A 7ª medalha de Michael Phelps contada ao milésimo de segundo
Se um imagem vale por mil palavras, oito imagens valem uma história fabulosa, do género de história com que qualquer editor sonha. Mas quando se juntam oito fotografias num simples slideshow que conta a história, isto chama-se excelência.
A história da 7ª medalha de Michael Phelps contada ao milésimo de segundo, uma medalha muito mais difícil de obter do que as multidões delirantes imaginam, tem sido objecto de muitas tentativas de explicação. “Cortar as unhas rente significa ficar com a prata“, como alguém disse. Mas na minha modesta opinião, e secundando Juan Antonio Giner (consultor de media importante para os leitores do Expresso, mesmo que não saibam disso), o slideshow da Sports Ilustrated é o melhor. Mais claro. Mais económico de meios. Mais esclarecedor. Melhor. Clique aqui, ou na imagem ao lado, para o “folhear”.
Estes Jogos trouxeram alguma animação e interactividade aos melhores sites noticiosos, abrindo uma nova era ao jornalismo multimedia. No topo do mundo as “infografias animadas” já não são nem um anátema, nem uma envergonhada flashada. Falta-lhes agora a primeira página. O mesmo percurso, difícil e lento, da inovação até à banalização já foi feito pela fotografia, primeiro nos jornais de papel e depois no online, e também pela infografia estática, no papel. Do mesmo modo, a expressão jornalismo multimedia ganha, finalmente, a sua verdadeira dimensão. Já não se trata de designar o audiovisual (que dispõe da sua própria expressão). Passou a designar diferentes meios, quaisquer meios. Os melhores meios disponíveis para levar a mensagem m à audiência a no instante i — podendo o meio mudar no i seguinte em função de a, ou no a seguinte em função de i.
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Heatmap do noticiário sobre os Jogos Olímpicos de Pequim (making of)
Foi quase uma brincadeira, produzir o heatmap do noticiário sobre os Jogos Olímpicos de Pequim que durante o decurso da competição abrirá a primeira página de Certamente!. A estética de mais este mashup de jornalismo assistido por computador não é famosa, bem sei, mas continuo a produzir estas coisas nos tempos livres, que não abundam, e não me posso dar ao luxo de os gastar no embelezamento — além de que eu odeio stylesheets! Eis o making of em 5 brevíssimos pontos:
- Contexto e newsmap original
- Código livre e adaptações
- A escolha dos órgãos a seguir e os problemas do News Google
- Como fazer isto com os conteúdos da RTP
- Mais projectos de cobertura dos JO
Contexto e newsmap original
Desde que sou jornalista que me lembro de os Jogos Olímpicos representarem um incentivo para a criatividade dos jornalistas. Na altura não havia jornalismo multimedia na Internet, claro
Na Gazeta dos Desportos inovámos com cabeçalhos a cores, rúbricas especiais e acima de tudo tratamento fotográfico de luxo para a época. Isto nos 3 grandes eventos internacionais que ali passei, incluindo os Jogos de Carlos Lopes, perdão, de 1984.
A mesma equipa, mais ou menos, fez depois no Expresso o caderno de Desporto — e aí a inovação em Jogos foi mais acentuada, até porque queríamos muito brilhar (e brilhámos!). Já usámos infografia — também meti a colher nisso, fui dos primeiros jornalistas do mundo a trabalhar infográficos em computador (CorelDraw! 1 e 2.0, até escrevi um livro sobre o programa).
Quanto ao meu heatmap, que podem ver na 1ª página do webzine (link para efeitos de arquivo e para os leitores de feed), é inspirado no fabuloso newsmap de Marcus Weskamp, um clássico que não só resiste à idade como tem sido muito bem vendido para alguns órgãos de comunicação social que preferiram olhar para a frente em vez de se barricarem para resistir ao assalto da Internet.
Código livre e adaptações
No entanto, usei tecnologia radicalmente diferente: como o Flash não é a minha praia, não descansei enquanto não encontrei código ao meu jeito para martelar, retorcer e converter.
Encontrei em Javascript (demasiado puxado para mim e não fazia o que eu queria), em Perl (demasiado básico, numa versão primata que nem experimentei) e aquela em que me fixei, em PHP.
