Sumário: as directas do PSD aqui, no Certamente
Segui com algum cuidado as eleições directas do PSD, que estão em vias de terminar daqui a menos de duas horas, com o fecho das urnas.
Fiz algum comentário pessoal também, naturalmente despretencioso, Mas o que pretendo neste sumário é realçar e agrupar o trabalho mais sério, uma vez que foi a primeira vez que usei este webzine para, de forma sistematizada, fazer investigação usando técnicas jornalísticas, obtendo resultados objectivos.
Fica então aqui a lista dos 4 artigos + 1 webservice que considero relevantes.
- Directas no PSD: quem já ganhou o quê, 31 de Maio, um levantamento da quantidade de menções aos candidatos nos mainstream media e nos blogues, com gráficos e tabelas. Um trabalho único.
- Candidatos do PSD menosprezam web social, 21 de Maio, post onde lanço o artigo meu que saiu no Público nesse mesmo dia. 3 páginas, das quais uma ocupada pelo coração desta reportagem assistida por computador: a infografia que mostra a relação de cada um dos candidatos com a Internet e a web social, com outros políticos portugueses e internacionais para comparação. Outro trabalho único.
- Quem foi ao mar perdeu o lugar, 6 de Maio, apresenta a relação das candidaturas com os domínios que viriam a servir para os sites de campanha, ou pessoais dos candidatos. Quem comprou o quê, em que altura.
- Dados curiosos sobre as directas do PSD e a Internet, 4 de Maio, com informação recolhida no decurso do levantamento para o artigo de fundo (que viria a ser publicado no Público).
- Eleições no PSD: cronologia, Maio, uma aplicação que permitiu seguir ao minuto o que foi sendo publicado sobre as directas.
Directas no PSD: quem já ganhou o quê
O sufrágio decorre ao longo do dia de hoje, mas nas directas do PSD já há vencedores. Um levantamento nos meios e na blogosfera permite perceber quem já ganhou o quê, ainda antes de ser encontrado o próximo presidente.
Os gráficos seguintes não pretendem outra coisa senão lançar um exercício de análise sobre eventuais tendências a partir da menções na Imprensa e nos blogues. Não tive tempo para grandes análises, mas penso que os gráficos (recorri ao Google charts) merecem ser interpretados, pelo que sintam-se à vontade para os copiar. São aqui publicados ao abrigo da licença geral deste blogue: a reprodução é livre para fins não lucrativos e desde que seja atribuída a autoria.
No primeiro gráfico, abaixo, constatamos que Patinha Antão e Passos Coelho não tinham presença mediática nos dois meses anteriores à demissão de Menezes. Santana Lopes foi o mais mencionado, naturalmente devido ao seu cargo na Assembleia (ver gráficos parcelares mais abaixo):

Os ganhos de visibilidade são notórios no gráfico seguinte. Ferreira Leite salta para a ribalta. Patinha Antão consegue furar até aos jornais e Passos Coelho ganha estatuto — a medição que levei a cabo confirma o que se podia previar no início da campanha: LER CONTINUAÇÃO :.
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Uma campanha cordata
Ainda a propósito da visão da TVI sobre a campanha das primárias no PSD, digam-me que não fui eu quem alucinou a ver uma campanha cordata, talvez a mais cordata e civilizada de que tenho memória em Portugal (falo de campanhas vivas, não de aclamações “legitimadas” por um sparring-partner ocasional).
Pedro Passos Coelho
Antes de ler seja quem for, para ter uma opinião directa, não influenciada: Pedro Passos Coelho mostrou-se claramente acima dos competidores na corrida das directas do PSD.
Dogmática e cada vez mais casmurra, Manuela Ferreira Leite só sabe uma palavra: credibilidade. Se alguém diz ou não diz, não interessa, porque não tem credibilidade, “é uma afirmação como qualquer outra“. Só ela a tem. E conta que os eleitores do partido levem isso em consideração. É, de resto, tudo com que ela conta.
A cabeça vai tombando a Ferreira Leite. Esta noite, no último debate, a 72 horas da eleição, apresentou-se cabisbaixa e encurralada.
Santana Lopes continua a combater — o que abona a seu favor.
Patinha Antão é agradável e tem um discurso límpido.
Quando Passos Coelho fala consegue captar a atenção. A sua voz é escutada (pelos outros candidatos). Apresenta um discurso fresco, tem duas ou três teclas bastante boas (realistas), consegue doseá-las (Santana Lopes, por exemplo, não consegue, mistura tudo).
Penso que a minha aposta está ganha.
Da credibilidade ao suspiro de alívio dos vidamas do PSD
Acredibilidade é, em campanha eleitoral, um auto-colante como os outros. Raramente gruda e quando cola não resiste muito tempo.
