A final que a Europa merecia
O futebol da Turquia é o mais bonito de ver. Por uma razão: como, para os turcos, o minuto 10 é igual ao minuto 86, jogo em que entrem é jogo onde tudo pode acontecer em qualquer um dos 90 minutos.
A Turquia é imprevisível.
Não sei, ainda. Mas efectivamente a final que esta Europa merecia ver era uma final disputada entre a Turquia e a Rússia.
Balanço de Portugal no Euro: a esperança como medida para as coisas
Portugal saiu do Euro 08 derrotado pela Alemanha nos quartos de final e há quem use o facto para pedir a cabeça de Gilberto Madaíl.
A alegada base das reclamações é apenas e só a esperança. A esperança que a equipa fosse mais longe. Como não foi, consideram que o presidente da FPF deve ser afastado. Porque falhou a entrega da esperança de alguns?
Não acho grande ideia usar a esperança — que é por natureza uma medida individual e uma variável emocional — como medida para avaliar prestações de representações nacionais.
Objectivamente, a selecção de futebol de Portugal que competiu no campeonato da Europa da modalidade é uma selecção de menor valor, seja a comparação feita com as suas antecessoras mais próximas, seja — como é mais lógico fazer — no confronto directo com as actuais selecções rivais. LER CONTINUAÇÃO :.
Epitáfio para Portugal no Euro 08
salgador Vamos lá pessoal! Toca a regressar ao desemprego, aos indêndios e às manifestações enquanto eles vão para as Seychelles!!
Banhos e massagens… E Carlos Manuel
Esta é a hora em que o meu amigo Fernando Soares costumava dizer que entrávamos em banhos e massagens para o jogo. No nosso caso, isto ora representava maior concentracção para o trabalho (quando íamos cobrir o jogo), ora significava confirmar a baixa temperatura das cervejas, e garantir a sua abundância, no frigorífico de ocasião (quando não íamos cobrir o jogo).
(Sim. Banhos e massagens geralmente seguem-se ao jogo, não antes. Mas o Fernando é uma pessoa irónica.)
Sei que o Fernando hoje pensou, ou vai pensar, como eu, no Carlinhos, ou Carlão, conforme a proximidade com o jogador conhecido por Carlos Manuel — o homem que ficou na história por marcar aquele fabuloso golo à então RFA, hoje simplesmente Alemanha, um golo que está em totemica repetição desde ontem à noite nas televisões portuguesas
O Carlos Manuel que fumava um cigarrinho no intervalo, o Carlos Manuel que fez corajosamente de guarda-redes num jogo difícil do Benfica, substituindo se não me engano o mítico Bento, o Carlos Manuel que “esteve” nos incidentes de Saltillo (dolorosos para a sua geração, mas sem os quais não haveria futebol moderno em Portugal, falamos de selecção e de clubes), o Carlos Manuel que ajudou instituições de solidariedade social (esta sabem poucos), o Carlos Manuel que é padrinho de casamento do Fanã da Adega Rocha, outrora o melhor peixe grelhado de Faro (esta ainda sabem menos), o Carlos Manuel que nos deu — a mim e ao Fernando — tantas e tantas entrevistas, quantas delas manchetes.
É sem nenhum desprimor para o resto dos seleccionados dessa histórica fase que isolo aqui a figura do Carlão. Que a sua coragem, espírito de sacrifício e capacidade técnica bem acima da média inspirem e tutelem os seleccionados que hoje sobem ao palco perante a tal Alemanha que Portugal só bateu por 3 vezes.
A propósito do Euro 08: o discurso (diferente) do “jornalismo desportivo”
Nem de propósito, em tempos deste Euro 08 que trouxe de novo o cíclico debate sobre os excessos de linguagem (e não só) dos jornalistas e outros agentes dos meios jornalísticos e para-jornalísticos envolvidos na cobertura dos grandes acontecimentos sócio-desportivos. Fui buscar ali ao baú uma entrevista que uma estudante me fez há coisa de uns 2 meses, por e-mail, sobre as diferenças do jornalismo dito desportivo.
Segue pouco editada, os negritos foram metidos para esta versão.
P: Adjectivação do jornalismo desportivo – expressões: o porquê de ser assim, deixa de ser menos sério? Porque é que o resto do discurso jornalístico não pode ser assim? Poderá ou dever-se-á procurar um equilíbrio? LER CONTINUAÇÃO :.
E ele a dar-lhe com o Rosé e a Via Verde
Para um homem do marketing, Carlos Coelho vende marcas com pouca cola para o meu gosto.
Ainda o Mateus Rosé? Um produto bem vendido é uma coisa que ninguém contesta, ao que “os portugueses” encolhem os ombros é à qualidade do Mateus Rosé como vinho, não como marca.
Mas o pior é a Via Verde. Mas quantos séculos mais acham os gajos das frases bonitas que podem continuar a contar a mentira da Via Verde para valorizar Portugal?
Não é só o facto de a sua invenção portuguesa ser um mito de consumo interno (a tecnologia já existia, e em acção, quando foi comprada pela Brisa a uma empresa norueguesa). É o facto de usarem o mesmo argumento há 15 anos.
15 anos a acharmos que somos bons por causa de um produto que não inventámos e cuja aplicação nacional — nunca repetida em nenhum outro país… pobre burros — decorre da conjugação de duas infelizes situações de monopólio no Portugal a sair dos anos 80. Está bem — eu prefiro orgulhar-me da Academia de Alcochete, que produz futebolistas para exportação, e dos 3 brasileiros cujo trabalho na selecção portuguesa de futebol nos últimos 5 anos e meio foi tão positivo para os resultados da equipa.
Claro, estou a levar um baile
Eu estou desiludido com este debate, diz Carlos Coelho.

del.icio.us
DoMelhor




Olá, o meu nome é Paulo Querido e Certamente! é o meu webzine pessoal. Sou jornalista free lance, escrevo livros e artigos (e também algum código) sobre a net e na net desde 1989. (
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