Perguntas Nada (mesmo) Frequentes
Para a improvável secção Perguntas Nada (mesmo) Frequentes, responda quem puder.
1. Se há consultores de comunicação, também há consultores de propaganda?
2. Como distinguir um do outro?
Obrigado.
Data: 26 Set 08 12:45 Editor: Paulo Querido Arquivo: pessoal
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34 opiniões no artigo “Perguntas Nada (mesmo) Frequentes”
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Olá, o meu nome é Paulo Querido e Certamente! é o meu webzine pessoal. Sou jornalista free lance, escrevo livros e artigos (e também algum código) sobre a net e na net desde 1989. (
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1. São uma e a mesma coisa por mais que, teoricamente, sejam diferentes.
2. Não se distinguem.
Mas há uma diferença?
Quase uma redundância, pois se existe propaganda evidentemente existe um comunicação.
sempre opinando onde não sou chamada rsrsrsrsrsrs favor desculpar a ousadia !!!
A propaganda visa uma comunicação direcionada ao consumidor! (comunicação de massa etc)
mas a Comunicação (que apreendemos desde o português tipo emissão, recepção, mensagem , desde a semiótica etc etc etc) possui aspectos intrínsecos dependentes do contexto, explico a minha opinião;
A comunicação internacional em políticas internacionais ou para quem trabalha em relações exteriores, não pode ser entendida da mesma forma, pois são dependentes de outras relações, as políticas principalmente.
Acredito que sempre será necessário questionar a quem eu me direciono comunicando-me de certa forma?
Existe uma hierarquia desde os bilhetes, mails, memorandos, editais.. que não deixam de ser formas de comunicação!
Agora, consultores? são as pessoas que por experiência são pagas para emitir uma opinião clara e facturável sobre determinado assunto.. CREIO eu!!
Distinguem-se bem.
A propaganda serve um fim, assim como a assessoria de comunicação. A diferença básica entre a propaganda e a assessoria de comunicação é que a última trabalha em diversos vectores, sendo dirigida a todos os “stakeholders”, tratando da comunicação no seu aspecto estratégico.
Se a propaganda pode ser mais facilmente confundida com a assessoria mediática, isso é outra coisa. Na realidade, podemos dizer que a propaganda é a “web1.0″ da assessoria de comunicação, no sentido de funcionar apenas numa direcção e sem retorno, ou feedback, em termos comunicacionais.
A assessoria de comunicação e a comunicação estratégica dirigem-se a todos os públicos, internos e externos, de forma interactiva.
Por outro lado, a propaganda tem como objectivo provocar uma reacção imediata, relativamente a um assunto localizado, ao passo que a comunicação estratégica combina os mais diversos elementos para que o objectivo seja atingido nas mais diversas vertentes.
Ao passo que a propaganda difunde uma mensagem massiva de forma unidireccional, contando com a reacção externa, podemos dizer que é a comunicação estratégica que define e molda as funções de implicação e coesão internas que permitem o credo dos que nesse tipo de informação trabalham. Isto é, no plano estratégico de comunicação, a eficácia dos resultados externos depende muito dos resultados internos. Avaliação cultural da organização em causa, intervenção cultural, etc. são ferramentas indispensáveis ao sucesso de uma acessoria mediática ou mesmo propaganda.
Também podemos dizer que os métodos de propaganda são redundantes por natureza: “argumentum ad nauseam”, autoridade, medo, estereotipificação, virtuosismo textual, etc., são recursos que apelam ao mais primário, sem necessidade de recursos para a interpretação da mensagem.
No caso da acessoria de comunicação estratégica, esta redundância é compartimentada, isto é, definida por cada um dos públicos e disseminada da forma adequada a cada um deles.
A este propósito, convém ter em conta coisas simples como, por exemplo, o “diamante da gestão da comunicação”, de Scheinsohn, que nos remete para cada um dos factores a tratar no âmbito da comunicação estratégica.
Para resumir esta barafunda, podemos dizer que a propaganda é uma ferramenta operacional. Se quisermos adoptar o sistema de “breadcrumbs”, sairá algo do género:
Estratégica: Comunicação Estratégica —> Táctica: Comunicação de Marketing —> Operacional: Propaganda
Enfim, coisa escrita “avant la lettre”, fica prometido post acerca do assunto lá pelas minhas bandas.
