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Energia nuclear é passado, futuro passa por economizar

reactor nuclearSinteticamente, a mensagem do ex-ministro alemão e conhecido “verde”, Jürgen Trittin, é: a energia nuclear é passado, o futuro passa por economizar. Eu, que tenho hoje uma abertura maior ao nuclear e não me oporia à construção de centrais em Portugal, penso porém que Jürgen Trittin marcou um ponto na sua entrevista ao El País.
Cheguei à entrevista, “El nuclear es un debate del pasado, no del futuro”, através de Pedro Dória, que tem um post curto e grosso sobre o assunto. De onde destaco (negrito meu):
O caminho, ele argumenta, não é este. Os que os europeus precisam fazer é enfrentar o fato de que importam 75% de sua energia. Precisam, portanto, economizá-la. Sai mais barato, coisa aconselhável em tempos de crise, e é melhor para o ambiente. É sua receita, aliás, para o mundo todo. Na Alemanha, a regulamentação para as construção de casas é rigorosa. Devem ter, por exemplo, isolamento térmico, que economiza na refrigeração ou no aquecimento do ambiente. É uma obra que se paga na conta de luz. O carro, evidentemente, deve ficar em casa de vez em quando“.

Gasolina no Tratado de Lisboa: o previsível e o imprevisível

Eu sou europeísta. Como tal, caiu-me mal o (previsível) desfecho do referendo irlandês.
Eu sou pessimista relativamente às crises de todos os tipos que o (previsível) fim da economia do petróleo acarretará, ou já começou a acarretar, e portanto caiu-me bem a forma magistral como o governo geriu a mini crise aberta pela reacção dos transportadores à alta da gasolina.
Eu sou preguiçoso e portanto não me apetece escrever muita prosa sobre os dois assuntos políticos da semana. Mas além dos textos lógicos sobre o Tratado de Lisboa, por Vital Moreira no causa nossa, e parafraseando-o, encontrei um post que gostava de ter escrito: a circularidade do quadrado, de Valupi, no Aspirina B.
Ora leiam:

“pejadinhos dos vícios que consistem em tentar que nada se altere de fundamental na política portuguesa [Pacheco Pereira e Marcelo Rebelo de Sousa] ficaram banzos com a gestão e desenlace da crise dos transportadores. Nunca tal tinham visto cá na terrinha, sabendo perfeitamente que eles próprios não saberiam lidar com a situação — e não amam Portugal o suficiente para reconhecerem que o Governo assumiu profissionalmente uma situação que era nova e imprevisível”

Eu, que nada tenho a ver com isto, também fiquei banzo. Estava à espera que Sócrates entrasse no plano inclinado e assim como assim podia desculpar-se a conjuntura e a origem alienígena do preço dos combustíveis. Optou por mostrar que sabe negociar. Viva a surpresa.

Mira Amaral basicamente chamou sequestradores aos camionistas em paralização

Mira Amaral basicamente chamou sequestradores aos camionistas em paralização, há instantes na SIC Notícias.
Basicamente, penso que ele tem razão.
Os sequestradores têm as vistas tão curtas como os sequestrados e os seus governantes ao longo das últimas três décadas.
Eu compreendo a loucura e o desespero dos camionistas. Mas não se matam leões com fisgas, nem moscas com carabina. Basicamente, é o que eles estão a querer fazer. Desastrados à nascença, desastrados para sempre.

O fim da economia do petróleo

Os autores de livros “pessimistas” sobre o fim da economia do petróleo, apedrejados pelos liberais e outros centuriões dos abastados deste sistema, estão nesta altura a rir-se amargamente. Nem o mais pessimista dos pessimistas acertou na data e no timing. Começou ainda antes de terminar a primeira década do século XXI.
Mas todos eles previram o que já alguns visionários, entre cientistas e autores de fc, sabiam desde os anos 60, e algumas aventesmas lunáticas tinham gritado em barricadas ao longo dos 70/80. Que o fim do petróleo ia ser muito, mas mesmo muito mau social e politicamente. Que a economia do petróleo terminaria muito antes do próprio petróleo começar a escassear. Que “devíamos” procurar alternativas energéticas.
Foram apedrejados pelos pais e tios dos actuais defensores do status quo financeiro, adeptos do canhão para manter as massas à distância.
É claro como a água que a sociedade hoje estaria maioritariamente melhor, e mais preparada para o fim da economia do petróleo, se tem começado nessa altura. É igualmente claro como a água que as minorias a quem não interessava então gastar os lucros, nem desviar os negócios, combateram com sucesso todos e cada um dos doidos da aldeia que gritaram lobo.
Apocalíptico, eu? Bem longe disso. A situação só vai piorar.

Avestruzes

Os liberais e outros que tais continuam a achar que não se passa nada e que as reacções às ondas de choque do preço do petróleo são uma questão de (des)ordem pública, regulável pelo exercício judicial.
Comam brioche, não é?
É.

Como se assiste, o 11 de Setembro foi em vão

Como se assiste, o 11 de Setembro foi em vão. Para quê imolarem-se num altar de fogo, quando podem sentar-se e assistir de poltrona à confusão completa?
O verdadeiro terrorismo, vamos agora vê-lo e senti-lo.

Podemos viver com o petróleo caro?

Será que podemos viver com o petróleo caro? A questão foi tratada na edição de sábado do Expresso e este tema é o mais interessante na minha perspectiva de leitor.
Os preços baixos acabaram na alimentação e na energia. Anda pelas duas dezenas o número de aumentos dos combustíveis deste ano. E entre 2003 e 2008 os preços do barril de crude triplicaram. Seja por acção dos especuladores financeiros, seja por manobras ou contingências dos países produtores, seja por acção das petrolíferas, a verdade é que hoje ninguém se atreve a dizer que a escalada de preços vai parar. Num mundo que consume o equivalente a uma piscina olímpica cheia de petróleo em cada 15 segundos e em que mais de 80% da energia ainda vem dos combustíveis fósseis, que futuro nos espera? Quanto vai custar a gasolina dentro de três, quatro ou cinco anos? Se nos transportes vão surgindo alternativas e formas de poupança, noutros sectores, como a pesca e a agricultura, a energia continua dependente do velho ouro negro. À escassez de alimentos junta-se a subida dos custos de produção e os preços não vão parar. Como vai responder a sociedade: uma adaptação ou uma mudança de paradigma? As pessoas vão apertar o cinto ou as convulsões sociais vão aumentar?
Para já, não há dúvidas: além de apertar o cinto, as convulsões sociais vão aumentar. Em Londres li na semana passada uma notícia de arrepiar: LER CONTINUAÇÃO :.