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Etiqueta jornalismo online

O Twitter como mecanismo de crowdsourcing

Uma das aplicações a que mais recorro no Twitter é à sua capacidade de funcionar como mecanismo de crowdsourcing. Tem sobre o Q&A do LinkedIn (e outros sistemas específicos) uma grande vantagem, que é a vantagem da rapidez.
Hoje tive mais uma demonstração e não resisti em transformá-la num artigo, com a devida vénia e agradecimento aos intervenientes, agora em nome dos beneficiários, que são os leitores do Público de amanhã (lá iremos, lá iremos :) ).
Não se trata de construções teóricas: eu tinha um problema concreto por resolver e resolvi-o em menos de 15 minutos. Quando se fala de jornalismo participado e do contributo dos cidadãos, toda a gente pensa em blogues e tal; raramente se aborda este tipo de pequenos extras que podem marcar uma diferença qualitativa e, em todo o caso, representam uma aproximação dos leitores aos órgãos, através dos jornalistas enquanto agentes activos. E falar das vantagens do Twitter para o jornalista é muito menos interessante do que procurá-las e usá-las, devo dizer!
Também tenho recorrido ao Q&A, bem como aqui ao meu blogue. Mas em matérias onde procuro algo menos concreto e simples do que estava aqui em causa. Nisto, o Twitter é imbatível.
A questão: descrever o RSS numa legenda de um infográfico, logo num formato hiper-abreviado (três, quatro palavras). É um desafio maior do que parece.

Coloquei-a assim: LER CONTINUAÇÃO :.

Jornalismo assistido por computador

Nas aulas que tomei de assalto na semana passada, com a conivência do Miguel Martins, surpreendi duas classes com exemplos de jornalismo assistido por computador.
Dois dos soundbytes do assunto estão reproduzidos abaixo, tirados de uma entrevista que me fizeram estudantes há umas semanas atrás.
A surpresa deles veio de dois lados.
Desde logo, na matéria em si. O conceito de jornalista-programador surge como revolucionário (para mim é tão revolucionário como um jornalista revelar os seus rolos fotográficos — novidade introduzida a certa altura do século passado — ou editar um registo video ). Verem os resultados práticos em abundância amaciou o choque e fê-los rapidamente engolir a “novidade” — como eu pretendia, para cortar no ruído e passarmos ao essencial.
O outro lado, a nota positiva sobre o jornalismo, perto do entusiasmo, que lhes é transmitida numa altura em que o que mais ouvem e lêem é a “decadência”, a “falência”, o fim do jornalismo e da necessidade de jornalistas.

O computador na verdade ainda não chegou às redacções. O que chegou, foi uma máquina de escrever estupidamente cara, um camião TIR que gasta 50 litros aos 100 e que os jornalistas usam para “deslocações” que deviam na realidade custar o preço de meio litro: escrever umas laudas que vão para a “secretária” do editor, e desta para a “tipografia”. Não é seguramente culpa deles, mas de quem toma decisões erradas do ponto de vista da gestão.

A reportagem assistida por computador permiti apresentar em horas, ou no dia seguinte, um manancial de informação mastigada e relacionada (à escala global) com um grau de sofisticação antes só acessível a grandes equipas a trabalhar dias a fio. Uma edição impossível de produzir na véspera por uma redacção vocacionada para o fluxo, para o online.

O conjunto de respostas de onde tirei estes dois excertos está a ser publicado à razão de uma por cada sexta feira em exclusivo na edição semanal de C!. Que é de subscrição livre e gratuita. Ainda não assinou? É uma forma diferente, e inovadora, de me ler: os leitores do dia a dia “trabalham” comigo na tarefa de filtrar o que é mais interessante, de forma a fazer chegar aos assinantes uma versão com o essencial da semana. E ainda tem conteúdos em estreia ou exclusivo. Leia mais ou assine já.

newspaper machines

fotos: ede_desin e LiLGoldWmn

Jornalismo viral — ou as diferenças entre um divórcio, um requerimento e um despacho (2)

letrasdejornais.jpgComo vimos na primeira parte deste artigo, há diferenças entre um divórcio, que depende de um despacho, e o requerimento para o divórcio. O que não houve, regra geral, foi um jornalista para dar por isso (duas excepções de onde menos se esperaria, ler abaixo).
Oriunda da Lusa, a história foi contada e recontada em dúzia e meia de órgãos de comunicação social no seu formato original, notando-se as variações de tratamento somento ao nível cosmético: títulos, chamadas, rearrumação de parágrafos.
Um único órgão de comunicação fez a confirmação dos factos ou pelo menos procurou dar outro lado, outro ângulo. Assim, este é um bom exemplo de caso para apresentar aos estudantes de jornalismo e aos interessados na profissão sobre os perigos do jornalismo viral — uma nova formulação para uma prática antiga que consiste em colar o telex da Lusa, ou o recorte de outro jornal, de olhos fechados.
O simples recurso ao Google permite-nos fazer o tracking da notícia e ver como, eventualmente na ânsia de dar aos “seus” leitores a informação, não se cuidou na esmagadora maioria das Redacções de acrescentar valor — que é, afinal, o factor diferenciador para um título conquistar a admiração pública e manter as audiências e o prestígio. LER CONTINUAÇÃO :.

Jornalismo viral — ou as diferenças entre um divórcio, um requerimento e um despacho (1)

divorcio.jpgExistem diferenças entre um divórcio, que depende de um despacho, e o requerimento para o divórcio. Não obstante esta evidência lapalissiana, 22 jornais portugueses garantiam hoje que duas pessoas casadas (sic) se podem agora divorciar instantaneamente pela Internet.

Ao fim de 13 anos separada, Maria divorciou-se finalmente. Enquanto aguardava por informações numa conservatória de Lisboa, tornou-se a primeira a obter um divórcio electrónico em Portugal, em poucos minutos e a baixo custo. O advogado que lhe permitiu acelerar o processo acredita mesmo tratar-se do primeiro divórcio electrónico do mundo

Esta história é contada num take da Lusa veiculado por vários órgãos de comunicação. O jornalista acreditou na história e nem se deu ao trabalho de verificar a documentação no próprio portal lançado pelo advogado que lhe deu a “cacha”: o que Maria muito louvavelmente obteve, em poucos minutos e a baixo custo, foi não o divórcio electrónico, mas o requerimento electrónico de divórcio. LER CONTINUAÇÃO :.