Comparativo das capas dos diários: a excepção do Record no dia de Évora
Produzi um estudo comparativo, em mashup animado, das capas dos diários publicados no dia de Nelson Évora em Pequim.
EXCEPÇÃO :. O diário desportivo Record foi o único, entre os jornais desportivos e generalistas e âmbito nacional publicados no dia 22, a não dar a primeira página a Nelson Évora e respectiva medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Pequim.
O feito da véspera fica relegado para uma barra de abertura da capa — um destaque importante, mas hierarquicamente inferior ao espaço da manchete, que foi a opção de todos os outros diários que deram a notícia
CRÍTICAS :. A opção editorial foi largamente criticada na web, com diversos blogues a assestarem baterias ao jornal. “Quem vende? O deporto?, não, o Benfica” conclui João Ferreira Dias em Erro, mas pouco.
Veja o comparativo aqui, com os links, as capas e comentários a cada uma delas.
Se o entender merecedor, divulgue o link (pode usar a imagem que reproduzo acima, livre de direitos): http://pauloquerido.net/jornalismo-multimedia/ouro-nelson-evora/. Tem também os botões de social networking por baixo deste texto.
João Lagos sobre os resultados de Portugal nos Jogos Olímpicos
Em entrevista ao Diário Económico, João Lagos fala sobre os resultados de Portugal nos Jogos Olímpicos. E não só, claro. Futebol e Dakar dominam a conversa. Mas vamos ao que agora interessa (negritos meus):
As reacções negativas fazem sentido?
Os nossos atletas têm uma das melhores performances enquanto resultados de mínimos olímpicos. Temos uma grande participação e as pessoas esquecem-se disso, andam muito alheadas do fenómeno desportivo. A população e a opinião pública vivem muito focadas no futebol. Fazer os mínimos em si é um feito. Só um restrito número de atletas os conseguem…
Há uma razão que explique que estes atletas, de topo, falhem nos Jogos Olímpicos?
A esmagadora maioria dos atletas são desconhecidos do público que agora os critica. E o fenómeno que explica porque são desconhecidos tem a ver com a pobreza de comunicação à roda do desporto em geral neste país. O país não está educado em termos desportivos. E a maioria dos atletas não está psicologicamente preparada para tanta atenção mediática.
Daí o “ficar na caminha”…
Denota uma grande falta de cultura desportiva e cultura de desporto de competição… Não é uma conversa própria de um atleta de alta competição. Mas é importante dizer que estes atletas, que são um bando de ilustres desconhecidos, qualificaram-se à frente de outros que concorreram com eles. Mas quando aparecem neste grupo olímpico é um dos raros momentos na sua carreira em que têm algum mediatismo. E não estão preparados…
Miguel Pacheco e Hugo Real entrevistaram. Ler aqui, “Vamos voltar a ter o Dakar em Lisboa”
Salto de Nelson Évora rende 1.300 cliques por minuto
Nelson Évora ganhou o ouro no triplo salto sem bater o recorde, mas proporcionou vários. Ao Sapo, por exemplo. Quem disso deu nota foi o próprio director técnico do portal, Celso Martinho, no Twitter, na madrugada de sábado, já concluídas as estatísticas da véspera. O twitt:
celso 120.000 clicks na notícia do Évora das 13:42. Sim, um duplo obrigado pela medalha
Antes, já a publicação de tecnologia tek.sapo tinha noticiado que “uma notícia disponibilizada no Sapo sobre o feito alcançado pelo atleta, esta quinta-feira, em Pequim, somou 1.300 cliques por minuto, o valor mais elevado alguma vez registado no acesso aos conteúdos do portal“. Celso Martinho referiu-me que, embora alguns sites tenham passado “dificuldades” levantadas pelo extraordinário pico de tráfego, as máquinas aguentaram a carga e a homepage do Sapo aguentou-se sem problemas.
O pico pode, de resto, ver-se no seguinte gráfico de carga do Sapo (disponível diariamente aqui):

Também o site oficial do atleta bateu todos os recordes. Os seus responsáveis informaram a Lusa do registo, até às 22:00 de quinta-feira, de 7.547 visitas ao endereço www.nelson-evora.com e um total de 42.993 de páginas vistas — o quádruplo das cerca de 10.000 contabilizadas na quarta-feira, véspera do concurso. A média do dia foi de 300 visitantes em cada momento, com picos acima dos 500.
