O poder caído na rua, brrrrr
O protesto dos professores teve uma peculiaridade curiosa. Informalmente suportado em estruturas de organização popular profissionais, vulgo sindicatos, dos dois lados do espectro partidário, teve um líder partidário a-b-s-o-l-u-t-a-m-e-n-t-e alérgico a elas e às manifestações “de rua” a atirar-se para as câmaras apoiando o protesto (é como ver um alérgico a gatos a afagar um bichano ao colo).
Teve os interessados em derrubar o governo, ou pelo menos em machucar-lhe a “imagem”, a apoiar o poder da rua — o cúmulo do ridículo atendendo a quantos desses guerrilheiros de poltrona nutrem pelo poder da rua um profundo asco, repetido com indisfarçável orgulho de “classe” noutras ocasiões.
Estes ridículos são proporcionais ao impacto da acção do fim de semana em Lisboa levada a cabo pelos professores. É por isso de louvar que vozes atentas os coloquem em perspectiva. É bom lembrar à direita convenientemente convertida ao poder da rua e súbita entusiasta dos sindicatos as palavras de Vital Moreira no Causa nossa; vamos lá “[...] saber quem governa: se o Governo eleito ou a oposição, se os cidadãos eleitores ou uma classe profissional na rua.”
Ficamos à espera de ver surgirem — já agora, também em prime time — em Portas e na direita que “desceu à rua”, num fim de semana “diferente”, os pruridos, edemas e finalmente a dispnéia, altura em que as câmaras podem, com pudor, retirar-se.
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Portanto, e se bem entendemos, não se podem os professores manifestar porque:
-isso seria sujeitar-se a ser manipulado por um sindicato;
-corria-se o risco de ser idiota útil ao serviço do papão comunista;
-haveria a hipótese de andar de braço dado com gente de direita e de má-fé.
Realmente é uma classe heterogénea, raramente unida mas representativa de todos os quadrantes da sociedade. Depois de tentarem fazer dela bode expiatório preparem-se para levar com ela toda.
Entretanto nada obsta a que comecem a tentar virar a população contra os militares e culpá-los pelo deficit dos dois próximos anos.
E por aí fora …
Se isto não é uma estratégia suicida é o quê?
Está a ler mal e com isso a deturpar o sentido das minhas palavras, Pepe. Entendeu mal.
Eu explico.
Os professores podem e devem manifestar-se. Têm um conjunto de situações que os leva a isso e eu francamente compreendo-os e acima de tudo aceito-os e respeito a vontade.
Acho, até, que souberam fazer a coisa de forma a não passaram de todo a ideia de idiotas úteis, coisa que aliás não são, deixemo-nos de merdas.
A ideia — discutível — de ser representativa de todos os quadrantes da sociedade não garante que possa vir do protesto um rastilho capaz de incendiar a vida política. Para isso era preciso que estivessem envolvidas DIRECTAMENTE as outras classes sociais essenciais à vida económica.
Eu ainda não escrevi sobre os professores em concreto: tenho opinado sobre os reflexos da respectiva luta nos media e sobretudo tenho criticado — como em cada palavra deste post — os aproveitamentos dessa mesma jornada de luta, alguns dos quais ridículos.
Ou o Pepe acredita que os analistas da direita e alguns políticos “populares” estão realmente interessados no poder da rua, ou em defender a classe dos professores?