Para finalizar, parabéns pela pergunta! Muito boa, mesmo.
assessoria assessoria assessoria assessoria assessoria assessoria assessoria assessoria assessoria assessoria assessoria assessoria… era assim que se fazia na primária, logo após de apanhar na tromba. pelos vistos, não adiantou muito…
Carlos, venha de lá esse post. A tua é uma excelente resposta, se isto fosse uma aula, vinhas já para o estrado dá-la.
Usando cores básicas eu diria que a comunicação é clara e a propaganda é escura.
Enfim. Que há diferenças, há. Assim haja quem esteja disposto a procurá-las e aceitá-las. O diabo está no detalhes.
Honestamente Paulo acho que nem uma é clara nem a outra é escura. São basicamente as duas acizentadas. Depois muda, qual cameleão, de acordo com as verdadeiras cores de quem as usa.
Quanto ao comentário do Carlos, concordo com algumas coisas e com outras nem por isso. Não acho que a comunicação seja mais interactiva do que a propaganda. Deveria ser, mas não quer dizer que o seja. Também não concordo que os métodos usados na propaganda sejam apenas recursos que apelam ao primário, alguns são outros nem por isso.
Em termos básicos, propaganda é uma forma comunicação (não no sentido bidireccional do termo, mas sim num sentido mais lato); comunicação não é, nem implica, propaganda.
Respondendo às duas questões de uma forma simples:
um consultor de comunicação pode ser um consultor de propaganda, sendo que a única distinção entre um e outro (sendo ou não a mesma pessoa) se deve basear nos métodos utilizados e nos objectivos a que se propõe.
Bruno, a tua resposta às questões é boa, satisfaz-me plenamente.
As minhas cores tinham a ver com isto. A comunicação tem pruridos, a propaganda usa indiscriminadamente o que houver. A primeira pensa nos meios e nos fins, a segunda não conta os trocos (ou os mortos) para passar a mensagem.
No fundo, eu teria a palavra ética a pairar na cabeça, quando coloquei as questões.
Não é uma palavra que me preocupe muito, ou frequentemente. Respiro-a há demasiado tempo. Mas ultimamente, vá lá uma pessoa saber porquê, a comunicação política, olhem, a palavra voltou-me.
Se pensarmos nesses conceitos como pessoas, então diria que temos aqui um triângulo amoroso fotonovelesco formado pela Comunicação, pelo Marketing e pela Propaganda.
A Comunicação é uma rapariga simpática, bonita, elegante, preocupa-se com aquilo que veste mas sem exageros. É observadora e gosta de conversar, pois tenta sempre passar as suas ideias através do diálogo, gosta de ser compreendida e de compreender.
A Comunicação tem um marido chamado Marketing, que é um tipo de aspecto muito agradável, simpático e cuidado, menos tímido e mais sociável. A Comunicação acha que ele é o tipo mais giro que alguma vez viu, admira-lhe o engenho e a criatividade, e vai fechando os olhos ao resto.
Ele é também um excelente conversador, embora não se interesse muito pelo diálogo em si, ou seja, a conversa é apenas um meio de tentar eliminar ou incentivar as ideias do interlocutor, consoante a sua própria conveniência. Quando acorda mal disposto, e isso tem sido cada vez mais frequente, o Marketing põe-se a pensar que adivinhar os desejos e necessidades das pessoas é coisa para amadores. O que está a dar, pensa ele enquanto lava os dentes, é convencer as pessoas que precisam daquilo que ele tem para dar, mesmo que na verdade não precisem. Nos seus sonhos mais febris, o Marketing deseja apenas vender necessidades e desejos que ele próprio inventa, vê-se como um vendedor de sonhos de sorriso irresistivelmente branco, e põe-se a escovar os dentes com mais força.
Foi essa fraqueza que o aproximou da Propaganda. A Propaganda é uma cabra, mas é bonita que se farta, fez uma operação para aumentar as mamas e sabe ser muito, muito persuasiva. Não olha a meios para atingir os seus fins e, por isso, foi-lhe fácil seduzir o Marketing e levá-lo para cama. Embora de vez em quando goste de dar a cara, prefere agir na sombra. A única dúvida existencial que tem de momento – e ela é uma pessoa que nunca tem dúvidas desse tipo – é sobre a natureza da sua relação com o Marketing. Não sabe ainda muito bem o que lhe dá mais gozo, se é comer o bonitão do Marketing ou se é encornar aquela enjoadinha da Comunicação.
Quanto ao Marketing, tem de se decidir com quem quer viver.
Pronto, já apaguei o charro.
@ Marco:
ahahah! não… a comunicação é mais a sogra da pasta… a que paga as contas e manda em casa para o marketing andar a papar propagandas e publicidades (duas flausinas que vão com todos)…
Charro? Eu pensaria que era LSD 25!
