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Etiqueta jornalismo

Cães e companhia

Revista “Cães & Companhia”, publicação dedicada aos animais de companhia, pretende admitir finalista/recém-licenciado em Comunicação Social (1º emprego) para estágio não remunerado, com a duração de um ano. O candidato deverá ser uma pessoa interessada no tema, e que após o estágio possa vir a ser integrado na equipa redactorial. Agradecemos que refira se tem (ou já teve) animais de estimação e quais.

Não. O mundo não acabou com o post-LOL do ano. O mundo acaba aqui.

(Via Ponto Media)

Jornalismo: a profissão mutante

Saiu na edição deste sábado do Público, no P2, o meu artigo Jornalismo: a profissão mutante (link volátil).
Fica abaixo uma imagem do plano. E fica a nota pessoal: escrever um dia destes um artigo sobre o futuro do papel electrónico, que só por milagre de multiplicação das rosas económicas poderá substituir o papel enquanto suporte pessoal mas talvez tenha uma hipótese como herdeiro, também, dos jornais murais, disponível na paisagem urbana seguindo os passos dos… televisores.

jornalismo: a profissao mutante

jornalismo: a profissao mutante

Da narrativa televisiva e do seu efeito marcante sobre o jornalismo

É absolutamente imprescindível a leitura de na onda, um artigo de Daniel Oliveira no Arrastão que desencanta a narrativa televisiva que hoje passa por jornalismo, sobre o qual exerce um efeito tão marcante quanto funesto.
Um excerto:
O jornalismo televisivo vive, antes de mais, segundo as regras da televisão e só depois segundo as regras do jornalismo. Tem o ritmo frenético da televisão e aproxima-se o mais que pode da ficção das telenovelas. Precisa de criar narrativas próprias. E, como as telenovelas, para ter mercado cria mercado. Cria necessidade e ansiedade. E quando submerge o país na sua própria narrativa, dá as pessoas mais do mesmo até esgotar o filão. Depois, o consumo será, como é quase sempre, compulsivo: se as pessoas estão com medo, dá-se-lhes pânico (é o que se fez com a criminalidade), se as pessoas estão animadas dá-se-lhe euforia (foi o que se fez com o Euro 2004 ou Expo), se as pessoas estão desanimadas dá-se-lhe a depressão (foi o que se começou por fazer com os Jogos Olímpicos). E assim cria uma sociedade maníaco-depressiva, que salta da euforia para o desânimo absoluto.
Não é apenas um artigo. É também um trabalho de investigação, em que Daniel Oliveira contou com a colaboração de Pedro Sales, que ilustra a tese: um apanhado do que foram os noticiários televisivos num Verão sem a habitual espectacularidade dos incêndios.

A notícia da morte de Steve Jobs e os obituários no jornalismo

A notícia na passada quarta-feira da morte de Steve Jobs, dada prematuramente pelo canal financeiro Bloomberg, levanta uma série muito interessante de questões sobre o exercício do jornalismo online e em particular sobre os obituários.

[ Nota: artigo publicado originalmente na edição multimedia do Expresso, reproduzido para efeitos do meu arquivo pessoal.]

É prática corrente nas redacções manter mais ou menos actualizadas biografias das pessoas cuja morte será notícia importante. Steve Jobs é uma dessas pessoas, e não apenas para um canal financeiro. Jobs já se safou de um cancro no pâncreas, há poucos anos, e está muito magro, tendo sido levantadas algumas suspeitas sobre o seu estado de saúde no início do ano.

O que aconteceu com a Bloomberg foi um azar: ao terminar uma actualização, ou revisão, o editor carregou no botão errado, libertando um rascunho para o fluxo de publicação de notícias — e assim “matou” prematuramente o CEO da Apple, dando origem a uma série de comentários e blogs entre o humor e a sordidez.

Um azar destes pode acontecer a qualquer meio. A Bloomberg de imediato se retratou, publicando:

  Story Referencing Apple Was Sent in Error by Bloomberg News
  Aug. 27 (Bloomberg) — An incomplete story referencing Apple
  Inc. was inadvertently published by Bloomberg News at 4:27 p.m.
  New York time today. The item was never meant for publication and
  has been retracted.
  — Editor: Joe Winski, Cesca Antonelli

A Gawker fez um bom trabalho sobre isto, publicando o obituário (a imagem que reproduzo foi tirada de lá).

Já Steve Yelvington pretextualiza: são os obituários obsoletos?
LER CONTINUAÇÃO :.

O obituário de Steve Jobs levanta questões interessantes

Há instantes publiquei no Expresso multimedia uma peça sobre a “morte” de Steve Jobs. Para os que não sabem, a Bloomberg publicou ontem o obituário do CEO da Apple. Por engano. Acontece aos melhores. Mas suscita questões interessantes. Que levanto nesse artigo. Que é o primeiro publicado nos jornais portugueses acerca do assunto (segundo o Google News).
(Orgulhoso fico, porém, é de não ter usado os trocadilhos óbvios na circunstância.)

