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O que Pedro Santana Lopes tem

Pedro Santana Lopes tem um passado. Tem um passado difícil de apresentar aqui e ali — mas tem um passado. Tem um passado a disputar eleições. Tem um passado a ganhar eleições. Tem um passado partidário sem paralelo em Portugal. É um dos mais combativos políticos portugueses, talvez o mais combativo.
Eu, que não sou filiado no PSD, se fosse, hesitava em dar o meu voto a este homem ou a Passos Coelho.
Talvez acabasse por me virar para PSL.
Tem uma experiência acumulada notável — e eu sou como Bill Gates, que nos tempos áureos da Microsoft ia recrutar altos quadros às empresas que iam falindo, o que deve ser levando em conta nesta altura em que a empresa trava uma luta.
Em quem eu não votaria, certamente!, era em Manuela Ferreira Leite.
Não por falta de simpatia — simpatizo mais com ela do que com os dois supracitados. Ou pelas suas evidentes qualidades apreciáveis em qualquer político, incluindo os dois supracitados: discurso rectilíneo, preserverança, ideias fixas.
Mas MFL representa o lado do PSD que a sociedade portuguesa, eu incluído, tem vindo a recusar: o lado “baronil”, uma visão da política democrática que é no mínimo redutora. A política de salão, onde um grupo mais ou menos homogéneo discute / distribui entre si o que houver na mesa, apresentando depois os cozinhados para a legitimação dos congressistas, eles próprios previamente engajados em “exércitos” de “barões” e de tendências.
Esta visão da política fez sentido, posso admitir, num determinado período histórico. Mas esse ciclo já se fechou. O ciclo das figuras encerrou-se com o terceiro lugar de Mário Soares nas directas do Partido Socialista. O Partido Social Democrata também vai, finalmente, encerrar o seu ciclo de figuras.
A política hoje faz-se com outro tipo de pessoas, com outro tipo de atitudes perante a sociedade. Para o bem ou para o mal, conforme a perspectiva, a verdade é que mudou.

A falsa modernidade e a falsa mudança

Pedro Passos Coelho

Começo por afirmar que gostaria imenso de poder ver em Pedro Passos Coelho o homem cuja imagem os shapers estão a começar a moldar. Ele é da minha geração, menos uma irrelevância de anos, e qualquer pessoa gosta de ver caras novas na política e ambiciona que o poder chegue também aos que reconhece à sua volta, horizontalmente (estou a falar de gerações).
Mas a “modernidade” e a “mudança” são conceitos que não resistem a uma análise simples ao discurso e à presença, a par de uma curta viagem pela memória.

A modernidade e o “futuro é agora”
Por muito que me queira esforçar, não consigo ver onde está a modernidade de Passos Coelho, um homem invisível na Internet, por exemplo. Internet que hoje é incontornável — estejamos a pensar na discussão da res publica, no debate ideológico, no contacto com os eleitores e simpatizantes, no seguimento da política, na observação da cidadania. LER CONTINUAÇÃO :.

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