Marco, espectacular. Uma história muito engraçada de ler. Consigo ouvir a estupefacção dos outros leitores, os do meio
sogra que paga as contas! LOL! (eu juro-vos que se continuam, publico isto como special post stars)
[...] - Este texto teve origem numa resposta a esta pergunta do Paulo [...]
@ Bruno:
No mais lato sentido, podemos dizer que sim, que são ambas cinzentas. Mas isso é um pouco simplista.
Claro que cada uma delas, à sua maneira, adequa o texto ao público. Mas, desde logo, existe um facto que as diferencia à partida: a propaganda tem que ser comunicada.
Mais que ninguém, tu sabes o que estou a dizer: é um pouco como a informação. podemos dizer que, grosso modo, a propaganda actua ao nível da cognição, ao passo que a comunicação actua a nível da forma… ou algo do género.
E depois há a tal coisa: falamos de assessoria. Um assessor de comunicação faz isso mesmo, estratégia. Um propagandista “vende a banha da cobra”. Por algum motivo se chama nos partidos políticos “agitprop”.
Mais uma coisa: todas as tendências da comunicação estratégica, organizacional ou relações públicas aconselha vivamente a trnasparência da pessoa ou instituição, algo que nem sequer se pensa - porque não é necessário - na propaganda.
… penso eu de que…
@ Paulo:
Sim… se continuarmos a conversa, vais ver que LSD, Mescal e coisas assim não são nada comparados com o “cocktail” organização/comunicação… desde logo garantia de boas histórias, comentários hilários e muita e longa discussão.
Quanto à ética… queres mesmo ir por aí? É que ética em propaganda, bom…
Carlos, não quero ir por aí. A ética não se vai.
Um assessor de comunicação tem uma reputação e zela por ela.
Um propagandista tem uma função, que persegue sem olhar à volta.
A propaganda é, admito, um exercício da comunicação.
Um comunicador — qualquer comunicador — tê-lo-á feito alguma(s) vez(es), nem que fosse curricularmente.
Um propagandista é o comunicador que foi lá não regressou.
Há propagandistas sem redenção a quem já só resta um pergaminho, diluído, que os credibiliza como comunicadores graças à memória que em tempos tivemos deles.
Msrco, apago eu o charro.
Acho bem, para escreveres Msrco em vez de Marco já deves estar no segundo.
Não vale a pena andar a dançar em torno da ética. Levanta demasiadas questões. Será ou não ético usar propaganda em qualquer situação? Ou o seu uso para fins socialmente desejáveis (muitas campanhas de saúde pública são exercícios de propaganda, hoje menos do que já forma é verdade) será ou não ético?
Uma forma prática de tecer uma distinção é ter em conta que normalmente por detrás de uma iniciativa de propaganda existe uma ideologia, ou o objectivo de espalhar os ideais dessa ideologia. Basta recordar que na sua origem esteve a Congregatio de Propaganda Fide criada pelo Papa Gregório XV para ‘espalhar’ a fé cristã.
Quanto à novela, concordo com o Marcos quando coloca a Comunicação como a mulher do Marketing e não como a sogra da pasta como o Carlos prefere. A Publicidade será mais a filha adolescente rebelde do casal que na escola experimenta de tudo.
Obrigado, Brunos
Ui… (burp).
Bruno, boa questão. Eu considero que em certas ocasiões o recurso à propaganda é justificado — até porque tal recurso constituirá em si mesmo parta da mensagem.
Julgo ser o caso das campanhas-choque a que aludes, e estou a lembrar-me de algumas da Prevenção Rodoviária Portuguesa.
O problema que se enfrenta aqui é de tal forma dramático que o recurso da sociedade é usar as ferramentas mais drásticas e básicas de espalhar uma mensagem.
Assim, a questão da ética desaparece: a propaganda é assumida como género para essa campanha e está implícito que nem o “cliente”, nem a “agência”, estão a pretender manipular o “alvo” para finalidades ilegais, impróprias ou causas privadas, sejam de índole política, comportamental ou de influência na sociedade.
A questão de ética colocar-se-á no cenário oposto: quando, para uma acção de rigorosa propaganda, se recorre candidamente à “comunicação” para passar uma mensagem que na aparência é “legítima”.
Agora, a agência ou criativo que use técnicas associadas à propaganda em campanhas de choque está a pisar o risco, isso sem dúvida. Mas tudo bem. Os riscos pisam-se.
