A maior parte das empresas de jornalismo vai desaparecer

É apenas uma das afirmações de José Cevera, director da Escuela de Periodismo Digital, na entrevista à Caspa.tv: a maior parte das empresas de jornalismo vai desaparecer, acha ele.
Eu também acho.
Mas antes disso, e sem precisar de ficar nos pontos radicais da entrevista, temos outras frases para ouvir, escutar, digerir. Ou por outra: para os jornalistas ouvirem, escutarem, digerirem. É do emprego deles, é da função deles, que falamos. Eu gosto particularmente das frases sobre diferenciação.
No mundo dos átomos, onde o negócio do jornalismo se baseia nas barreiras geográficas, republicar uma notícia de agência faz sentido e gera valor. Todos os jornais dão a mesma notícia porque cada jornal tem um público diferenciado.
No mundo da Internet a diferenciação não assenta na geografia e o público é indiferenciado: chega à notícia porque a procurou, não porque o jornal lhe prestou o serviço de a embrulhar e levar. Assim, a republicação não gera valor. O que gera valor é o carácter único, a originalidade, o tratamento diferente, a perspectiva nova.

(”Pesquei” n’O Lago, que a colheu noutras fontes)

5 anos de Miniscente

O Miniscente, de Luís Carmelo, faz cinco anos. É obra. Parabéns, Luís.

Parece que foi hoje, mas a verdade é que as primeiras palavras do Miniscente foram escritas num ambiente muito diferente do que hoje nos respira e envolve.
O 09/11 estava ainda fresco, o Iraque fervilhava em pleno, Durão era PM, o caso ‘Casa Pia’ ainda não existia e uma nova (e pouco compreendida) febre comunicacional estava a arrancar em Portugal.

Absinto light

Apareceu-me hoje uma situação que me fez pensar em conceitos impossíveis, ou produtos inviáveis, e no entanto perfeitamente lógicos. Paradoxos. Você, leitor amigo, consegue imaginar o que seria uma marca lançar absinto light no mercado?

iSheep perfeito perfeito perfeito

A quantidade de disparates recolhidos e publicados pela Imprensa acerca do iPhone é notável. O iPhone é descrito, inclusivé por jornalistas, como “o último grito em tecnologia”, naturalmente sem se explicar para quem é o último grito ou qual a tecnologia. Para todos os que são capazes de ouvir esse “último grito”, uma recomendação: não leiam este post de Pedro Cavaco sobre o que o iPhone não tem.

O preço, mesmo quando considerado “caro”, é prontamente justificado com recurso à paleta de desculpas fornecida aos iSheep ao longo dos últimos meses pelo marketing da Apple.
Exemplos: CONTINUAÇÃO

A mais recente moda no Twitter: caracteres █████

Paulo Querido PauloQuerido Signs From a Post Twitter Era: ▁▂▃▄▅▆ What’s hot on Twitter? illustrate your sayings with non-word characters! ▆▅▄▃▂▁

Paulo Querido PauloQuerido #posttwitter as in: “I █████ love Twitter, but it is so █████ difficult when it goes █████ down.

A porcaria e o erro

Carlos Queirós foi esta sexta-feira apresentado como seleccionador nacional de Portugal pela Federação Portuguesa de Futebol.
Conheci Queirós ainda ele era um jovem turco a querer o seu lugar ao Sol e a precisar de entrevistas, isto bem antes de Riáde, da Luz, e Figo, Peixe e Rui Costa. Hoje, que o tem e que as dispensa, não conheço Queirós. Ou talvez reconheça o vaidoso a sobrepor-se ao ambicioso, para pena minha.
Sabendo-se, como é por demais evidente, que nada, RIGOROSAMENTE NADA, mudou no futebol português desde o tempo em que Queirós referiu, muito justamente, que a porcaria tinha de ser limpa da federação e do futebol português;
tendo em conta, como é confirmável ad nauseum, que os protagonistas do dirigismo desportivo são hoje RIGOROSAMENTE OS MESMOS que eram há 5, 10, 15, 20, 25 anos;
só posso concluir tratar-se de um monumental erro.
Oxalá me engane.

iSheep

Steve Jobs é que sabe. É o verdadeiro hacker. Com base apenas em engenharia social, coloca a imprensa mundial a promover as vendas de um telemóvel caríssimo sem lhe pagar um cêntimo em publicidade e convence um rebanho incrivelmente dócil a 1) espalhar a messiânica mensagem e 2) a comprar um aparelho para o qual não tem dinheiro, nem agora nem para as mensalidades, julgando que é uma pechincha.
Steve Jobs é o mágico do século XXI e vale mais, sozinho, que a trindade que tornou a web numa máquina registadora chamada Google, para desespero dos berlusconis e balsemões deste mundo.
Há um ano, o iPhone era visto como um aparelho caríssimo e inacessível ao português médio, talvez até ao alto. 499 ou 599 euro por um telemóvel, mesmo um telemóvel que faz o pino e canta, é uma pipa de massa, para roubar a expressão a Belmiro de Azevedo.
Um ano depois, a corrente lusitana dos iSheep não só corre para as lojas para se sentir feliz a adquirir, pelo mesmo preço que 365 dias antes achava inalcançável e impossível, como o faz exactamente da forma que Steve Jobs (que é a Apple sozinho, simultaneamente o board, o staff de PR, o evangelista, o porta-voz, o engenheiro-chefe e o hacker) imaginou que o ia por a fazer: primeiro de gatas, depois a disparar por um corredor fora, como se a loja fosse uma pista de atletismo e o primeiro a chegar à meta ganhasse a glória. CONTINUAÇÃO

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