No caminho

851717_dawn_or_sunset1.jpgAcordou. Não precisava abrir os olhos. Não podia. O cérebro sabia, apenas, que tinha acordado. Havia um canal de comunicação com o exterior relativamente desentupido, ainda. Ouviu um murmúrio por cima de si, distinguia uma máquina a zumbir do seu lado direito e, algures mais longe, onde já não interessava, vozes.
O murmúrio insistia — fora muito provavelmente a insistência que trouxera a sua atenção ainda ali.
Suspirou.
Não havia maneira de chegar.

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2 opiniões no artigo “No caminho”

    1 G. em 31 Mar 08 01:43

    Vinte e quatro horas mais tarde o canal parecia bloqueado; a máquina - outra máquina, e agora do lado esquerdo - mostrava uma louca correia de números, inquietos e inconstantes que, não sabia porquê, lhe faziam bater rápida e descompassadamente o coração cansado. A respiração tornara-se mais difícil e o pedaço de plástico que canalizava o ar incomodava-a e dava-lhe vontade de arrancá-lo. Porém a mão resolvera ganhar vontade própria e ignorava as ordens que lhe enviava. Continuava a lutar contra o deslizar para LÁ. O instinto que lhe permitira chegar ao octagésimo sexto degrau estava ali indemne, inteiro.
    Parecia que de tudo o que fora apenas a força da Natureza permanecia ali, não sabia por quanto tempo mais.

    2 ana em 31 Mar 08 10:17

    Que a prece dos afectos que semeou a ajudem para lá da solidão aparente.

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