A melhor participação olímpica de sempre
Titula o Expresso e titula muito bem. Esta foi a melhor missão olímpica portuguesa de sempre — não pelos “critérios” dos comentaristas, fazedores de opinião, bloggers e populaça em geral, mas pelos critérios objectivos do Comité Olímpico Internacional, como salienta o artigo do Paulo Luís de Castro. LER CONTINUAÇÃO :.
Évora de ouro e batemos a Índia
Nelson Évora é campeão olímpico do triplo salto. A medalha de ouro de Évora coloca 10 milhões de portugueses acima de 1000 milhões de indianos (1 ouro + 1 bronze). Consolem-se.
(dica de Fernando Penim Redondo)
Heatmap do noticiário sobre os Jogos Olímpicos de Pequim (making of)
Foi quase uma brincadeira, produzir o heatmap do noticiário sobre os Jogos Olímpicos de Pequim que durante o decurso da competição abrirá a primeira página de Certamente!. A estética de mais este mashup de jornalismo assistido por computador não é famosa, bem sei, mas continuo a produzir estas coisas nos tempos livres, que não abundam, e não me posso dar ao luxo de os gastar no embelezamento — além de que eu odeio stylesheets! Eis o making of em 5 brevíssimos pontos:
- Contexto e newsmap original
- Código livre e adaptações
- A escolha dos órgãos a seguir e os problemas do News Google
- Como fazer isto com os conteúdos da RTP
- Mais projectos de cobertura dos JO
Contexto e newsmap original
Desde que sou jornalista que me lembro de os Jogos Olímpicos representarem um incentivo para a criatividade dos jornalistas. Na altura não havia jornalismo multimedia na Internet, claro
Na Gazeta dos Desportos inovámos com cabeçalhos a cores, rúbricas especiais e acima de tudo tratamento fotográfico de luxo para a época. Isto nos 3 grandes eventos internacionais que ali passei, incluindo os Jogos de Carlos Lopes, perdão, de 1984.
A mesma equipa, mais ou menos, fez depois no Expresso o caderno de Desporto — e aí a inovação em Jogos foi mais acentuada, até porque queríamos muito brilhar (e brilhámos!). Já usámos infografia — também meti a colher nisso, fui dos primeiros jornalistas do mundo a trabalhar infográficos em computador (CorelDraw! 1 e 2.0, até escrevi um livro sobre o programa).
Quanto ao meu heatmap, que podem ver na 1ª página do webzine (link para efeitos de arquivo e para os leitores de feed), é inspirado no fabuloso newsmap de Marcus Weskamp, um clássico que não só resiste à idade como tem sido muito bem vendido para alguns órgãos de comunicação social que preferiram olhar para a frente em vez de se barricarem para resistir ao assalto da Internet.
Código livre e adaptações
No entanto, usei tecnologia radicalmente diferente: como o Flash não é a minha praia, não descansei enquanto não encontrei código ao meu jeito para martelar, retorcer e converter.
Encontrei em Javascript (demasiado puxado para mim e não fazia o que eu queria), em Perl (demasiado básico, numa versão primata que nem experimentei) e aquela em que me fixei, em PHP.
O código original é este treemap PHP de Geoff Gaudreault. É código livre, é relativamente antigo (Abril de 2006). Mas seria para fazer o que eu pretendia, e numa linguagem que me é familiar.
A adaptação não foi difícil — embora tenha sido profunda. Simples e até básico, o código de Gaudreault é compreensível para mim, que em programação sou o ajudante do aprendiz. O suficiente para isolar o que o código tem de melhor (a rotina que “escolhe” os tamanhos e os “encaixa” numa grelha). O resto foi retorcer, retorcer, martelar e pontapear até caber (é por escrever estas coisas que alguns geeks me odeiam visceralmente).
Pronto, ok: resolvi o problema que o código original não tinha, que era dar maleabilidade às escalas, e introduzi a novidade das notícias a abrirem em janela com o em mouse-over. Isto não foi fácil para mim: tive de modificar de alto abaixo o mecanismo de “desenho” dos rectângulos. Ainda há problemas com os títulos pequenos (no Flash o controlo tipográfico é total, em HTML+CSS, nem pensar nisso).
