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PSD renova site: web social chega finalmente aos partidos

O site do PSD surgiu totalmente renovado na semana passada. E para muito melhor, devo dizer. Em todos os aspectos. Foi um salto quântico e tanto mais surpreendente que passou despercebido à maioria. Um take da Lusa dá conta das boas intenções da líder do partido, nomeadamente a sua “genuína vontade de partilharmos a liberdade e a controvérsia, considerando que esse é um dos grandes contributos sociais da Internet“. Mas não teve repercussão.
A Internet não deu por isso ainda e duvido que se venha a estabelecer um diálogo real. O salto dado agora é louvável, mas não tenho ilusões sobre a falta de capacidade dos políticos instalados para lidarem directamente com os eleitores aguerridos que compõem a grande maioria dos frequentadores activos (i.e., que participam debatendo) da web social.
Mas isso não importa nesta altura. A verdade é que o PSD foi o primeiro dos partidos com história a aderir realmente à web social. E isto fora do tempo eleitoral, altura em que, manda a tradição religiosamente cumprida, os partidos se sacrificam a “descer” à procura das massas.
O PSD é o segundo partido que eu posso seguir por RSS (o primeiro foi o Bloco de Esquerda), e é o primeiro a assumir no site os canais oficiais nas redes sociais — Youtube e Flickr, para já. No canal do Flickr está já a colecção de cartazes do partido desde 1974, o que pessoalmente saúdo: é a primeira vez que consigo ver reproduções decentes e com o bónus de estarem juntas, poupando trabalho de pesquisa.
Também saúdo em particular o facto de o PSD ter feito justiça aos seus fundadores e antigos líderes. No antigo site era impossível encontrar uma simples lista das pessoas que já presidiram. E vi agora, pela primeira vez, uma foto de Nuno Aires Rodrigues dos Santos e alguma informação, ainda que curta, sobre o mais obscuro presidente do partido. Este membro da Maçonaria presidiu ao PSD em 1983-84. Perdi várias horas à procura de dados sobre ele, numa pesquisa para um trabalho inovador que está para publicação em breve.
É evidente que está muito caminho por andar. O site precisa de mais conteúdo e espera-se a presença do partido — de pessoas que falem por ele, que a ele estejam realmente ligadas — nas redes sociais habitadas por um número cada vez maior de portugueses.
Para mim, melhor que a surpresa de ver o esforço do PSD na direcção certa da web das pessoas, é encontrar no site do partido aquilo que me interessa. E isto não acontecia antes, por incrível que pareça.
(Uma nota sobre DNS à atenção dos técnicos. Sei que é correcto usar o indicativo www, mas não apontar o nome de domínio, psd.pt, também ao site é uma prática que já não faz sentido há mais de uma década. Muita gente, eu incluído, deixou de se dar ao trabalho de digitar o www. E não encontrar o PSD sem o indicativo www é desagradável.)

MEP: uma abordagem correcta


Aproveito o balanço para referir o site do mais recente membro do espectro partidário português. O MEP - Movimento Esperança Portugal começa com o mais “web 2.0″ dos sites institucionais que já vi entre nós, batendo mesmo o do Bloco.
A lista de redes sociais em que o MEP está presente, devidamente apresentadas, com orgulhoso destaque, na entrada do site, bem pode servir agora de inspiração ao PSD. Além do blogue, o MEP tem presença na Wikipedia, YouTube, Slideshare, Picasa, Twitter, Technorati, Hi5, Facebook, MySpace e até no The Star Tracker, uma rede que, apesar do nome em inglês, é suposto agrupar o “talento” português.
A abordagem do MEP à Internet foi correcta. Tem um site institucional que, sem deixar de o ser, consegue apresentar-se pouco formal. E do qual saem, como troncos de um árvore, os ramos de comunicação que estende na direcção dos diversos públicos. Com grande economia de processos, devo dizer.

[ Reprodução de artigo publicado originalmente no Expresso multimedia ]

Rui Marques faz o pleno: vocês já deitaram água sobre areia?

ruimarques.jpgVim agora de uma formação que me ocupou os últimos dias (é um intervalo de um dia) e, alertado pelo Rui Branco, lá fui ler o Adufe: Tão pequeninos e já a levar porrada. Refere-se ao MEP, o movimento lançado por Rui Marques que pretende estabelecer um partido do centro ao meio dos dois partidos que disputam o centro.
O homem é acusado de louco para cima, num pleno de analistas invulgar na blogosfera — e a que se juntará muito em breve José Pacheco Pereira a escrever o pior que conseguir imaginar, o que surpreenderá alguns, que acreditam no seu distanciamento em relação à política dos partidos evidenciada pelo Abrupto em cada vírgula nos últimos tempos.
O que diz o Rui, e diz bem:

O que mais me surpreende é algo que tem algumas horas de existência pública ter conseguido praticamente fazer o pleno na blogoesfera política de este a oeste, algo que eu nunca vi em quase 5 anos que levo disto. É obra.
Que dos partidos surgissem reacções epidérmicas procurando matar qualquer mosca ainda vá, agora que do resto da malta se queira já, hoje, após uma conferência de imprensa, escalpelizar a coisa de forma tão… definitiva, é espantoso.
Pessoalmente desejo muito sorte e bom trabalho a ambos os movimentos e como diz o outro, vou andar por aí. Nesta altura contento-me com pouco: pessoas honestas, empenhadas que (com ou sem ideologias vincadas) tenham um sentido pragmático e de justiça. Assim todos são poucos. E de caminho pode até ser que sirvam de pedra nas engrenagens que andam por aí demasiado acomodadas a uma suposta real politik e superior gestão de timmings ansiando por novas maiorias absolutas.

Eu acho o seguinte. Vocês já atiraram água sobre areia, na praia?
Pois, é a mesma coisa. Os debatentes da política estão tão sequiosos de mudanças que mal surge uma pumba, engolem-na e desaparece de um trago.
Terá Rui Marques — um homem de invulgar capacidade de trabalho bem feito e com um currículo que fala por ele — força para levar o movimento para fora do percurso típico deste tipo de cidadania política, que acaba em regra em dois ou três secretários de Estado e um ministro eleitos como independentes no partido que ganhar?
Sozinho, não. Se conseguisse comprometer com o movimento uma dúzia de figuras sonantes, entre os críticos de PS e PSD, arrancava aos dois partidos os seus pedaços centristas, não tenho a mínima dúvida. Onde tenho a máxima dúvida é que os críticos — que por definição são os que ficaram de fora da última distribuição de cargos ao governo e à oposição — troquem a política que conhecem e onde foram educados pela aventura.
Portanto, não estou com o pleno blogosférico na análise, mas estou no resultado prático.
No problem. Com o fôlego e a perserverança, vai a secretário de Estado em 2009. E irá muito bem.
(Nota: post escrito à queima a correr, sujeito a edição posterior)