Eu cá nã fui, sôpssôra!

Passo os olhos brevemente e ao de leve por cima das reacções da blogosfera e reparo, sem nenhum sentimento em especial, que a culpa do sucedido numa sala de aula do Carolina Michaelis é atribuída basicamente a toda a gente menos a nós próprios.
É do governo, é do anterior governo, é de todos os governos. É da professora, é da aluna, é da turma (o meu favorito, confesso). Que nada, é dos pais, é do sistema. É do Estado evidentemente, tal como é da anarquia a que isto chegou, dos programas escolares, da mãe trabalhar, dos ministérios que não planearam, das famílias que trabalham, dos divórcios, dos Conselhos Directivos, dos telemóveis, da falta de interesse curricular, do afastamento entre os alunos e as aulas, da geração Z estúpida e mal educada.
Só não é minha, topam?

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Debate

14 opiniões no artigo “Eu cá nã fui, sôpssôra!”

    1 António P. em 23 Mar 08 23:12

    Boa noite Paulo Querido,
    estive para fazer um post no meu blog no mesmo sentido ( se calhar ainda faço desde que não me acuse de plágio . Realmente é impressionante a facilidade de culpabilizar ( responsabilizar é um verbo pouco usado ) todos.
    E o que para aí se teoriza sobre a educção…ou não fossemos todos uns excelentes treinadores de bancada.
    Cumprimentos

    2 Paulo Querido em 23 Mar 08 23:16

    António, faça, faça. Isto é um verdadeiro nojo, é impressionante a leviandade da “crítica”. Um oportunismo degradante. A blogosfera no pior que ela tem. Um momento à altura do que se passou dentro daquela sala de aula, diria eu.

    3 António em 23 Mar 08 23:53

    É de vómitos ver malta de vinte e tal anos ou nem sequer (ou mais velhos, o que interessa aqui é a forma como rapidamente esquecem) questionarem “esta geração” e para onde caminha o futuro como se não fosse nada com eles ou se nós não pudéssemos fazer igual ou pior. Só porque estava lá um telemóvel e aquilo foi parar ao youtube.

    btw Paulo, estava para investigar mas tenho pouca pachorra para isto: se o autor do video o retirou do youtube e ele foi parar aos sites de jornais (vi jn, publico, certamente noutros também) e provavelmente a tudo o que é media ele retém alguns direitos sobre isso e poderá um dia bater à porta dos senhores dos jornais e tvs a pedir o pagamento de direitos de autor?

    4 marina em 24 Mar 08 01:00

    Acho engraçado como todos os adultos parecem tão escandalizados quando a culpa é toda deles. Estes putos são fruto de experiências educacionais , do laxismo e laissa faire dos adultos que os tinham a cargo , mais nada. Culpabiliza-los, aos miúdos ,por terem maus educadores é patético.

    5 Zilla em 24 Mar 08 01:14

    Umas valentes bofetadas nunca fizeram mal a ninguém.

    6 Paulo Querido em 24 Mar 08 01:18

    António, foi ele que retirou? E porque achas que têm direitos? Não vi em que condições ele colocou o video.
    Mas pode querer chatear, isso admito.
    Agora, pedir direitos… ele divulgou em público, não tinha intenção de negociar, se tivesse ia directo às estações.
    É muito complexo.

    7 marina em 24 Mar 08 01:41

    Uma opinião de quem não percebe nada do assunto: o You Tube não é uma coisa para divulgar o que fazemos , algo que permite ao simple cidadão por “on line” o que quer que seja visto e divulgado? Essa coisa dos direitos não me parece que funcione.
    Põs , está posto. Desde que se diga que se foi picar ao You Tube , só o You Tube é que pode reclamar.

    8 Ricardo Ramalho em 24 Mar 08 09:10

    Não bloguei sobre o assunto, apesar de ter sido uma situação que me meteu nojo…

    Mas concordo inteiramente com o teu post - a culpa é de todos, não só do A ou do B. E claro, minha também. :)

    9 António em 24 Mar 08 11:16

    Dos termos do youtube alíena 6 C (página na minha assinatura):

