. E a necessitar de regras ainda mais complexas. Ou não andam já a regulamentar a net? E por favor , reuniões de adolescentes no video do telele? Ainda bem que precisei de gente e não de imagens para me reunir.
Não acho graça e sei faze-lo. Não faço porque não quero , mesmo que digam que estou a ficar no sec. XX. Fretes ? já não tenho idade para isso. Inovações xpto que me dêm prazer? Venham elas!