A União Soviética, ó senhor doutor (vénia)?

Isso é uma concepção, não é uma realidade” — é o último “argumento” de Pedro Ferraz da Costa na SIC Notícias. Aliás, o penúltimo: acaba de ir ressuscitar a “União Soviética” para atirar na cara daquele rapaz do Bloco que lhe está a dar uma lição memorável.
A União Soviética? Metida nesta crise? Perante um homem do Bloco de Esquerda?! Comprimidos, caro senhor doutor (ainda que estranha, eu respeito a respeitosa vénia que Mário Crespo sempre lhe dispensa)?
E conseguiu dizer outra coisa absolutamente brilhante. Para Ferraz da Costa, os nossos empresários estão a aproximar-se dos estrangeiros e por isso está justificado o aumento da diferença entre as remunerações do topo (repare-se: PFC acabou de subrepticiamente declarar o axioma sou empresário, logo estou no topo da cadeia, reduzindo a pó as PME deste país) e os pobres idiotas dos trabalhadores, que não conseguem aprender, que aborrecimento, cria-nos um problema, não temos criadagem decente!

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5 opiniões no artigo “A União Soviética, ó senhor doutor (vénia)?”

    1 António Martins Neves em 21 Out 08 22:55

    PFC acabou de subrepticiamente declarar o axioma sou empresário, logo estou no topo da cadeia, reduzindo a pó as PME deste país) e os pobres idiotas dos trabalhadores, que não conseguem aprender, que aborrecimento, cria-nos um problema, não temos criadagem decente!

    Subscrevo inteiramente. O ar de enfado do homem explica pelo menos 70 por cento do nosso atraso. Se os nossos empresários são (foram) liderados por uma criatura assim, havíamos de ser uma país competitivo?? Ferraz da Costa para a China já!

    2 Cátia em 22 Out 08 08:48

    Tudo parece indicar que esse sr. pertence ao grupo dos empresários portugueses que contribuiu para que Portugal tivesse «marcado passo» no período de grande crescimento que precedeu a actual crise económica.

    Como o nome era-me estranho, fiz uma pesquisa e eis o que descobri:

    «Ferraz da Costa lembra o estudo do economista do MIT, Olivier Blanchard, segundo o qual Portugal teria necessidade de uma quebra dos salários reais em cerca de 30 por cento “para manter a competitividade da maior parte dos sectores tradicionais”, no contexto do euro. O gestor partilha da mesma opinião.»
    in Público, 29.08.2008

    Experimentem retirar 30% ao salário mínimo nacional e a uns quantos valores que costumam ser colocados em recibos verdes por cá. Se acham que os vencimentos estão baixos, supreendam-se com o resultados destes cálculos. Experimentem fazer o mesmo com os vencimentos de uma minoria de trabalhadores portugueses, os gestores e administradores. Comparem os resultados.

    3 Mr. Steed em 22 Out 08 11:02

    bem apanhada essa da redução dos 30% ó Cátia.

    por outro lado isto começa a assumir contornos de luta de classes à la Marx. De um lado a classe dos gestores e do outro a dos colaboradores (agora chama-se assim para enxotar as memórias dos tempos do PREC).

    Vénia, vénia, vénia…

    4 Paulo Querido em 22 Out 08 11:20

    E genuflexão, então, meninos!

    5 Mr. Steed em 22 Out 08 15:06

    ai as minhas cruzes…eu já não genuflexo tão bem como há uns anos…

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