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Aqui e agora, SIC: ponto de situação

O meu primeiro artigo sobre o programa Aqui e Agora, onde contrapus que a televisão e os jornais parecem ter sido inventadas para servir as piores características de Miguel Sousa Tavares, tem tido bastante saída, liderando a tabela dos mais lidos desde que foi publicado. Daí que decidi fazer um ponto de situação.
O assunto — as debilidades do programa, onde dois comentaristas e um pivot revelaram ignorância acerca das, e não se coibiram de evidenciar o seu profundo e irracional medo das, Internet e blogosfera, que supostamente iriam analisar — foi seguido em profusão no meio, a despeito dos blogues de mundanices, em regra atreitos a cair em cima deste tipo de coisas, andar distraído com as directas do PSD.
O Benjamin Junior (do Obvious) tem no seu blogue pessoal, recém criado, a mais completa lista de artigos e posts com as reacções dos bloggers portugueses — só lá falta a visão conspirativa de Balbino Caldeira e José Maria Martins, segundo a qual o programa é apenas uma cabala internacional entre José Sócrates, Francisco Balsemão, o grupo Bilderberg, a Internacional Socialista, o jornalista Lourenço Medeiros e a Direcção de Informação da SIC para denegrir o blogue do primeiro que, como se sabe (e ele não nos deixa esquecer), revelou ao mundo a Maior Das Cachas sobre o carácter do nosso Primeiro, sendo desde então Injustamente Perseguido Por Dizer A Verdade, mas vale-lhe que tem o exército da blogosfera para o defender (se acham que estou a exagerar, procurem os comentários de Caldeira no blogue do advogado e não só, e julguem por vós. Ah, e leiam isto: Eis a Prova de que a SIC montou o programa de ontem para envolver o julgamento do Prof. Caldeira do blogue DOPORTUGALPROFUNDO.)

Para completar o ponto de situação, a lista dos posts que eu publiquei sobre o caso, com destaque para o campeão de audiências, participação e conexões.

O Caso Da Rapariga De Biquini Na Internet

Nova contribuição para O Caso da Rapariga De Biquini Na Internet (desculpem não botar fotos ilustrativas do acontecimento. Isto não é o 24 Horas — nem a SIC, btw.)

Entrevistaram uma rapariga que, tanto quanto consegui perceber, não gostou que mais 30 ou 31 pessoas que compram o Jornal 24 Horas a vissem em biquini numa foto igual à que ela própria publicou na sua conta do Hi5 para que 2 mil biliões de internautas a vissem. Aceita ser vista por 2 mil biliões de pessoas, mas 2 mil biliões e 31 pessoas já é crime e chateia. Outra coisa que ela não gostou foi o nome da rubrica onde ela apareceu no jornal, que se chamava “Miúdas Giras na Net”. Ela preferia que a rubrica se chamasse apenas “Miúdas na Net” ou então só “Net”. Eu tenho que concordar com a opinião dela. Estou solidário!

Por AindaPiorBlog, aqui. Também assina Pin Telho Virtual, mais uma clara usurpação da identidade anónima que, infelizmente, é o apanágio dessa tal Internet.

As pitas do Hi5, as menores e as que já têm idade para ter juízo

De outro perigosíssimo facínora dos blogues, o anónimo Marco Santos, do ainda mais anónimo Bitaites, onde, consta, o próprio Bin Laden trafica escravas sexuais finlandesas e fotos de menores de bata na sala de aula (que querem, ele há taras para tudo), retiro esta ignomiosa calúnia:

Dizer que «a exposição pública da vida privada na Internet» (referindo-se às pitas do Hi5, as menores e as que já têm idade para ter juízo) «é uma enorme demonstração de solidão» e que «quanto maior a exposição, maior a solidão» é sem dúvida uma frase sonante. Fica no ouvido como um refrão dos Tokyo Hotel ou do Vítor Espadinha

(ler na íntegra, por favor, o debate na SIC sobre a Internet e os blogues)