Haverá criatividade, rasgo, sem risco?
Eu sou dos que afirmam que não.
Outra: um comunicador pode arriscar usar a propaganda, mas um propagandista é por definição incapaz de arriscar ser criativo em comunicação.
Este charro é afegão, ‘tá visto.
“Não vale a pena andar a dançar em torno da ética. Levanta demasiadas questões.” — frase com o prémio da mais bela desta página.
Eu não quero ser má língua mas acho que há aqui diversos problemas:
O Marco confunde marketing com publicidade. Mas pronto tem piada está perdoado.
O Carlos não usou a palavra paradigma na sua dissertação. Imperdoável. Por outro lado é bom ver mais alguém a ter problemas com a palavra assessor.
O Paulo não gosta mesmo nada da coitadinha da propaganda.
O Bruno pensa mais ou menos como eu. Isso é preocupante para ele.
Na prática, o assessor de comunicação tanto pode fazer propaganda como outra coisa qualquer sem que isso signifique o que quer que seja.
Na prática, as ferramentas existem e usam-se quando são precisas.
Na prática, quem trabalha em comunicação (e eu sou um tipo que mete o marketing, a publicidade, as relações públicas a assessoria disto e daquilo) trabalha para um cliente. O cliente quer resultados. São os resultados que dão reputação não os meios utilizados para lá chegar.
Os únicos que devem ser independentes neste saco da comunicação são os jornalistas.
A gente conta com eles para contarem os factos.
Isto digo eu, que não percebo nada disto
Marketing > Comunicação > Propaganda.
Consegue-se andar da esquerda para a direita mas não no sentido inverso. Pelo menos não se deve.
Também o processo de decisão deve ir da esquerda para a direita.
Logo: haverá consultores de propaganda e consultores de comunicação. Na prática muitos confundem-se. E antes deverá haver consultores de marketing:
Publicos Definidos e conhecidos > Mensagens e canais para lá chegar.
Podemos ir pela propaganda mas podemos escolher por outras formas de comunicação mais eficazes.
Nitidamente a propaganda é unidireccional. A comunicação pode ser ou não. É demasiado vasta.
A ética na propaganda: a ética não está tanto na sua utilização. Está nos filtros que são colocados para a sua utilização.
Exemplo: copy paste dos press. Trocas de notícias.
A opinião pública confiava nos jornalistas, por exemplo, para servir de filtro à propaganda (este termo é sempre mais conotado com política). Hoje não será tanto assim (a generalização é injusta, eu sei, mas a verdade parece-me ser esta).
É legítimo que se tente utilizar a propaganda. É necessário que a sociedade tenha formas de validar e por em causa a propaganda.
[...] Este artigo tem origem na discussão iniciada pelo Paulo Querido, na qual pergunta (e bem!): 1. Se há consultores de comunicação, também há consultores de propaganda? 2. Como distinguir um do outro? [...]
OK. Vamos por partes: a primeira está publicada
Em relação à publicidade e propaganda: diferença visível - publicidade -> produto; propaganda -> ideologia.
Que acham?
Carlos,
(ía começar a ler o seu post mas desisti, não por falta de interesse mas mesmo de tempo, volto lá noutra altura, por agora desculpe se digo alguma coisa repetida ou se desdigo completamnte sem me referir a isso).
Do que me lembro de estudar: A propaganda não implica meios pagos. A publicidade implica meios pagos. Propaganda normalmente é mais associada a política. Em Portugal. No brasil propaganda é confundida com publicidade - eram proibidos livros traduzidos do brasileiro por causa disto mesmo (mercantilismo - marketing, varejo - retalho e publicidade que se confundia com propaganda). Na altura o que havia para estudar era o velhinho Kotler, que ainda há pouco cá veio e me deu muito gosto vê-lo a sistematizar, da forma como só ele sabe fazer, a 2.0.
Por isso diferenciar publicidade de propaganda apenas pelos objectos não me parece viável.
Nuno Pedrosa
Carlos, em princípio geral, sim. Mas as duas são intermutáveis.
Nuno Pedrosa, os outdoors? A televisão? E do outro lado, do lado da propaganda: os livros a glorificar ideologias?
Pagar ou não pagar um produto comunicacional não é forma de distinguir.
[...] Salvador da Cunha começaram duas discussões interessantíssimas. O primeiro tentou conhecer a definição sobre as diferenças da publicidade e da comunicação. Já o segundo atentou às liberdades de expressão e sua importância. E os comentários e artigos [...]