Episódio do telemóvel: o péssimo e o bom
Sobre o episódio do telemóvel, vi hoje dois excelentes exemplos de tratamento do assunto, nos antípodas um do outro: o péssimo e o bom.
O péssimo é o insuportável video de Rui Unas para as Produções Fictícias. Se pensam (como eu) que as televisões já exploraram as imagens e o assunto muito para lá dos limites do aceitável, sobrepondo-os a qualquer tipo de debate útil, vejam isto e pensem outra vez.
A mim não provoca mais do que nojo do autor — já nada mais tenho por sentir em relação ao episódio.
O bom é o artigo de Leonel Moura para o Jornal de Negócios, Em defesa dos miúdos. Não concordo completamente com as conclusões dele, mas isso não me impede de recomendar a leitura: além de ser contra a corrente minimal repetitiva de “opinião” que regurgita dos meios por estes dias, só pode mesmo fazer-nos pensar. E perspectiva o assunto no lado correcto: o da sociedade que somos hoje e seremos amanhã, não o da sociedade do século passado, onde se formaram todos os que hoje opinam sobre o caso.
Um excerto (a questão da liberdade, mais que os saberes tecnológicos, um pilar do generation gap que hoje vivemos, e que pode ser bem mais aprofundada):
Este episódio, trivial em si mesmo e que deveria ter sido resolvido no contexto próprio, revela um evidente desfasamento entre aquilo que são alguns modelos e rotinas do passado e a realidade do presente. O Mundo mudou mais depressa do que a capacidade de adaptação de muita gente, em particular dos mais velhos. Daí que enquanto que estes imaginam ser possível agir com a cabeça no passado, enquanto que passeiam o corpo pelo presente, coisa que obviamente faz tropeçar, os mais novos vivem já totalmente mergulhados no século XXI. Uma das coisas que mais distingue estas duas posturas é precisamente a questão da liberdade.
A cultura popular no seu pior
Um exemplo da cultura popular no seu pior. Maravilhosa Internet que nos trouxeste o poder de publicação que permite desvendar talentos e expressar pontos de vista pertinentes, horrível Internet que abres oportunidades para explorar o pior das pessoas.
Um serviço de download de toques com o audio e o video, grátis, da cena da Escola Carolina Michaelis. Abominável.
O responsável registou o domínio no dia 25, pagando para esconder a informação do registo da esmagadora maioria dos olhares, registou-o por um ano e alojou-o fora do país, naturalmente.


del.icio.us
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