Cara SIC, expliquem-me como se eu fosse assim muito loura

Uma senhora anda de biquini na praia, no Verão, e tira fotografias da sua pessoa nesses preparos. Algum tempo depois, abre um perfil num dos sites de engates mais conhecidos, com dezenas de milhões de utilizadores, e faz o upload de algumas dessas fotos para lá. Um dia, um jornal popular eleva-a à categoria das estrelas com direito a aparecerem, de biquini, impressas em falso couché de revista domigueira, usando essas fotos — e o programa da SIC consegue dar isto como um exemplo dos perigos da Internet?
Deve ter-me escapado qualquer coisa. Não deve ter sido engano, uma vez que a tesouraria do 24 Horas fica bastante longe da Outurela.

Come a papa senão chamo o senhor dos blogs

Rui Costa ruijscosta amanhã a ASAE vai começar a fechar blogs :)) mas só os menos higiénicos

Rui Costa ruijscosta @jjoaquim :D yap é bem verdade mas sabes o que é mesmo triste? é que foi na época da grande democracia que se disse o que se disse!

José Carlos jjoaquim acho que a frase que ficou por dizer no debate da sic foi: o que a Internet precisava era de um Salazar! :)

Miguel Albano malbano os meus 2 cêntimos sobre o que vi do programa - http://tinyurl.com/6j7seq - desisti a meio. não aguentei.
José Carlos jjoaquim já estou a preparar o quarto para o fiscal que vai verificar as minhas actividades online a partir de amanhã!
remixturesremixtures Muito pior do que os blogs sao os foruns… Anyway, tanto o tema como o angulo da reportagem e’ de um mau gosto tipicamente tuga
Rui Costa ruijscosta “come a papa senão chamo o senhor dos blogs”

Rui Costa ruijscosta @BrunoFigueiredo I’m sure you’ll love it! SIC’s finally trying to catch up with TVI :D

Bruno Figueiredo BrunoFigueiredo Shame I’m not in Portugal. That SIC debate must be entertaining as hell. Post it to Youtube, guys!

Mario Pires retorta @ruijscosta Aqui não é tanto a ignorância, será mais o ter receio de uma tecnologia que resiste a muitos controles e isso para eles é mau

Rui Costa ruijscosta @sergio tenho que ver aquilo outra vez. Ainda estou dormente :D

Rui Costa ruijscosta @retorta então mas a ignorância é uma doença da idade? :D Pensava que era a sabedoria. Nem que seja saber quando estar calado :))

Sergio sergio @ruijscosta @iPhil Também estava a ver. Inacreditável a quantidade de barbaridades.

Rui Costa ruijscosta ui amanhã vai ser um dia longo como caraças só para ler tanto post acerca desta pérola da informação

Rui Costa ruijscosta @retorta e @brunomiguel assustador informar desta forma

Mario Valente mvalente Os 3 “artistas” a falar na SIC sobre internet e blogues fazem-me lembrar os padres a falar sobre sexo e familia… they dont know shit…

Mario Pires retorta @ruijscosta a Internet como fonte de perigos, tantos como os de passear em alguns sítios de Lisboa sem cuidado

Mario Pires retorta @ruijscosta fui ver, realmente o que esperar de pessoas que só pensam em controle e pensamentos únicos

A televisão e os jornais parecem ter sido inventadas para servir as piores características de Miguel Sousa Tavares

