O partido dos 3
O PSD rege-se pelo número 3. Tem 3 palavras no nome: Partido Social Democrata. Há 3 anos que não é poder (Santana foi o seu último Primeiro Ministro, apeado em 2005).
No número 3 está, também, a salvação do partido no curto prazo (ler última frase deste artigo sobretudo humorístico).
A regra dos 3 nomes é cada vez mais uma imposição: não parece simplesmente possível fazer carreira de dentro para dentro do partido ou de fora para dentro sem ter 3 nomes. O que era tendência desde a fundação virou obrigação. Luis Filipe Menezes tem 3 nomes. Pacheco Pereira é cada vez mais José. Manuela Ferreira Leite. Marcelo Rebelo de Sousa. Pedro Santana Lopes. Mário Patinha Antão. Pedro Passos Coelho.
Como reza a Wikipedia, o Partido Social Democrata foi fundado (em 6 de Maio de 1974) por Francisco Sá Carneiro, Francisco Pinto Balsemão e Joaquim Magalhães Mota sob o nome Partido Popular Democrático (PPD).
A nomenklatura social democrata é curiosa.
A ficha na Wikipedia é assaz pertinente para esta magna análise: LER CONTINUAÇÃO :.
Perdi a aposta. Ganhou o Governo
Eu tinha apostado que Manuela Ferreira Leite não ganhava estas directas. Perdi a aposta — e não vem daí mal algum ao mundo, pelo menos ao mundo fora do PSD. José Sócrates — o Sortudo –, o governo e o PS respiraram de alívio. O PSD tornou-se um partido previsível, cinzento, cortês e, vá lá, credível, para os próximos dois ou três anos. Se lá chegar inteiro.
Sumário: as directas do PSD aqui, no Certamente
Segui com algum cuidado as eleições directas do PSD, que estão em vias de terminar daqui a menos de duas horas, com o fecho das urnas.
Fiz algum comentário pessoal também, naturalmente despretencioso, Mas o que pretendo neste sumário é realçar e agrupar o trabalho mais sério, uma vez que foi a primeira vez que usei este webzine para, de forma sistematizada, fazer investigação usando técnicas jornalísticas, obtendo resultados objectivos.
Fica então aqui a lista dos 4 artigos + 1 webservice que considero relevantes.
- Directas no PSD: quem já ganhou o quê, 31 de Maio, um levantamento da quantidade de menções aos candidatos nos mainstream media e nos blogues, com gráficos e tabelas. Um trabalho único.
- Candidatos do PSD menosprezam web social, 21 de Maio, post onde lanço o artigo meu que saiu no Público nesse mesmo dia. 3 páginas, das quais uma ocupada pelo coração desta reportagem assistida por computador: a infografia que mostra a relação de cada um dos candidatos com a Internet e a web social, com outros políticos portugueses e internacionais para comparação. Outro trabalho único.
- Quem foi ao mar perdeu o lugar, 6 de Maio, apresenta a relação das candidaturas com os domínios que viriam a servir para os sites de campanha, ou pessoais dos candidatos. Quem comprou o quê, em que altura.
- Dados curiosos sobre as directas do PSD e a Internet, 4 de Maio, com informação recolhida no decurso do levantamento para o artigo de fundo (que viria a ser publicado no Público).
- Eleições no PSD: cronologia, Maio, uma aplicação que permitiu seguir ao minuto o que foi sendo publicado sobre as directas.
Directas no PSD: quem já ganhou o quê
O sufrágio decorre ao longo do dia de hoje, mas nas directas do PSD já há vencedores. Um levantamento nos meios e na blogosfera permite perceber quem já ganhou o quê, ainda antes de ser encontrado o próximo presidente.
Os gráficos seguintes não pretendem outra coisa senão lançar um exercício de análise sobre eventuais tendências a partir da menções na Imprensa e nos blogues. Não tive tempo para grandes análises, mas penso que os gráficos (recorri ao Google charts) merecem ser interpretados, pelo que sintam-se à vontade para os copiar. São aqui publicados ao abrigo da licença geral deste blogue: a reprodução é livre para fins não lucrativos e desde que seja atribuída a autoria.
