Directas no PSD: quem já ganhou o quê
O sufrágio decorre ao longo do dia de hoje, mas nas directas do PSD já há vencedores. Um levantamento nos meios e na blogosfera permite perceber quem já ganhou o quê, ainda antes de ser encontrado o próximo presidente.
Os gráficos seguintes não pretendem outra coisa senão lançar um exercício de análise sobre eventuais tendências a partir da menções na Imprensa e nos blogues. Não tive tempo para grandes análises, mas penso que os gráficos (recorri ao Google charts) merecem ser interpretados, pelo que sintam-se à vontade para os copiar. São aqui publicados ao abrigo da licença geral deste blogue: a reprodução é livre para fins não lucrativos e desde que seja atribuída a autoria.
No primeiro gráfico, abaixo, constatamos que Patinha Antão e Passos Coelho não tinham presença mediática nos dois meses anteriores à demissão de Menezes. Santana Lopes foi o mais mencionado, naturalmente devido ao seu cargo na Assembleia (ver gráficos parcelares mais abaixo):

Os ganhos de visibilidade são notórios no gráfico seguinte. Ferreira Leite salta para a ribalta. Patinha Antão consegue furar até aos jornais e Passos Coelho ganha estatuto — a medição que levei a cabo confirma o que se podia previar no início da campanha: LER CONTINUAÇÃO :.
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Da credibilidade ao suspiro de alívio dos vidamas do PSD
Acredibilidade é, em campanha eleitoral, um auto-colante como os outros. Raramente gruda e quando cola não resiste muito tempo.
Uma candidata que se apresenta sem discurso, sem campanha e sem direcção, a quem vão soprando à pressa umas frases “sociais” para as entrevistas na televisão, apostando tudo no facto de a sua face ser conhecida e representar a “credibilidade” como se este chavão significasse alguma coisa, é uma candidata para perder eleições internas de vida ou de morte, como estas que o PSD decidiu em boa hora atravessar (um ponto para Menezes, por se ter retirado).
Em o último líder do PSD? Rui Ramos traça um quadro sem ilusões sobre o partido e o que representam efectivamente os 3 candidatos. Nele diz, entre outras recomendáveis frases, isto: “talvez Passos Coelho seja o único dos candidatos em condições de não ser o último líder do PSD“. E também fala sobre as “bases” — outro erro de perspectiva de quem nos quer fazer crer que acredita (dever) ser o PSD um partido de elites, ou pelo menos um partido das elites em que “o povo” aposta para defender a causa pública.
Recomendo a sua leitura.
A minha aposta mantem-se, o meu palpite começa a ganhar consistência. A candidata que aceitou dar a cara pela estratégia da credibilidade está em vias de perder o confronto no PSD.
O que, vistas as coisas pelo prisma pragmático, a todos permitirá cantar vitória: ao menos não ganha Santana Lopes. É assim que os vidamas do PSD vão filosoficamente encaixar a derrota. A nenhum deles repugna Passos Coelho. E creio que para alguns, intimamente, este é a escolha certa, mas não poderiam dizer que não a Manuela Ferreira Leite.
Tudo está bem quando acaba bem.
(Siga a cronologia das directas)
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Quem foi ao mar perdeu o lugar
O leitor Nuno Pedrosa questionou a importância que (aos olhos dele) eu darei à web 2.0, num debate interessante que partiu da invisibilidade de Pedro Passos Coelho na Internet, seja na web 1.0 como na web 2.0, ou que número for.
A importância pode medir-se por diversas escalas. Eis uma delas.
Pedro Passos Coelho
tem o site oficial no domínio passoscoelho.info. Este domínio foi registado no Joker em 28 de Abril de 2008 — na passada quarta-feira, curiosamente no mesmo dia em que eu escrevi aquele artigo — por um indivíduo de Santarém.
O domínio pedropassoscoelho.info fora registado 8 dias antes, a 20 de Abril de 2008, por um indivíduo de Lisboa. Está a redirecionar para o primeiro. LER CONTINUAÇÃO :.
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Dados curiosos sobre as directas do PSD e a Internet
Encontrei dados curiosos sobre a presença na Internet dos candidatos nas actuais directas do PSD durante a recolha informação para um artigo onde respondo às inquietações do leitor Nuno Pedrosa, que questionou a importância da web 2.0. O artigo virá para os arquivos de C! alguns dias depois da publicação original no Expresso multimedia, onde já se pode ler: PSD e seus candidatos na web: quem foi ao mar perdeu o lugar.
Os dados, que vão servindo de complemento: LER CONTINUAÇÃO :.
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O que Pedro Santana Lopes tem
Pedro Santana Lopes tem um passado. Tem um passado difícil de apresentar aqui e ali — mas tem um passado. Tem um passado a disputar eleições. Tem um passado a ganhar eleições. Tem um passado partidário sem paralelo em Portugal. É um dos mais combativos políticos portugueses, talvez o mais combativo.
Eu, que não sou filiado no PSD, se fosse, hesitava em dar o meu voto a este homem ou a Passos Coelho.
Talvez acabasse por me virar para PSL.
Tem uma experiência acumulada notável — e eu sou como Bill Gates, que nos tempos áureos da Microsoft ia recrutar altos quadros às empresas que iam falindo, o que deve ser levando em conta nesta altura em que a empresa trava uma luta.
Em quem eu não votaria, certamente!, era em Manuela Ferreira Leite.
Não por falta de simpatia — simpatizo mais com ela do que com os dois supracitados. Ou pelas suas evidentes qualidades apreciáveis em qualquer político, incluindo os dois supracitados: discurso rectilíneo, preserverança, ideias fixas.
Mas MFL representa o lado do PSD que a sociedade portuguesa, eu incluído, tem vindo a recusar: o lado “baronil”, uma visão da política democrática que é no mínimo redutora. A política de salão, onde um grupo mais ou menos homogéneo discute / distribui entre si o que houver na mesa, apresentando depois os cozinhados para a legitimação dos congressistas, eles próprios previamente engajados em “exércitos” de “barões” e de tendências.
Esta visão da política fez sentido, posso admitir, num determinado período histórico. Mas esse ciclo já se fechou. O ciclo das figuras encerrou-se com o terceiro lugar de Mário Soares nas directas do Partido Socialista. O Partido Social Democrata também vai, finalmente, encerrar o seu ciclo de figuras.
A política hoje faz-se com outro tipo de pessoas, com outro tipo de atitudes perante a sociedade. Para o bem ou para o mal, conforme a perspectiva, a verdade é que mudou.
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