Os blogues e a Internet parecem ter sido inventados para servir as piores características dos portugueses — disse Miguel Sousa Tavares numa peça que a SIC transmitiu esta noite.
Este tipo de afirmações gratuitas é um completo disparate, uma perda de tempo e um exercício de arrogância — mas dá bons títulos e vende papel. Eu, por exemplo, vou afirmar e sustentar o seguinte. A televisão e os jornais parecem ter sido inventadas para servir as piores características de Miguel Sousa Tavares: dizer o que lhe apetece sem cuidar de saber se é verdade o que diz ou informar-se sobre a realidade que acha que critica.
Como isto: “Eu acho que o acesso à Internet deveria estar dependente de uma pré-identificação perante o servidor de quem é o utilizador. Como o que se passa por exemplo em relação a esse cobarde que meteu na Internet uma acusação de plágio contra mim é que desapareceu de seguida, apagou o blogue onde estava, para não ser localizado“.
Não quero comentar a atitude policial de um liberal com provas dadas porque a todos nós pode escorregar o pé para o chinelo, fico apenas pela treta da conversa fiada que Miguel Sousa Tavares acha que, talvez por ser dito por ele na televisão, se torna verdade. A verdade é esta, ou melhor, as verdades são estas:

  1. o acesso à Internet ESTÁ DEPENDENTE DE UMA PRÉ-IDENTIFICAÇÃO. Não porque Miguel Sousa Tavares o ache adequado, mas porque é assim mesmo que funciona.
  2. O cobarde não “desapareceu” de seguida. O blogue podia ter sido recuperado (talvez ainda possa) para meio de prova e os registos estiveram acessíveis ao aparelho judicial, para o caso de uma investigação.

Miguel Sousa Tavares preferiu ficar a carpir mágoas e indignações, o que terá alguma utilidade na hora de projectar a sua imagem, como tem repetidamente comprovado no seu “conflito pessoal” com “a Internet”, esse monstro sem rosto.
MST falta à verdade quando diz que não pode levar a tribunal os anónimos que o vilipendiaram.
Pode. Pode levar a tribunal quantos John Does caluniadores quiser. Se não o fez, tem as suas razões. Conte-as num dos seus “blogues” (a forma pessoal como tem escrito e comentado na última década está na realidade mais perto do registo dos blogues que do registo dos jornalistas, sabia?).
E pode mais. Pode levar a tribunal pessoas devidamente identificadas que nas caixas de comentários de jornais como o Público e o Expresso (neste, na própria página da sua crónica) repetem as mesmíssimas acusações, e até outras do mesmo calibre, que copiaram do anónimo ou inventaram — fazendo-o com grande garbo e metendo o nome e a fotografia à frente, se os deixarem (eu sei porque li, consegui até apagar alguns dos javardolas, nos tempos em que tinha a “borracha”, e fui duramente criticado por isso — sim, já fui chamado de censor por apagar insultos à sua pessoa, Miguel.)
Porque não o faz em vez de continuar a responder com frases feitas a perguntas “inocentes” de propósito para lhe sacar o bélico — eis a Questão Essencial.

O chorrilho de disparates saído da boca de Moita Flores é de tal ordem que me recuso descer ao seu nível para tecer uma palavra que seja sobre a sua distância do real. Coloca-se a pertinente questão dos painéis de comentadores, chamados a opinar sobre os mais variados assuntos, mesmo aqueles que não dominam. Ou — como é o caso — pelos quais nutrem um antagonismo que expressam de forma primária. Coloca-se a questão do respeito. Eu respeito Moita Flores enquanto comentador de casos policiais (entre os melhores no affaire McCann), pelo que ele me obriga a um esforço para separar as coisas.
Neste tipo de painéis fixos, acabamos a seguir personalidades e opiniões, não seguimos assuntos.
Não é isto, é o que fulano pensa disto.
É o defeito deles — e está, sem dúvida, na origem de um programa injustamente falhado. Ao apostar nas já estafadas virgens histéricas da Internet para “analisar”, a SIC perdeu a oportunidade para um programa interessante. Exceptuando as questões dos enganos, a merda do costume onde só vão mudando as moscas, as reportagens de apoio estavam boas em geral e havia ali matéria para levar a sério. Claro, com gente que saiba disto. Se não confiam nos nacionais habilitados, importem. De Espanha. Dos EUA.

