Irracionais e mimados
Eh, pessoal, os Estados bancam a cena! Bute lá continuar a jogatana! — É assim que escuto as notícias que me chegam sobre o comportamento das bolsas na sequência do anúncio da intervenção estatal sobre a finança americana, em risco de fazer colapsar o sistema financeiro e provocar danos económicos de amplitude desconhecida, capaz, até, de provocar uma mudança de regime.
Esse comportamento é irracional e digno de miúdos mimados, a quem os papás aparam todos os golpes.
É neste exacto enquadramento que ouço na televisão António Borges — um reputado financeiro — dizer que a seguradora podia não ter ido à falência, que tinha tido interessados em comprá-la antes, mas que os accionistas não deram cobertura às propostas do management.
Traduzindo: a posição de António Borges é de passar uma esponja sobre os actos da equipa de gestão responsável pela trágica evolução dos colossos americanos que mergulhou a economia mundial na incerteza nos últimos 12 meses. Provavelmente, ainda os acha credores de (mais) um prémio milionário.
Não viria daqui incómodo algum — não se desse o caso do mesmo António Borges ser vice-presidente de um partido português com aspirações a governar.
Tenham medo.
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Olá, o meu nome é Paulo Querido e Certamente! é o meu webzine pessoal. Sou jornalista free lance, escrevo livros e artigos (e também algum código) sobre a net e na net desde 1989. (
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É que não me recordo de ter lido qq texto ou intervenção do referido AB, que se dissesse benza-o Deus!
Com um jeito notável para o óbvio e para a defesa do indefensável, o cavalheiro acusa a mesma bipolaridade das baterias dos carros. Só que com menos energia!
MFerrer
São atitudes como esta que me levam a considerá-lo um erro de casting no PSD. Não entendo a fixação (é de uma fixação que se trata).
Podemos adoptar um outro ponto de vista.
Sentada sobre um trilião de dólares de reservas internacionais- o maior volume do mundo- a China faz parte da lista de possíveis compradores de algumas das mais tradicionais instituições financeiras norte-americanas arrastadas pela crise do setor imobiliário, mas qualquer movimento nesse sentido pode gerar reações políticas nos Estados Unidos e na própria China.
Talvez seja esta a verdadeira razão por que o Estado americano deitou a mão ao mercado, insuflou confiança e promoveu a elevação das cotações na bolsa.
Será que estamos perante uma nova estratégia da China para construir o socialismo, do tipo “Não derrube o capitalismo, compre-o” ?
Não foi isso que aconteceu com os feudos ? Deixaram de ter viabilidade económica e acabaram, em muitos casos, comprados por burgueses que o comércio nascente enriquecera.
António Borges é muito peneirente: É só pose. Acho que já ninguém acredita que dalo possa vir qualquer coisa de útil. Os militantes do PSD já perceberam isso.