    C. For clarity, you retain all of your ownership rights in your User Submissions. However, by submitting User Submissions to YouTube, you hereby grant YouTube a worldwide, non-exclusive, royalty-free, sublicenseable and transferable license to use, reproduce, distribute, prepare derivative works of, display, and perform the User Submissions in connection with the YouTube Website and YouTube’s (and its successors’ and affiliates’) business, including without limitation for promoting and redistributing part or all of the YouTube Website (and derivative works thereof) in any media formats and through any media channels. You also hereby grant each user of the YouTube Website a non-exclusive license to access your User Submissions through the Website, and to use, reproduce, distribute, display and perform such User Submissions as permitted through the functionality of the Website and under these Terms of Service. The above licenses granted by you in User Videos terminate within a commercially reasonable time after you remove or delete your User Videos from the YouTube Service. (…)

    No Youtube diz que o vídeo viola os termos de serviço (”This video has been removed due to terms of use violation”) o que tanto pode querer dizer que há violação ou que alguém decidiu estragar a festa e enviar uma queixa falta - o youtube/google dispara primeiro e só depois analisa. Tb pode significar que o autor esteja sujeito a processos por parte da aluna e da professora caso decida reclamar os seus direitos.

    10 Fernando Soares em 24 Mar 08 14:14

    Enquanto o Estado continuar a subsidiar os professores e não os alunos, esqueçam.
    Um parágrafo de legislação e o assunto estava resolvido.
    Um cálculo simples com os rendimentos de IRS e o respectivo aproveitamento escolar e cada um escolhia a escola que desejava.
    Os professores deixavam de ser funcionários públicos (que heresia…) e as escolas porque queriam ganhar dinheiro (heresia maior…) escolhiam os melhores professores.
    Até em países dito subdesenvolvidos como o Brasil, os dois sistemas subsistem, com a particularidade que toda a gente quer ir para as escolas do Estado, não por uma questão financeira, mas porque são as melhores! Mas aí só entram mesmo os melhores alunos.
    Elitismo inverso? Então e o Darwin?

    11 Náheda Ibrahimo em 24 Mar 08 15:37

    Quando se atira uma pedra ao cão, este não corre atrás da pedra mas sim atrás daquele que a atirou. Provérbio árabe para ensinar ao homem que não deve correr atrás do problema mas sim atrás da origem do problema.Cenas como aquelas que vimos da aluna a agredir a professora são apenas consequência do nosso afastamento de Deus. Até quando pensa o homem que irá vencer, renegando Deus a todo o momento? Está na altura de perseguirmos a origem dos problemas e não os problemas.

    12 Paulo Querido em 24 Mar 08 15:50

    Deus? E tem e-mail para um gajo se queixar?
    Oh cum caralho, só cá faltava esse para a conversa, rico serviço. A culpa é de nos afastarmos de Deus!!! É, indubitavelmente e sem dúvida alguma, o Mais Completo Disparate que já li sobre isto. E logo no meu blogue. Bem, cada um atrai o que merece.
    Caro Náheda Ibrahimo: abra esses olhos. O mundo está aqui, ao seu alcance. Nunca é tarde para deixar de se alienar.

    Fernando, obrigado pelo teu pertinente contributo. Já reparaste que em Portugal o custo do ensino compete quase exclusivamente ao Estado — ainda que os principais beneficiários sejam os privados? Qual é a percentagem de investimento privado no ensino? Meter as escolas poster-boys à frente do nariz da populaça nesta conversa não serve propósito algum que se possa relacionar com o problema: é apenas mais do mesmo, intriga política.

    13 Paulo Querido em 24 Mar 08 15:54

    Eu consigo aceitar que se procure preencher vazios interiores com deuses, Deus, whatever. Mas nâo posso aceitar a imposição — nem sequer a mera sugestão — de uma tal “solução” para problemas da sociedade. É isso que falo em alienação, não é na busca íntima da espiritualidade (que respeito em absoluto). Ficamos entendidos.

    14 Fernando Soares em 24 Mar 08 20:53

    Pois… Mas isto é mesmo uma questão política, se atendermos a que os nossos filhos (e eu tenho dois grandes), os tais que provocam essas cenas nas escolas são produto do que lhes ensinámos em casa. Ou melhor, do que não ensinamos.
    Infelizmente é algo que não se vai resolver com “questões políticas”, porque é daqueles problemas de geração.
    É a primeira geração de filhos adolescentes, cuja maioria dos pais já não se lembra do pré-25 Abril. Alguém já olhou a coisa por esse prisma?
    De uma geração de quarentas que está a chegar e já só se lembra do Cavaco e da CEE e não do Mário Soares e do FMI.
    Que não sabem que o tu se conquista?

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