Arthur C. Clarke morreu. Tinha 90 anos
Arthur C. Clarke morreu esta terça-feira no Sri Lanka. Contava 90 anos de idade. É um ícone do século XX, figura de proa, controversa, nos meios literário e científico.
Não li exaustivamente a sua obra, embora sempre o tenha seguido desde que comecei a ler ficção científica. Rendezvous com Rama, editado em Portugal, foi o último livro que reli dele. Li e reli e treli, devo dizer, sempre com gosto: é uma história incrível, fresca de conceitos, perturbadora — tanto quanto um humano pode dizê-lo, o mais próximo esforço conhecido por pensar como um alienígena de inteligência inabarcável (podia, até, ser vagamente estúpido mesmo pelos nossos padrões, ou nunca ter existido, ser um casulo incubador de uma futura inteligência, quem sabe, nem Clarke sabia, possuído que foi).
Publicado em 1972, Rendezvous com Rama ganhou o Hugo e o Nebula (para quem não sabe, os maiores prémios da que pode aspirar um autor de ficção científica), é justamente considerado um clássico — e não só: cabe no conceito de hard science fiction text.
Diz-se que influenciou Alien — mas eu não acredito, bah.
Vai às salas de cinema em 2009 produzido por Morgan Freeman para uma realização de David Fincher (de Alien, e que dirigiu Freeman no perturbador Se7en — isto é gosto pelo superestranho e cola-se).
O mundo conheceu Clarke pela mão de Stanley Kubrick, que levou o magnífico 2001: Odisseia no Espaço ao cinema.
A sua morte foi anunciada há pouco pela AFP, informada pelo seu secretário Rohan de Silva.
A BBC recorda que Clarke foi considerado pioneiro na era da electrónica e das tecnologias. Era um homem de muita abertura e inteligência — uma das raras inteligências que eu reverencio. Os homens com imaginação devem-lhe muito.
Clarke e Asimov formaram uma dupla de escritores clássicos dos diabos, essa é que é essa.
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