O negócio dos links. No Público
Saiu hoje a minha segunda reportagem produzida para o Público: O negócio dos links. Está no P2, páginas 8 e 9, e pode ser vista na imagem ao lado (abre maior clicando em cima). Também pode ser vista online na versão PDF do Público, aqui. Partindo do caso da Associated Press, a peça dá conta da emergência do link como uma nova moeda.
A teoria não é propriamente desconhecida na web, a vantagem do artigo é — e agradeça-se ao Público por isso — levar para o círculo de pessoas que ainda só confia no que lê no papel de jornal um assunto cada vez mais pertinente para a indústria do jornalismo.
Entre outros interlocutores a peça cita Bruno Giussani (Lunch over IP, Ted Conferences), que foi amável comigo na troca de correspondência que mantivemos sobre isto, e Pedro Dória (Pedro Doria | Weblog), O Estado de S. Paulo, cuja leitura seca e directa sobre a relação entre os mainstream media e a blogosfera é de grande valia.
A Questão Essencial, e à qual gostaria de ter tido a resposta de Jeff Jarvis, mas não chegou a tempo para a edição papel, é esta: a economia dos links gerará alguma vez valor suficiente para pagar os custos do bom jornalismo, que são pagos em dinheiro (para não falar das vidas)?
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Efeito Lusa: quando aprenderão os MSM que no online o ganho está na diferença?
Efeito Lusa: Fui almoçar, saiu um take da Lusa e de repente, os feeds sobre Aveiro aumentam para 30… Andam todos a pôr online o mesmo… — twittou, com toda a propriedade, João Oliveira.
Encher a edição online com informação que comprou à agência é uma grande tentação, convenhamos. Para cérebros treinados no (e para o) contexto da escassez, é o que faz sentido.
No entanto, num contexto de abundância este tipo de “chouriço” apresenta algumas desvantagens que, na minha opinião, devem ser levadas em consideração. LER CONTINUAÇÃO :.
3 ideias para o Público melhorar o tracking dos blogues
O Público noticiou as reacções positivas da blogosfera à sua medida para, finalmente, manter o registo dos links para cada notícia sua — o tracking, usando uma das mais antigas tecnologias que acompanha a publicação pessoal na Internet.
Como fui citado nessa notícia (embora sem link… uma prática que os media portugueses mantém incompreensivelmente, indo contra todas as regras e boas práticas do jornalismo online), decidi retribuir com 3 ideias para o Público melhorar o registo dos blogues que dão atenção às suas notícias.
- Exigir à empresa contratada um serviço decente. Eu sei que o Público ainda agora começou com isto, mas a tecnologia associada aos pingbacks está madura. Não há explicações para as falhas verificadas nos primeiros dias e que fizeram diversas vítimas, incluindo o editor do Público online
Ainda hojer recebi “queixas” de blogues cujos pings ao Twingly não estão a ser aceites.
Publicar o critério de ordenação do Twingly também é uma necessidade.
Não descobri na página do Twingly um local para apresentar problemas. Não basta dizer: “se não pingou, espere um tempo, ou repita aqui”. - Dar atenção ao fenómeno de parasitismo. Tendo em conta os atrasos e os erros, nesta altura todos os links ajudam a um site de main stream media português, bem sei. Mas ainda assim: há links que são produto de oportunismo parasítico, isto é, a única razão de serem feitos é a de aparecerem na lista do Público, de forma a proporcionarem tráfego de volta. O spaming de blogues é uma praga relativamente controlada, vamos ver até que ponto o Twingly — nome do serviço que o Público contratou — é capaz de manter as listas isentas de parasitas.
- Publicar resultados de data mining. Uma lista dos artigos que registam mais links é útil, tão ou mais útil que as mais lidas, comentadas e enviadas. Um top de sempre também tem interesse noticioso, mas a informação por períodos (sugiro semana e mês) é de maior riqueza.
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Vêm aí os jornais
Os jornais vão finalmente acordar — na minha opinião, um bocado tarde. Nos próximos tempos vamos vê-los disputar os blogues. Convidar os blogues. Estender a passadeira vermelha aos blogues. Pedir tráfego aos blogues. Dar uma de Superbock e pedir que metam um dístico na coluna tipo concurso.
Vou-me divertir um bocado. Uns vão levar isto a sério. Outros vão gozar com os jornais que nem cabindas. Alguns vão lamentar muito depressa terem trocado o Blogspot por causa do help-desk, logo agora, raios. Outros vão aproveitar a oportunidade, que é séria (pelo menos, eu quero acreditar que é séria).
A blogosfera vai mudar. Não digam que não vos avisei.
Não faria a coisa assim. Nesta cultura, não se pede.
Como de costume, eu já estou noutra.
Jornalismo viral — ou as diferenças entre um divórcio, um requerimento e um despacho (2)
Como vimos na primeira parte deste artigo, há diferenças entre um divórcio, que depende de um despacho, e o requerimento para o divórcio. O que não houve, regra geral, foi um jornalista para dar por isso (duas excepções de onde menos se esperaria, ler abaixo).
Oriunda da Lusa, a história foi contada e recontada em dúzia e meia de órgãos de comunicação social no seu formato original, notando-se as variações de tratamento somento ao nível cosmético: títulos, chamadas, rearrumação de parágrafos.
Um único órgão de comunicação fez a confirmação dos factos ou pelo menos procurou dar outro lado, outro ângulo. Assim, este é um bom exemplo de caso para apresentar aos estudantes de jornalismo e aos interessados na profissão sobre os perigos do jornalismo viral — uma nova formulação para uma prática antiga que consiste em colar o telex da Lusa, ou o recorte de outro jornal, de olhos fechados.
O simples recurso ao Google permite-nos fazer o tracking da notícia e ver como, eventualmente na ânsia de dar aos “seus” leitores a informação, não se cuidou na esmagadora maioria das Redacções de acrescentar valor — que é, afinal, o factor diferenciador para um título conquistar a admiração pública e manter as audiências e o prestígio. LER CONTINUAÇÃO :.
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Jornalismo viral — ou as diferenças entre um divórcio, um requerimento e um despacho (1)
Existem diferenças entre um divórcio, que depende de um despacho, e o requerimento para o divórcio. Não obstante esta evidência lapalissiana, 22 jornais portugueses garantiam hoje que duas pessoas casadas (sic) se podem agora divorciar instantaneamente pela Internet.
Ao fim de 13 anos separada, Maria divorciou-se finalmente. Enquanto aguardava por informações numa conservatória de Lisboa, tornou-se a primeira a obter um divórcio electrónico em Portugal, em poucos minutos e a baixo custo. O advogado que lhe permitiu acelerar o processo acredita mesmo tratar-se do primeiro divórcio electrónico do mundo
Esta história é contada num take da Lusa veiculado por vários órgãos de comunicação. O jornalista acreditou na história e nem se deu ao trabalho de verificar a documentação no próprio portal lançado pelo advogado que lhe deu a “cacha”: o que Maria muito louvavelmente obteve, em poucos minutos e a baixo custo, foi não o divórcio electrónico, mas o requerimento electrónico de divórcio. LER CONTINUAÇÃO :.
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