O código original é este treemap PHP de Geoff Gaudreault. É código livre, é relativamente antigo (Abril de 2006). Mas seria para fazer o que eu pretendia, e numa linguagem que me é familiar.
A adaptação não foi difícil — embora tenha sido profunda. Simples e até básico, o código de Gaudreault é compreensível para mim, que em programação sou o ajudante do aprendiz. O suficiente para isolar o que o código tem de melhor (a rotina que “escolhe” os tamanhos e os “encaixa” numa grelha). O resto foi retorcer, retorcer, martelar e pontapear até caber (é por escrever estas coisas que alguns geeks me odeiam visceralmente).
Pronto, ok: resolvi o problema que o código original não tinha, que era dar maleabilidade às escalas, e introduzi a novidade das notícias a abrirem em janela com o em mouse-over. Isto não foi fácil para mim: tive de modificar de alto abaixo o mecanismo de “desenho” dos rectângulos. Ainda há problemas com os títulos pequenos (no Flash o controlo tipográfico é total, em HTML+CSS, nem pensar nisso).
A escolha dos órgãos a seguir e os problemas do News Google
A escolha das fontes de informação não apresentou problemas. É sacar o feed olímpico do News Google. Comecei por fazer alguma filtragem para “equilibrar” (enfim, o que se pode) os órgãos brasileiros e portugueses — uma tarefa que o News Google faz muito mal. Se andar sempre em cima do script, posso ir afinando. Mas não estou para isso.
Pergunta: Porque escolhi o Google News em vez de fazer um feed com os órgãos pretendidos?
Resposta: Simples. Para desenhar um heatmap são necessários dois vectores para cruzar.
Temos a frescura, simbolizada no código de cores: azul mais escuro significa notícias mais recentes, actuais, e o azul mais claro representa as notícias mais antigas, sendo a cambiante produzida entre a mais fresca e a menos fresca.
E temos a importância, percebida no tamanho de cada título.
Ora, o News Google dá-me instantâneamente os dois vectores — sendo que a importância é retirada do número de notícias relacionadas, que nos dá uma ideia muito fiável da importância de cada assunto ou título. Isto se não nos importarmos por aí além com os órgãos originais… Talvez eu, por ser jornalista, dê a isso mais importância que os leitores “normais”, para quem as notícias são tudo e quem as dá é quase nada.
Isto porque os algoritmos do News Google umas vezes destacam um determinado título de um determinado órgão para, passados minutos ou horas, destacarem outro.
Usando o vulgar MagPie o feed é actualizado de 5 em 5 minutos e parsado para extrair a informação relevante. Se for um sucesso, talvez me abalance a melhorar a coisa com imagens diferentes das fornecidas pelo News Google. Talvez.
Como fazer isto com os conteúdos da RTP
Ainda pensei produzir o mapa com conteúdos da RTP, que é a televisão oficial por cá e tem uma boa cobertura, que inclui blogues — isto é, opinião de quem está lá, opinião valiosa. O problema é que não conseguia automatizar a definição do segundo vector: só se estivesse manualmente, 24 horas por dia, em regime de permanência, a ler quais as notícias mais lidas (também funcionaria com as mais ligadas, comentadas, etc).
Mais projectos de cobertura dos JO
E pronto, eis o making of e apresentação de mais um mashup Certamente!. Po contribuição de um seguidor no Twitter, deverei testar — assim tenha tempo — isto com uma tag cloud para além do heatmap. Dêem-me pretextos!
Enquanto não publico aqui mais um projecto que já está em produção, aliás, em co-produção com mais dois bloggers, relembro a apresentação interactiva Os Cartazes dos Jogos Olímpicos contam uma história.
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Os Jogos Olímpicos contados pelos cartazes
Os Jogos Olímpicos contados através dos seus cartazes — eis um novo mashup que hoje publico. O ponto de partida foi a série de posts que Leonel Vicente apresentou ao longo dos últimos dia no Memória Virtual, antecipando a XXIX Olimpíada que amanhã começa em Pequim (a secção Jogos Olímpicos).
A peça, mais uma de jornalismo multimedia, intitula-se Os Cartazes dos Jogos Olímpicos contam uma história. Uma vez que tem autoria conjunta, é publicada em simultâneo no C! e no Memória Virtual, aqui. É também uma estreia na publicação online portuguesa, onde escasseiam os exemplos de peças multimedia, para mais produzidas em colaboração.
