Mais um grande exemplo da nova credibilidade do PSD
Tragam essa informação ao Parlamento, não nos mande para a Internet, não estamos ainda na democracia plebiscitária de Internet, estamos numa democracia formal, onde o Parlamento tem desde há 800 anos a competência orçamental“, palavras triunfantes do líder parlamentar do PSD, Paulo Rangel, hoje no debate do Estado da Nação.
Mais disse: “é muito simples, é trazer uma folha A4 ao Parlamento que diga: investimento A, encargo financeiro X, investimento B, encargo financeiro Y, ano a ano e por décadas“.
É assim mesmo! É assim que se constrói a credibilidade de um partido! Qual Internet, qual órgão sexual masculino! A política faz-se numa folha A4! Os cidadãos podem esperar! Prioridade, prioridade! Primeiro, o Parlamento! Onde é que já se viu isto, querem lá ver, agora, o povo ter acesso aos documentos públicos! Heresia!
As chaves de São Bento. A ler
As Chaves de São Bento, por Diogo Vasconcelos em A geração de 60. A ler.
A quem serão entregues as chaves da Casa Branca no dia 20 de Janeiro de 2009? E as de São Bento, daqui a um ano e meio?
O partido dos 3
O PSD rege-se pelo número 3. Tem 3 palavras no nome: Partido Social Democrata. Há 3 anos que não é poder (Santana foi o seu último Primeiro Ministro, apeado em 2005).
No número 3 está, também, a salvação do partido no curto prazo (ler última frase deste artigo sobretudo humorístico).
A regra dos 3 nomes é cada vez mais uma imposição: não parece simplesmente possível fazer carreira de dentro para dentro do partido ou de fora para dentro sem ter 3 nomes. O que era tendência desde a fundação virou obrigação. Luis Filipe Menezes tem 3 nomes. Pacheco Pereira é cada vez mais José. Manuela Ferreira Leite. Marcelo Rebelo de Sousa. Pedro Santana Lopes. Mário Patinha Antão. Pedro Passos Coelho.
Como reza a Wikipedia, o Partido Social Democrata foi fundado (em 6 de Maio de 1974) por Francisco Sá Carneiro, Francisco Pinto Balsemão e Joaquim Magalhães Mota sob o nome Partido Popular Democrático (PPD).
A nomenklatura social democrata é curiosa.
A ficha na Wikipedia é assaz pertinente para esta magna análise: LER CONTINUAÇÃO :.
Perdi a aposta. Ganhou o Governo
Eu tinha apostado que Manuela Ferreira Leite não ganhava estas directas. Perdi a aposta — e não vem daí mal algum ao mundo, pelo menos ao mundo fora do PSD. José Sócrates — o Sortudo –, o governo e o PS respiraram de alívio. O PSD tornou-se um partido previsível, cinzento, cortês e, vá lá, credível, para os próximos dois ou três anos. Se lá chegar inteiro.
Sumário: as directas do PSD aqui, no Certamente
Segui com algum cuidado as eleições directas do PSD, que estão em vias de terminar daqui a menos de duas horas, com o fecho das urnas.
Fiz algum comentário pessoal também, naturalmente despretencioso, Mas o que pretendo neste sumário é realçar e agrupar o trabalho mais sério, uma vez que foi a primeira vez que usei este webzine para, de forma sistematizada, fazer investigação usando técnicas jornalísticas, obtendo resultados objectivos.
Fica então aqui a lista dos 4 artigos + 1 webservice que considero relevantes.
- Directas no PSD: quem já ganhou o quê, 31 de Maio, um levantamento da quantidade de menções aos candidatos nos mainstream media e nos blogues, com gráficos e tabelas. Um trabalho único.
- Candidatos do PSD menosprezam web social, 21 de Maio, post onde lanço o artigo meu que saiu no Público nesse mesmo dia. 3 páginas, das quais uma ocupada pelo coração desta reportagem assistida por computador: a infografia que mostra a relação de cada um dos candidatos com a Internet e a web social, com outros políticos portugueses e internacionais para comparação. Outro trabalho único.
- Quem foi ao mar perdeu o lugar, 6 de Maio, apresenta a relação das candidaturas com os domínios que viriam a servir para os sites de campanha, ou pessoais dos candidatos. Quem comprou o quê, em que altura.
- Dados curiosos sobre as directas do PSD e a Internet, 4 de Maio, com informação recolhida no decurso do levantamento para o artigo de fundo (que viria a ser publicado no Público).
- Eleições no PSD: cronologia, Maio, uma aplicação que permitiu seguir ao minuto o que foi sendo publicado sobre as directas.
Directas no PSD: quem já ganhou o quê
O sufrágio decorre ao longo do dia de hoje, mas nas directas do PSD já há vencedores. Um levantamento nos meios e na blogosfera permite perceber quem já ganhou o quê, ainda antes de ser encontrado o próximo presidente.
Os gráficos seguintes não pretendem outra coisa senão lançar um exercício de análise sobre eventuais tendências a partir da menções na Imprensa e nos blogues. Não tive tempo para grandes análises, mas penso que os gráficos (recorri ao Google charts) merecem ser interpretados, pelo que sintam-se à vontade para os copiar. São aqui publicados ao abrigo da licença geral deste blogue: a reprodução é livre para fins não lucrativos e desde que seja atribuída a autoria.
No primeiro gráfico, abaixo, constatamos que Patinha Antão e Passos Coelho não tinham presença mediática nos dois meses anteriores à demissão de Menezes. Santana Lopes foi o mais mencionado, naturalmente devido ao seu cargo na Assembleia (ver gráficos parcelares mais abaixo):

Os ganhos de visibilidade são notórios no gráfico seguinte. Ferreira Leite salta para a ribalta. Patinha Antão consegue furar até aos jornais e Passos Coelho ganha estatuto — a medição que levei a cabo confirma o que se podia previar no início da campanha: LER CONTINUAÇÃO :.
5 opiniões
del.icio.us
DoMelhor
Uma campanha cordata
Ainda a propósito da visão da TVI sobre a campanha das primárias no PSD, digam-me que não fui eu quem alucinou a ver uma campanha cordata, talvez a mais cordata e civilizada de que tenho memória em Portugal (falo de campanhas vivas, não de aclamações “legitimadas” por um sparring-partner ocasional).





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