No caminho
Acordou. Não precisava abrir os olhos. Não podia. O cérebro sabia, apenas, que tinha acordado. Havia um canal de comunicação com o exterior relativamente desentupido, ainda. Ouviu um murmúrio por cima de si, distinguia uma máquina a zumbir do seu lado direito e, algures mais longe, onde já não interessava, vozes.
O murmúrio insistia — fora muito provavelmente a insistência que trouxera a sua atenção ainda ali.
Suspirou.
Não havia maneira de chegar.
Data: 29 Mar 08 23:43 Editor: Paulo Querido Arquivo: pessoal
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Olá, o meu nome é Paulo Querido e Certamente! é o meu webzine pessoal. Sou jornalista free lance, escrevo livros e artigos (e também algum código) sobre a net e na net desde 1989. (
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Vinte e quatro horas mais tarde o canal parecia bloqueado; a máquina - outra máquina, e agora do lado esquerdo - mostrava uma louca correia de números, inquietos e inconstantes que, não sabia porquê, lhe faziam bater rápida e descompassadamente o coração cansado. A respiração tornara-se mais difícil e o pedaço de plástico que canalizava o ar incomodava-a e dava-lhe vontade de arrancá-lo. Porém a mão resolvera ganhar vontade própria e ignorava as ordens que lhe enviava. Continuava a lutar contra o deslizar para LÁ. O instinto que lhe permitira chegar ao octagésimo sexto degrau estava ali indemne, inteiro.
Parecia que de tudo o que fora apenas a força da Natureza permanecia ali, não sabia por quanto tempo mais.
Que a prece dos afectos que semeou a ajudem para lá da solidão aparente.