À atenção de Moita Flores, Sousa Tavares, Rodrigo e o senhor Martins de Sá que escreve em A Bola

Vou ser criticado por ainda perder tempo com eles, mas afinal sou jornalista, I spend my life dominating conversations… Fica o recado para Moita Flores, Sousa Tavares, Rodrigo Guedes de Carvalho e o senhor Martins de Sá, o negacionista de A Bola. Se algum dos gentis leitores de C! tiver forma de lhes fazer passar isto, faxavor. Os negritos são meus:
The debate over blogging’s usefulness to journalism tends to get stuck in a cul de sac, mainly because too few people - well, too few journalists - treat it seriously. At conferences I’ve attended recently, speakers have referred to blogging as little more than a sad ego trip. It is not regarded as having any real public service value.
I’ll scream if I hear yet again that the blogosphere is a form of anarchy, a cacophony of self-centred and mischievous voices who are either talking to each other or talking to no-one at all. I’m not denying that aspect, though I don’t see why people sitting at computer terminals day after day and downloading their thoughts should threaten civilisation as we know it.
What is also clear, most obviously in peer to peer blogging, is that people are engaged with each other as never before. Without any institutional or corporate coaxing, people are forming cyber communities in which they converse endlessly about their interests.
I say this as a preliminary to explaining why journalists, especially print veterans like me, are so suspicious of bloggers. We have spent our lives dominating conversations. No, that’s wrong of course. We did not converse at all. We lectured. We provided the information that people feasted on in order to hold their own conversations

Em Why journalists must learn the values of the blogging revolution. Num blog. Do Guardian. Por Roy Greenslade. Jornalista com 41 anos de carreira. Uma carreira que não é uma carreira qualquer. Roy está loooooooooooonge de ser o primeiro ou o único a afirmar isto e muito perto disto. Há centenas. É só ler. Nos blogs. Nos jornais online, reinventados.
Façam a vocês próprios o favor de deixarem de ser casmurros. E leiam. As pessoas certas. Onde elas estiverem. Mesmo que seja nos blogs.
Não é por mim. É por vós.

Sabe o leitor quais são os jornais desportivos em Portugal?

Sabe o leitor quais são os jornais deportivos em Portugal? Se respondeu A Bola, Record e O Jogo, falhou. Peeeeeemp, wrong. Não ganha a torradeira.
Os jornais portugueses que se interessam pelo desporto, e dão notícias sobre ele, são 4 dos principais diários (Correio da Manhã não incluído) e um semanário (o Expresso). Esses três em que pensou de imediato ligam muito pouco ao desporto. Deviamos fazer uma petição para lhes passarmos a chamar de “jornais dos clubes de futebol”, e não “diários desportivos”.
Se acha que estou a exagerar, leitor, olhe que não, tenha paciência, espere mais uns dias por um artigo meu com a explicação inteirinha.
Para ir saciando a curiosidade (eu aqui ouço-o roer as unhas!) fica uma pergunta: qual foi o jornal português que deu mais espaço de primeira página aos Jogos Olímpicos?
Dica: não foi o diário que, no dia em que Nélson Évora ganhou a medalha de ouro de campeão olímpico, repetiu em manchete pela enésima vez o Fabuloso Reyes, a pretexto da assombrosa, e sem dúvida notória ambição demonstrada na frase “darei tudo para ser campeão” — tão assombrosa, única e ímpar que foi proferida no âmbito de um “exclusivo”. É daquelas coisas que só se dizem uma vez na vida, algo capaz de obliterar a importância mundial dos jogos na China com a dimensão profunda, incomensurável, eu diria divina dessas 5 palavras, “darei tudo para ser campeão“.
Consta que foi a única entrevista exclusiva que Reyes deu nos 15 minutos em que falou para o Record nesse dia, mas esta pista, de um anónimo que diz ter visto Reyes a dar mais sete entrevistas exclusivas a outros tantos jornais, rádios e televisões à saída do treino dessa manhã, carece de confirmação. Ainda assim, apurámos de fonte seguríssima e próxima da Luz que a nenhum outro jornal terá dito “darei tudo para ser campeão“, e se por um extraordinário acaso o fez, não foi em exclusivo.
Só as mentes manipuladas pelos chineses (que, como é sabido, manipularam os Jogos Olímpicos, que na realidade nunca existiram) poderão achar que uma medalha de ouro é mais importante que aquela Estupenda, Inolvidável e Há Muito Esperada afirmação do reforço do Sport Lisboa e Benfica — uma frase que por si só é, não apenas todo um programa, como a garantia da conquista do título!
O que conta mais: “darei tudo para ser campeão” ou a quarta medalha de ouro de Portugal em mais de um século de Jogos Olímpicos? Quarta medalha, campeão olímpico, bah, que vulgaridade. 3 mil no Seixal para ver o homem que vai dar tudo para ser campeão! Isso sim, é notícia de capa! Isso e o beijo de Rui Costa a David (?), a mais fabulosa das manchetes a que assisti em 30 anos de carreira, o primeiro terço dela, ainda por cima, em jornais “desportivos”.
O leitor que acertar no número de manchetes de Reyes no Record em Agosto ganha… uma colecção das capas digitalizadas deste Glorioso Jornal entre os dias 7 e 25 de Agosto de 2008. Para que jamais se esqueça deste Grande Momento.

(Se é director ou, vá lá, chefe de Redacção do Record, caro leitor, então console-se. Houve pior: O Jogo passou ainda mais ao lado dos Jogos.)

Na imagem: composição com cinco capas do Record durante o período de 15 dias em que decorreram os Jogos Olímpicos de Verão em Pequim, na China, altura do defeso futebolístico em Portugal e por toda a Europa.

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