Nela se apresentam os cartazes oficiais das Olimpíadas modernas, atravessando o século XX. O Leonel elaborou as sínteses sobre cada edição, tendo particular atenção às participações portuguesas. Cada edição tem a sua própria página e dela consta também o topo dos países medalhados — e a propósito de Jogos Olímpicos, medalhas e jornalismo multimedia, não perca o excelente Map of Olympic Medals animado que o New York Times produziu (uma vez mais, um exemplo para todos os jornais).
O carrossel dos cartazes permite uma visão diacrónica, única e curiosa, da evolução do grafismo ao longo dos últimos 110 anos. Os meus favoritos: Paris 1924, Amesterdão 1928, Londres 1948 e Helsínquia 1952 (um must, ambos!), e Atlanta 1996. Também gosto do de Pequim 2008, mas não o suficiente para o colocar nos favoritos.
Se encontrar uma forma de o fazer que consuma pouco tempo, coloco um sistema de votação dos cartazes, para vermos qual é o eleito pelos leitores.
Imprensa gratuita: quadro da circulação em Portugal
O artigo que escrevi para o Público sobre a imprensa gratuita está agendado para sair no próximo sábado, dia 9, no P2. já fiz o respectivo lançamento na semana passada, num post intitulado Jornais gratuitos: artigo no Público com mashup de lançamento aqui, onde apresentei também um mashup em que usei alguma da informação recolhida para a peça no Público, nomeadamente sobre os cinco principais jornais gratuitos com distribuição em Portugal.
Ao longo dos dias tenho vindo a melhorar o mashup, que está agora perto da versão definitiva. A última entrada foi um quadro com a circulação dos gratuitos em Portugal, segundo os últimos números:
Actualmente o mashup apresenta as capas das últimas edições de cada jornal num carousel, com informação lateral sobre cada título, uma recolha das últimas notícias (nos casos em que há feed RSS), os links para os respectivos sites, atalhos para puxar cada edição em PDF (nos casos em que é possível, que são a maioria) e ainda uma imagem da capa com maior detalhe.
O mashup escaparate: jornais gratuitos de hoje fora pensado inicialmente apenas para a função de lançar o artigo a sair no P2 — mas acabei por ir adicionando features e melhorando-o, pelo que o manterei como um micro-projecto do C!. Estou agora na expectativa de ver até que ponto ele gera interesse entre os leitores.
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Jornais gratuitos: artigo no Público com mashup de lançamento aqui
Os jornais gratuitos caminham para dominar o continente europeu. Em diversos países, Portugal incluído, a circulação diária da imprensa gratuita já ultrapassou a da imprensa paga. Os gratuitos são um balão de oxigénio para o negócio da imprensa. Terão a capacidade de modificar o comportamento de mercado e até as práticas dos jornais pagos?
Na sequência da recolha de dados para um artigo a sair no Público sobre a imprensa gratuita no mundo, decidi produzir um pequeno mashup, o escaparate: jornais gratuitos de hoje. Criei-o a pensar apenas em ‘promover’ o artigo em papel, mas à medida que o ia preparando ele ganhou autonomia, passando a escaparate dinâmico. E ainda não está acabado.
Esta peça multimedia abre uma nova etapa no percurso no Certamente!, que passará a contar com uma secção de jornalismo multimedia, onde irei expondo as minhas peças multimedia, infografias interactivas, mashups, reportagens assistidas por computador.
No caso vertente usei, como costume, código aberto e algum scripting próprio. O carrossel é uma aplicação em Flash da autoria de Saverio Caminiti (ver a ficha). Usei as libraries de Javascript Prototype, Scriptaculous, Lightbox e Ajaxpage para o carregamento dinâmico de blocos e imagens. As capas têm origem na banca de jornais do Sapo (link). Um bash script corre de segunda a sexta para actualizar as capas do dia. Quando presentes, os feeds RSS são puxados de 30 em 30 minutos com o software Magpie e reformatados com linguagem de scripting PHP.
O mashup escaparate de jornais gratuitos tem três níveis de leitura:
1º nível - a selecção no carrossel
2º nível - informação e últimas notícias, quando haja, nesta coluna
3º nível - capa em tamanho legível em janela pairante
Veja aqui o escaparate: jornais gratuitos de hoje.
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