No primeiro gráfico, abaixo, constatamos que Patinha Antão e Passos Coelho não tinham presença mediática nos dois meses anteriores à demissão de Menezes. Santana Lopes foi o mais mencionado, naturalmente devido ao seu cargo na Assembleia (ver gráficos parcelares mais abaixo):

Os ganhos de visibilidade são notórios no gráfico seguinte. Ferreira Leite salta para a ribalta. Patinha Antão consegue furar até aos jornais e Passos Coelho ganha estatuto — a medição que levei a cabo confirma o que se podia previar no início da campanha: LER CONTINUAÇÃO :.
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Uma campanha cordata
Ainda a propósito da visão da TVI sobre a campanha das primárias no PSD, digam-me que não fui eu quem alucinou a ver uma campanha cordata, talvez a mais cordata e civilizada de que tenho memória em Portugal (falo de campanhas vivas, não de aclamações “legitimadas” por um sparring-partner ocasional).
Pedro Passos Coelho
Antes de ler seja quem for, para ter uma opinião directa, não influenciada: Pedro Passos Coelho mostrou-se claramente acima dos competidores na corrida das directas do PSD.
Dogmática e cada vez mais casmurra, Manuela Ferreira Leite só sabe uma palavra: credibilidade. Se alguém diz ou não diz, não interessa, porque não tem credibilidade, “é uma afirmação como qualquer outra“. Só ela a tem. E conta que os eleitores do partido levem isso em consideração. É, de resto, tudo com que ela conta.
A cabeça vai tombando a Ferreira Leite. Esta noite, no último debate, a 72 horas da eleição, apresentou-se cabisbaixa e encurralada.
Santana Lopes continua a combater — o que abona a seu favor.
Patinha Antão é agradável e tem um discurso límpido.
Quando Passos Coelho fala consegue captar a atenção. A sua voz é escutada (pelos outros candidatos). Apresenta um discurso fresco, tem duas ou três teclas bastante boas (realistas), consegue doseá-las (Santana Lopes, por exemplo, não consegue, mistura tudo).
Penso que a minha aposta está ganha.
Da credibilidade ao suspiro de alívio dos vidamas do PSD
Acredibilidade é, em campanha eleitoral, um auto-colante como os outros. Raramente gruda e quando cola não resiste muito tempo.
Uma candidata que se apresenta sem discurso, sem campanha e sem direcção, a quem vão soprando à pressa umas frases “sociais” para as entrevistas na televisão, apostando tudo no facto de a sua face ser conhecida e representar a “credibilidade” como se este chavão significasse alguma coisa, é uma candidata para perder eleições internas de vida ou de morte, como estas que o PSD decidiu em boa hora atravessar (um ponto para Menezes, por se ter retirado).
Em o último líder do PSD? Rui Ramos traça um quadro sem ilusões sobre o partido e o que representam efectivamente os 3 candidatos. Nele diz, entre outras recomendáveis frases, isto: “talvez Passos Coelho seja o único dos candidatos em condições de não ser o último líder do PSD“. E também fala sobre as “bases” — outro erro de perspectiva de quem nos quer fazer crer que acredita (dever) ser o PSD um partido de elites, ou pelo menos um partido das elites em que “o povo” aposta para defender a causa pública.
Recomendo a sua leitura.
A minha aposta mantem-se, o meu palpite começa a ganhar consistência. A candidata que aceitou dar a cara pela estratégia da credibilidade está em vias de perder o confronto no PSD.
O que, vistas as coisas pelo prisma pragmático, a todos permitirá cantar vitória: ao menos não ganha Santana Lopes. É assim que os vidamas do PSD vão filosoficamente encaixar a derrota. A nenhum deles repugna Passos Coelho. E creio que para alguns, intimamente, este é a escolha certa, mas não poderiam dizer que não a Manuela Ferreira Leite.
Tudo está bem quando acaba bem.
(Siga a cronologia das directas)
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Olá, o meu nome é Paulo Querido e Certamente! é o meu webzine pessoal. Sou jornalista free lance, escrevo livros e artigos (e também algum código) sobre a net e na net desde 1989. (
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