Caro Rogério Alves: não se restaura a noção de vida privada. Essa noção muda através dos tempos e já foi pior. O século XX foi um luxo sob vários aspectos e sob esse também.

Rodrigo: Uma vez na rede, para sempre na rede. Uma vez no mundo, para sempre no mundo. Uma vez na televisão, para sempre na televisão. Uma vez motard, para semre motard. É a vida, camarada. A rede é um imenso café onde conversamos uns com os outros. The world is my oyster.

Safou-se José Gameiro, que se manteve realista e dentro deste mundo.

A exposição e a vaidade também são facilitadas pela tecnologia, vamos portanto proibir a tecnologia. “Agora está uma trista palhaça morena, a qual não lhe apanhei o nome, que não tem problemas de ir de biquini para a praia e ser vista por milhares de desconhecidos. Mas se alguém lhe apanhar uma fotografia já fica toda lixada”, escreve com propriedade o anónimo Rui Seabra, um cadastrado de alto gabarito que usa o seu blogue para despejar antrax sobre Portugal e arredores.

Eu sou um profundo narciso solitário. Incapaz de fugir da solidão.
A blogosfera? 150 milhões de psicopatas. Chamem Moita Flores para os prender a todos.

Vejam a gravação neste maléfico blogue: Bloggers! Aqui e Agora! na SIC

Consultem algumas reacções ao programa de psicóticos, perigosos marginais, pedófilos escondidos, violadores, caluniadores, bombistas e penso que vi por aí um carteirista de metro disfarçado:
guronsan - O Cyberterror
Tenho algo a dizer sobre… - Internet, blogs e afins
Ainda pior blog - Difamação na Blogoesfera
lisbonlab - Aqui e agora: os perigos da Internet
Fu-Bar - Artigo Vergonhoso na SIC contra blogs
Sylbiah - Internet
Afectado - Ensaio Sobre a Blogoesfera
Charquinho - Os perigos da Internet e os da Ignorância de Moita Flores
domelhor.net: Como a SIC mostra a Internet… No programa Aqui e Agora na SIC foi discutido o tema da Internet. Vejam o vdeo e as barbaridades que foram ditas no programa…
SIC PATROCINA A CENSURA. « DISSIDENTE-X: […] blog ponto sapo, um perigoso terrorista não só fez um post sobre o assunto, como insere o vídeo onde só se…
Aqui e Agora | (It’s) Not About You: […] É um assunto que não parece ter relevância jornalística. Daí que a SIC, no seu programa Aqui e Agora, se dedicar à Internet é sempre uma […]…

SIC deixou o Sapo

siconline.jpgA SIC deixou o Sapo, mas mantém-se como uma marca subalterna: passou do endereço sic.sapo.pt para o endereço sic.aeiou.pt.
Passou também a apresentar parte da sua opinião no que chama de blogues, embora ainda não estejam disponíveis na primeira página (dizer ainda é presumir que um dia estarão; é no entanto uma presunção minha, não faço ideia dos planos da estação).
Aparentemente, os blogues são fornecidos tecnologicamente pelo Sapo.
Posso dizer que não estou surpreendido com esta mudança. Há pelo menos dois anos que a saída do Sapo era falada.
Também sem surpresa, a opção pelos “blogues” da casa é a opção mais difícil e cara — como não constitui novidade para quem dirige a casa. Aqui, como na decisão da subalternidade da marca SIC em termos de domínios, o significado é claro: desta vez, venceu a tese de “grupo”.
O problema é que noutras vezes a tese de “grupo” foi derrotada. Não que eu a defenda ou condene (é opinião reservada): o que é evidente que não é positivo são estas oscilações de política, ontem apostámos na marca Expresso, hoje apostámos na marca Aeiou, e amanhã?
Este continua a ser um momento delicado para o grupo Impresa, com as suas marcas a marcarem passo enquanto a web social avança a passos largos.
Como mantenho a ligação ao grupo através do Expresso Multimedia, não andiantarei mais sobre isto. Fica a informação da mudança.