Uma candidata que se apresenta sem discurso, sem campanha e sem direcção, a quem vão soprando à pressa umas frases “sociais” para as entrevistas na televisão, apostando tudo no facto de a sua face ser conhecida e representar a “credibilidade” como se este chavão significasse alguma coisa, é uma candidata para perder eleições internas de vida ou de morte, como estas que o PSD decidiu em boa hora atravessar (um ponto para Menezes, por se ter retirado).
Em o último líder do PSD? Rui Ramos traça um quadro sem ilusões sobre o partido e o que representam efectivamente os 3 candidatos. Nele diz, entre outras recomendáveis frases, isto: “talvez Passos Coelho seja o único dos candidatos em condições de não ser o último líder do PSD“. E também fala sobre as “bases” — outro erro de perspectiva de quem nos quer fazer crer que acredita (dever) ser o PSD um partido de elites, ou pelo menos um partido das elites em que “o povo” aposta para defender a causa pública.
Recomendo a sua leitura.
A minha aposta mantem-se, o meu palpite começa a ganhar consistência. A candidata que aceitou dar a cara pela estratégia da credibilidade está em vias de perder o confronto no PSD.
O que, vistas as coisas pelo prisma pragmático, a todos permitirá cantar vitória: ao menos não ganha Santana Lopes. É assim que os vidamas do PSD vão filosoficamente encaixar a derrota. A nenhum deles repugna Passos Coelho. E creio que para alguns, intimamente, este é a escolha certa, mas não poderiam dizer que não a Manuela Ferreira Leite.
Tudo está bem quando acaba bem.
(Siga a cronologia das directas)
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DoMelhor
Candidatos do PSD menosprezam web social
Candidatos do PSD menosprezam web social — é o título da capa do P2 de hoje, com chamada à primeira página do Público (link). Lá dentro, 3 páginas, das quais uma ocupada pelo coração desta reportagem assistida por computador: a infografia que mostra a relação de cada um dos candidatos com a Internet e a web social, com outros políticos portugueses e internacionais para comparação.
A recolha de dados para a infografia foi mais trabalhosa do que propriamente a escrita da peça, que tem 15.000 caracteres (2.500 palavras).
É claro que recomendo a leitura deste artigo — o meu primeiro artigo fora do Expresso em muitos anos, não sou capaz de recordar qual foi a última vez, antes desta, que publiquei noutro jornal. Isto torna-me publicamente o que eu já era oficialmente: um jornalista free-lancer.
Mas há algo a acrescentar.
Este tipo de reportagens tem o problema do tempo. Para terem uma ideia, desde que a peça foi aprovada pelos editores do Público até à sua edição final os dados para a infografia mudaram por 3 vezes. A questão passa pelo tempo de execução, normal numa publicação como o Público: este artigo foi começado há quatro semanas, o primeiro draft para a infografia tem esse tempo (publicarei aqui em breve), a aprovação foi rápida, mas a oportunidade de publicação não tanto, devido ao calendário do P2.
Mas passa também, e sobretudo, pela rapidez com que tudo muda na web.
Quando comecei a recolha de dados, nenhum candidato tinha site próprio. Nessa semana foram registados quatro. (Santana Lopes registou o seu já a peça estava aprovada no Público.)
Pedro Passos Coelho foi quem mais mudanças obrigou — o que é bom sinal para ele. Até ao dia 4 de Maio, não tinha ficha na Wikipedia — só descobri esta numa das rondas de verificação de dados, já nos últimos dias antes da publicação (no fim de semana).
Pedro Santana Lopes não tinha Flickr e passou a ter.
O meu drama, que passei à Isabel Salema, era a inevitável data de fecho da infografia. Se ocorresse demasiado cedo em relação à data de publicação, os riscos de desactualização aumentavam.
Eu não conhecia a capacidade de resposta do Público e por outro lado há décadas que não seguia o ritmo dos diários (passei 20 anos em ritmo de semanário e no online, mas no online não há sujeições deste tipo). Fiquei tranquilo. Pudemos mudar o último dado (ficha de Passos Coelho na Wikipedia, mais 10 pontos) na véspera. Ontem às seis da tarde ainda se fez uma verificação final, com a infografia aberta.
Vou publicar mais tarde o quadro completo, actualizável e actualizado que originou a infografia, estou a pensar em que formato e até que grau de interactividade.
Até lá, um obrigado à equipa do Público e em particular ao António Granado e à Isabel Salema.
Enquanto não publico mais informação sobre as directas do PSD
Enquanto não publico mais informação sobre as directas do PSD, relevante na exposição que faz da relação dos candidatos com a infoesfera (media + blogosfera), recordo que podeis seguir a timeline.
A informação está para breve — mas comecarei por a colocar na edição multimedia do Expresso.







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