Gasolina no Tratado de Lisboa: o previsível e o imprevisível

Eu sou europeísta. Como tal, caiu-me mal o (previsível) desfecho do referendo irlandês.
Eu sou pessimista relativamente às crises de todos os tipos que o (previsível) fim da economia do petróleo acarretará, ou já começou a acarretar, e portanto caiu-me bem a forma magistral como o governo geriu a mini crise aberta pela reacção dos transportadores à alta da gasolina.
Eu sou preguiçoso e portanto não me apetece escrever muita prosa sobre os dois assuntos políticos da semana. Mas além dos textos lógicos sobre o Tratado de Lisboa, por Vital Moreira no causa nossa, e parafraseando-o, encontrei um post que gostava de ter escrito: a circularidade do quadrado, de Valupi, no Aspirina B.
Ora leiam:

“pejadinhos dos vícios que consistem em tentar que nada se altere de fundamental na política portuguesa [Pacheco Pereira e Marcelo Rebelo de Sousa] ficaram banzos com a gestão e desenlace da crise dos transportadores. Nunca tal tinham visto cá na terrinha, sabendo perfeitamente que eles próprios não saberiam lidar com a situação — e não amam Portugal o suficiente para reconhecerem que o Governo assumiu profissionalmente uma situação que era nova e imprevisível”

Eu, que nada tenho a ver com isto, também fiquei banzo. Estava à espera que Sócrates entrasse no plano inclinado e assim como assim podia desculpar-se a conjuntura e a origem alienígena do preço dos combustíveis. Optou por mostrar que sabe negociar. Viva a surpresa.

Debate

4 opiniões no artigo “Gasolina no Tratado de Lisboa: o previsível e o imprevisível”

    1 jcd em 16 Jun 08 16:42

    Vai ter que negociar muito mais.

    Agora que já todos se aperceberam como o governo é tão generoso nos acordos, não vão faltar grupos a querer negociar.

    Devem estar a chegar aí os taxistas, os rebocadores, e os agricultores.

    Infelizmente, quem nunca consegue negociar com o governo são os contribuintes.

    2 Paulo Querido em 16 Jun 08 16:59

    jcd, não me parece que o governo tenha sido gewneroso. As reacções de grande parte (eu diria, a maioria) dos manifestantes indicam o contrário. Mas ver a opinião pública a começar a virar contra eles ajudou um bocado. Foi uma espécie de manteiga.

    Se as classes sócio-profissionais que descreves tiveram reivindicações justas, como bom liberal devias estar a aplaudir a iniciativa: um gajo deve procurar é safar-se. Não percebo a tua súbita simpatia para com, argh, essa emanação do autoritarismo de Estado chamada Governo :)

    Ah, espera: é pelo lado do pagador de impostos. Mas este não tem nada para negociar com o Governo — a menos que queira, finalmente, comprometer-se a deixar de fugir e a deixar de mendigar benesses por tudo e por nada, para que se possa pensar em baixar a carga fiscal.

    Eu, como pagador de impostos, gostava imenso que os Supostos Grande Pagadores deixassem se ser supostos, deixassem de ser fugitivos e criativos na contabilidade, e aliviassem a carga dos Menos Grandes.

    3 tina oiticica harris em 16 Jun 08 17:41

    Imposto é dever nosso para que a sociedade seja mais uniforme. Sou ocntra essas estórias de cortar impostos, que em geral favorecem os suspeitos de sempre.
    Entretanto, pelo que me dizem os parents do meu marido, na França, os impostos são altos e a classe média está passando por dficuldades.
    Francamente, não consigo compreender a crise do petróleo. Há petróleo, há manipulação de preços. Quem é quem é outra estória; ou não?

    Boa noite, bom jantar.

    4 Pedro Machado Santa em 22 Jun 08 05:07

    Excelente post. :)

    Nunca tinha visto essa situação por este prisma, mas sempre tive a opinião que essa situação acabou por ser bem gerida. E também me apercebi que também foi catalisada por alguéns.

Deixe a sua opinião




Textos mais recentes