A notícia da morte de Steve Jobs e os obituários no jornalismo
A notícia na passada quarta-feira da morte de Steve Jobs, dada prematuramente pelo canal financeiro Bloomberg, levanta uma série muito interessante de questões sobre o exercício do jornalismo online e em particular sobre os obituários.
[ Nota: artigo publicado originalmente na edição multimedia do Expresso, reproduzido para efeitos do meu arquivo pessoal.]
É prática corrente nas redacções manter mais ou menos actualizadas biografias das pessoas cuja morte será notícia importante. Steve Jobs é uma dessas pessoas, e não apenas para um canal financeiro. Jobs já se safou de um cancro no pâncreas, há poucos anos, e está muito magro, tendo sido levantadas algumas suspeitas sobre o seu estado de saúde no início do ano.
O que aconteceu com a Bloomberg foi um azar: ao terminar uma actualização, ou revisão, o editor carregou no botão errado, libertando um rascunho para o fluxo de publicação de notícias — e assim “matou” prematuramente o CEO da Apple, dando origem a uma série de comentários e blogs entre o humor e a sordidez.
Um azar destes pode acontecer a qualquer meio. A Bloomberg de imediato se retratou, publicando:
Story Referencing Apple Was Sent in Error by Bloomberg News Aug. 27 (Bloomberg) — An incomplete story referencing Apple Inc. was inadvertently published by Bloomberg News at 4:27 p.m. New York time today. The item was never meant for publication and has been retracted. — Editor: Joe Winski, Cesca Antonelli
A Gawker fez um bom trabalho sobre isto, publicando o obituário (a imagem que reproduzo foi tirada de lá).

Já Steve Yelvington pretextualiza: são os obituários obsoletos?
LER CONTINUAÇÃO :.
O obituário de Steve Jobs levanta questões interessantes
Há instantes publiquei no Expresso multimedia uma peça sobre a “morte” de Steve Jobs. Para os que não sabem, a Bloomberg publicou ontem o obituário do CEO da Apple. Por engano. Acontece aos melhores. Mas suscita questões interessantes. Que levanto nesse artigo. Que é o primeiro publicado nos jornais portugueses acerca do assunto (segundo o Google News).
(Orgulhoso fico, porém, é de não ter usado os trocadilhos óbvios na circunstância.)
Mais uma mensagem do Twitter e da web social para as Redacções
Esta bem se pode considerar mais uma mensagem do Twitter e da web social para as redacções. Qual é a melhor forma de seguir a apresentação de Steve Jobs na tão famosa como aguardada Apple Worldwide Developers Conference, WWDC para os amigos, ou simplesmente keynote?
A rádio? Não é mundial e é intrusiva.
A televisão em directo? idem aspas, somando-se o ângulo estreito e parcial do acontecimento.
Os blogues? Muito lento. Adequado para depois da conferência, para aprofundar a mensagem da Apple e analisar as reacções e pistas que ela abra.
As notícias, através de RSS e/ou usando o News Google? Boa — mas a cobertura é estreita também.
O Twitter?
Sim. No Twitter estão a “publicar”, em directo, os principais bloggers e jornais que acompanham a WWDC seriamente. Estão, também, os “amadores”, sejam ou não indefectíveis da Apple, que têm opiniões que valem mais a pena.
Em suma, no Twitter concentram-se as vozes que valem a pena.
Agora, vejam a imagem abaixo e cliquem. É ou não é mais uma mensagem do Twitter e da web social para as Redacções?


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