Caro Primeiro Ministro, concentre-se nisto que é o essencial
Caro Primeiro Ministro, gostei de o ver na televisão, a sua determinação é um valor seguro, pode falhar ou triunfar, por si (que não conheço) ou pelo seu partido (que não é o meu) é-me indiferente, mas pelo país espero que triunfe. E para tal lhe digo, pois sei que há muito acessório por aí para o distrair. Concentre-se no essencial, aqui a negrito: “É verdade que a conjuntura é difícil, factor com o qual Sócrates conta para diminuir o impacto do falhanço das políticas de emprego ou de revitalização económica que encetou, mas é também verdade que os portugueses sentem o impacto da incapacidade do Bloco Central em apresentar soluções, o que penaliza sempre mais quem está no poder (preparar o combate, por Diogo Morais no Câmara de Comuns)
Governo de Gordon Brown responde no YouTube
O governo de Gordon Brown lançou há dias uma iniciativa incomum e que vai provocar um sorriso condescendente aos políticos portugueses, que como é sabido são muito avançados no que respeita ao e-government e sobretudo à envolvência dos cibercidadãos na vida política, como é um caso exemplar e paradigmático o actual site da Assembeia da República.
O primeiro ministro britânico, surdo à experiência portuguesa, promoveu o Ask the PM — uma iniciativa de governo aberto em que os cidadãos podem colocar as suas questões directamente por video no canal oficial no YouTube, DowningSt.
Cada questão não pode ultrapassar um minuto. A partir de dia 26 de Maio, e durante 3 semanas, as perguntas dos cidadãos serão votadas publicamente. Brown responderá às mais votadas (ler no canal oficial no YouTube as regras de participação).
Não satisfeito com o desplante, Gordon Brown quer dotar o governo e os serviços públicos do Reino Unido das ferramentas típicas da web 2.0 e colocar os dados oficiais à disposição dos cidadãos, estabelecendo ligações entre estes e os serviços públicos (via Periodistas 21, Gobierno abierto)
Teaser: a propósito dos políticos portugueses e da sua relação com a web social, a começar pelos actuais candidatos nas directas do PSD mas não se confinando a esse universo, não percam novidades nas próximas horas. Aqui no C! e não só ![]()
Se isto não é o descontentamento, onde é que está o descontentamento?
“Os partidos da oposição podem tentar cavalgar a onda. Sem êxito, refira-se. Há uma pergunta que deveriam fazer, sobretudo o PSD e o PP: como é possível que 100 mil pessoas se mobilizem e a oposição não consiga agregar todo este descontentamento que anda no ar?” — provoca Paulo Gorjão em O cachimbo de Magritte.
Eu arriscava uma resposta formulando outra pergunta: todo este descontentamento, Paulo?
É efectivamente um êxito que não pode ser ignorado e eu não tenciono ignorar, de todo. Mas resta-me compreender duas coisas. LER CONTINUAÇÃO :.
Crise no PSD e professores: com o mal dos outros posso eu bem
Se os estrategas do governo se fiam no mal dos outros — o vincar da crise no PSD, explorar as deficiências da comunicação dos professores — fazem mal.
Fazem o jogo dos que já estão a explorar os mecanismos do adormecimento, entre os quais acentuar o carácter quase fatalista da segunda maioria absoluta, evidenciar o mau estado do PSD e desviar os olhos para as contabilidades sectoriais.
O governo e o partido que o sustenta eleitoralmente têm de se manter focados no exercício da governação, ler e interpretar os sinais amplamente fornecidos pela sociedade civil — sem a olhar pelo filtro dos media e sobretudo dos fazedores de opinião, que não são nem representantes, nem representativos do eleitorado e agem em função dos seus interesses pessoais, dos seus grupos ou alianças de percurso.
A acção tem de ser desenvolvida como se o PSD fosse uma organização pronta para disputar as legislativas de 2009 taco a taco, como se cada greve ou protesto possa ser a gota de água. Em sociedades rápidas, como são as democracias do Norte neste início do século XXI, a lição de Andy Groove para a sobrevivência da Intel aproveita a qualquer organização: só os paranóicos sobrevivem.
A este governo sobra em autismo o que falta em paranóia.
Os professores estão a emitir um sinal de alerta. Não político, não imediato, é um sinal de alerta social e económico; um sinal que ainda não tem bandeira partidária (os professores são inteligentes) mas possui grande força e impacto na sociedade, pelo que se presta a ser manipulado em função de futuras circunstâncias eleitorais, e nessa altura será tarde demais para acções de correcção.
A lebre corre mais depressa, o que não a impede de perder a corrida para a tartaruga. É muito fácil: basta adormecer sobre os louros.
(foto: Luis Forra, Lusa)


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