A escolha dos órgãos a seguir e os problemas do News Google
A escolha das fontes de informação não apresentou problemas. É sacar o feed olímpico do News Google. Comecei por fazer alguma filtragem para “equilibrar” (enfim, o que se pode) os órgãos brasileiros e portugueses — uma tarefa que o News Google faz muito mal. Se andar sempre em cima do script, posso ir afinando. Mas não estou para isso.
Pergunta: Porque escolhi o Google News em vez de fazer um feed com os órgãos pretendidos?
Resposta: Simples. Para desenhar um heatmap são necessários dois vectores para cruzar.
Temos a frescura, simbolizada no código de cores: azul mais escuro significa notícias mais recentes, actuais, e o azul mais claro representa as notícias mais antigas, sendo a cambiante produzida entre a mais fresca e a menos fresca.
E temos a importância, percebida no tamanho de cada título.
Ora, o News Google dá-me instantâneamente os dois vectores — sendo que a importância é retirada do número de notícias relacionadas, que nos dá uma ideia muito fiável da importância de cada assunto ou título. Isto se não nos importarmos por aí além com os órgãos originais… Talvez eu, por ser jornalista, dê a isso mais importância que os leitores “normais”, para quem as notícias são tudo e quem as dá é quase nada.
Isto porque os algoritmos do News Google umas vezes destacam um determinado título de um determinado órgão para, passados minutos ou horas, destacarem outro.
Usando o vulgar MagPie o feed é actualizado de 5 em 5 minutos e parsado para extrair a informação relevante. Se for um sucesso, talvez me abalance a melhorar a coisa com imagens diferentes das fornecidas pelo News Google. Talvez.
Como fazer isto com os conteúdos da RTP
Ainda pensei produzir o mapa com conteúdos da RTP, que é a televisão oficial por cá e tem uma boa cobertura, que inclui blogues — isto é, opinião de quem está lá, opinião valiosa. O problema é que não conseguia automatizar a definição do segundo vector: só se estivesse manualmente, 24 horas por dia, em regime de permanência, a ler quais as notícias mais lidas (também funcionaria com as mais ligadas, comentadas, etc).
Mais projectos de cobertura dos JO
E pronto, eis o making of e apresentação de mais um mashup Certamente!. Po contribuição de um seguidor no Twitter, deverei testar — assim tenha tempo — isto com uma tag cloud para além do heatmap. Dêem-me pretextos!
Enquanto não publico aqui mais um projecto que já está em produção, aliás, em co-produção com mais dois bloggers, relembro a apresentação interactiva Os Cartazes dos Jogos Olímpicos contam uma história.
4 opiniões
del.icio.us
DoMelhor
Os Jogos Olímpicos contados pelos cartazes
Os Jogos Olímpicos contados através dos seus cartazes — eis um novo mashup que hoje publico. O ponto de partida foi a série de posts que Leonel Vicente apresentou ao longo dos últimos dia no Memória Virtual, antecipando a XXIX Olimpíada que amanhã começa em Pequim (a secção Jogos Olímpicos).
A peça, mais uma de jornalismo multimedia, intitula-se Os Cartazes dos Jogos Olímpicos contam uma história. Uma vez que tem autoria conjunta, é publicada em simultâneo no C! e no Memória Virtual, aqui. É também uma estreia na publicação online portuguesa, onde escasseiam os exemplos de peças multimedia, para mais produzidas em colaboração.
Nela se apresentam os cartazes oficiais das Olimpíadas modernas, atravessando o século XX. O Leonel elaborou as sínteses sobre cada edição, tendo particular atenção às participações portuguesas. Cada edição tem a sua própria página e dela consta também o topo dos países medalhados — e a propósito de Jogos Olímpicos, medalhas e jornalismo multimedia, não perca o excelente Map of Olympic Medals animado que o New York Times produziu (uma vez mais, um exemplo para todos os jornais).
O carrossel dos cartazes permite uma visão diacrónica, única e curiosa, da evolução do grafismo ao longo dos últimos 110 anos. Os meus favoritos: Paris 1924, Amesterdão 1928, Londres 1948 e Helsínquia 1952 (um must, ambos!), e Atlanta 1996. Também gosto do de Pequim 2008, mas não o suficiente para o colocar nos favoritos.
Se encontrar uma forma de o fazer que consuma pouco tempo, coloco um sistema de votação dos cartazes, para vermos qual é o eleito pelos leitores.










Siga o feed RSS
Receba a edição diária por e-mail