Caro Primeiro Ministro, concentre-se nisto que é o essencial
Caro Primeiro Ministro, gostei de o ver na televisão, a sua determinação é um valor seguro, pode falhar ou triunfar, por si (que não conheço) ou pelo seu partido (que não é o meu) é-me indiferente, mas pelo país espero que triunfe. E para tal lhe digo, pois sei que há muito acessório por aí para o distrair. Concentre-se no essencial, aqui a negrito: “É verdade que a conjuntura é difícil, factor com o qual Sócrates conta para diminuir o impacto do falhanço das políticas de emprego ou de revitalização económica que encetou, mas é também verdade que os portugueses sentem o impacto da incapacidade do Bloco Central em apresentar soluções, o que penaliza sempre mais quem está no poder (preparar o combate, por Diogo Morais no Câmara de Comuns)
As chaves de São Bento. A ler
As Chaves de São Bento, por Diogo Vasconcelos em A geração de 60. A ler.
A quem serão entregues as chaves da Casa Branca no dia 20 de Janeiro de 2009? E as de São Bento, daqui a um ano e meio?
“Derrota do PS em 2009″, expressão usada pela primeira vez
A edição de amanhã do Expresso apresenta um dossier sobre “os trabalhos de Sócrates” e a expressão “derrota do PS em 2009″ é usada pela primeira vez de forma consistente, numa preocupação atribuída a “militantes do PS”.
O teaser de João Garcia diz o seguinte:
A pouco mais de um ano das eleições legislativas, o xadrez político português mudou. Manuela Ferreira Leite foi eleita presidente do PSD e levou a que, pela primeira vez, um Presidente da República fizesse questão de felicitar em público um líder partidário pela sua eleição; Mário Soares lançou avisos ao Governo e ao PS apelando ao regresso aos valores da esquerda socialista; Manuel Alegre juntou-se ao Bloco de Esquerda e a outras personalidades ‘gauchiste’ num comício contra o Governo.
As contas que saíram furadas a José Sócrates conduzem a que os resultados prometidos no início do exercício governativo não surjam. Talvez por isso, haja a convicção de que a renovação da maioria absoluta é cada vez mais uma miragem e exista medo crescente, entre os militantes pró-governo, de que em 2009 as eleições possam marcar a derrota do PS.
Pelo meio, José Sócrates teve que enfrentar a terceira moção de censura da legislatura, mais uma grande manifestação convocada pela CGTP e a greve – entretanto suspensa – dos pescadores por causa dos preços dos combustíveis.
A somar aos inúmeros problemas internos, há ainda alguns factores que Sócrates tem que gerir, mas que não é capaz de controlar, ao contrário do que está habituado: a crise do subprime, o aumento do preço do petróleo ou a crise dos cereais.
Como vão, José Sócrates e o PS, jogar as pedras decisivas durante o próximo ano, para chegar a 2009 com uma dinâmica de vitória? Que papel terá o Presidente da República? Estarão Manuel Alegre e o BE dispostos a apostar tudo numa frente de esquerda mesmo que isso implique sacrificar eleitoralmente o PS em 2009? Haverá ainda espaço para Alegre dentro do PS? São perguntas a que tentaremos responder na próxima edição do Expresso.
Não tenho a certeza que as contas tenham realmente saído furadas a José Sócrates. Ou melhor: quais contas.
Está ainda por confirmar se Manuela Ferreira Leite leva o PSD a constituir uma ameaça política a este governo. Não se vê muito bem como, mas a presidente do PSD tem direito ao seu estado de graça.
Quanto a Manuel Alegre: o comício não foi certamente combinado com o secretário geral do PS, se o fosse revelaria algum brilhantismo da parte deste, no que toca a estratégia. Produzido na semana em que Ferreira Leite tomou conta do barco, o comício atraiu o que sobrou dos holofotes que os MSM enviaram para a Suiça, para a cobertura do Europeu.
Isto é, reduziu o espaço mediático, que é finito, para Ferreira Leite.
Se eu fosse um estratega da esquerda, faria o que estivesse ao meu alcance para canalizar o eventual descontentamento popular para forças e símbolos do meu lado da bordada.
Em 2009 basta a Sócrates guinar o barco ligeiramente para a esquerda — e as massas estarão lá, incluindo as descontentes, devidamente federadas.
Na escala de prioridades políticas do PS, em primeiro lugar destacado deve figurar o item “evitar o crescimento do PSD a todo o custo”, em segundo lugar “reduzir ao máximo o impacto do crescimento do PSD” e só em terceiro lugar a gestão dos affaires gauchistes.
Agora que há contas que escapam completamente ao controlo do Primeiro Ministro, há. As contas da economia.
E como nem os economistas, a começar pelos presidentes dos bancos, controlam mais a economia, o exercício da governação fica ainda mais complicado. Navega-se à vista, não há outra hipótese.
Chegou a hora de pagar a factura do estrondoso falhanço político dos anos 80 e 90 no capítulo da energia.
Palavras de Sócrates: as vantagens das análises do Público e da minha
Ontem passaram três anos sobre a eleição da maioria absoluta em que se baseia o actual Governo e eu assinalei a efeméride com novo serviço, aplicado aos discursos oficiais do Primeiro Ministro José Sócrates ao longo deste período.
Ontem também sucederam diversos episódios on e offline que me roubaram o tempo para acompanhar o lançamento — há sempre retoques de última hora, ajustes, e também responder às críticas e dúvidas.
Ontem, ainda, o diário Público publicou uma peça jornalisticamente magistral, um regalo para a vista, aquilo que faz um jornalista ficar orgulhoso do seu jornal ou até, como foi o meu caso, de um jornal que não é o meu, mas dá gosto ver.
Duas páginas com uma nuvem de palavras!
É simplesmente notável, ficam os parabéns na pessoa do António Granado, que as poderá transmitir ao Miguel Gaspar.
Na edição online figura a menção ao serviço, ou ferramenta, de análise semântica que desenvolvi nas últimas semanas e para o qual tenho recolhido material e indicadores há dois anos. Elaborar uma nuvem de palavras é muito mais complicado do que parece. LER CONTINUAÇÃO :.
José Sócrates na SIC: 16 valores
A prestação de José Sócrates esta noite na SIC foi boa. Numa escala de 0 a 20, nota 16. Mais que dominar linguagem da televisão, que domina, o Primeiro Ministro esteve genericamente bem, conseguindo mesmo a surpresa de se safar no impopular sector da Saúde. E teve uma vitória: onde se esperava arrogância, Sócrates saiu-se com educação.
“Eu conformo-me com isso”, disse José Sócrates a Ricardo Costa respondendo ao que classificou (e bem) de uma opinião. Um Sócrates capaz de se conformar e viver com a opinião alheia — eis a grande mudança na imagem no Primeiro Ministro que já se lhe pedia. LER CONTINUAÇÃO :.


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Mas certamente que sim! é uma publicação de Paulo Querido, jornalista freelancer que publica livros, artigos e também algum código sobre a net e na net. Desde 1989. (
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