Quatro razões mais uma para Barack Obama ganhar as presidenciais americanas
Mark “Netscape” Andreessen apresentou quatro razões para Barack Obama ganhar as eleições presidenciais americanas a seguir à vitória nas primárias dos Democratas.
Andreessen teve o privilégio de falar com Obama ainda senador e desse encontro trouxe impressões que ajudam a encaixar o candidato num quadro de apoio inusitado e nunca antes testado ao ponto a que tem sido nestas primárias.
Refiro-me ao quadro da web social, que não é propriamente a mesma coisa que o punhado de blogues que já fez ferver a campanha anterior.
E é nesse quadro que eu acrescento uma razão, ou por outra, a ilustração simples de uma das charneiras entre os dois candidatos.
- Primeiro: este é um fulano normal. Andreessen passou algum tempo com um monte de políticos nos últimos 15 anos (desde que se tornou célebre — e milionário — com o primeiro browser gráfico, o Netscape) e diz-nos: “a maior parte fala contigo. Ouvir não é o seu ponto forte — de facto, muitos deles não são sequer bons a fingir que ouvem”. Obama ouviu-o. Ouviu-o muito para além da bandeirada de 10.000 dólares de donativos do casal Andreessen.
- Segundo, é um fulano esperto
- Terceiro, não é um radical
- Quarto, é o primeiro candidato presidencial credível post-Baby Boomer. Uma das razões, diz Marc Andreessen, para o senador Obama surgir tão fresco e diferente reside ser o primeiro que não vem da era da Segunda Guerra Mundial (Reagan, Bush pai, Dole e até McCain, nascido em 1936) ou da geração Baby Boomer (nascidos no rescaldo da vitória nesse conflito, Bill e Hillary Clinton, John Kerry, Al Gore e George W. Bush).
Leia as justificações de Andreessen (que não é um analista político, convém frisar) em An hour and a half with Barack Obama.
Estas parecem (e são) razões simples. Razões de fundo: o fenómeno de identificação do candidato com as energias de esperança e mudança no colossal país não vêm da retórica e da propaganda. Vem primeiro da proximidade. Barack Obama, o candidato dos social media, tem maior proximidade com as faixas mais energéticas do actual eleitorado americano e foi por aí que derrotou Hillary Clinton, a candidata dos mainstream media.
E para ilustrações simples, nada melhor que a comparação entre os Twitters dos dois candidatos: Obama, o que ouve, surge horizontal, integrado, rodeado de caras; Hillary, a que fala, surge vertical, intocável, desintegrada, sozinha.


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