O Público, os trackbacks e as erecções da blogosfera
Mão amiga fez-me chegar o link desta nota de Bruno S. Martins no Avatares de um desejo em que se fala do Público, os trackbacks e das egorecções da blogosfera.
Estive tão indignado com a falta de leitura da edição completa do Público como qualquer outra pessoa — mas alto e pára o baile no resto.
O sistema de trackback é uma coisa útil ao jornal — e não me parece que a intenção seja, de todo em todo, “cativar” a blogosfera. A umbigosfera pode querer (ei! EU quero!) que lhe passem a mão pelo pêlo, mas o jornal não o está a fazer: está simplesmente a querer disponibilizar uma ferramenta que faz parte, há anos, do arsenal de utilitários para seguir conversas e fazer o tracking de reacções a notícias através da web, blogues ou não.
Os links não são um sistema de prémios ou de reconhecimento — são a seiva do hipertexto e o aperfeiçoamento da leitura do hipertexto passa, naturalmente, por mecanismos de apreender a dimensão das citações.
Os autores encarcerados nos sistemas editoriais de segunda categoria não podem exigir que toda a gente fique parada ao nível deles — sejam os outros bloggers, sejam os jornais (e não me macem, por favor, com considerações sobre as “divisões” e sobre os sistemas que este não é o local indicado, cada um usa o que quer e pode e ninguém é obrigado a nada, mas também não obriga, apenas isto.)
Sobre passar a mão pelo pêlo, com ou sem erecções, fiquem os blogocarentes calmos pois não perdem pela demora, não faltarão adulamentos — alguns sim, a puxar ao torrão de açúcar — dos mainstream media nas próximas semanas. Já vejo alguns a babarem-se.
Perguntas e respostas sobre as notícias do Público com ligação à blogosfera
O Público anunciou hoje (e o seu editor também) a adopção de uma medida que, nada tendo de novo — os blogues usam-na há cinco anos –, traz duas novidades importantes e significativas à relação dos media portugueses com a cibercomunidade: as ligações automáticas às páginas que contenham um link para as suas notícias.
Ou seja, as notícias do Público passam a mostrar as reacções produzidas fora das suas caixas de comentários, através de um hyperlink para os artigos e posts da blogosfera e da web.
Os blogues exultaram naturalmente com a medida. Aqui deixo algumas perguntas e respostas sobre um acontecimento marcante — talvez a maior evolução registada na web social portuguesa nos últimos dois anos.

FAQ dos trackbacks no Público
- Quais são as duas novidades?
1. É a primeira troca aberta de links entre mainstream media (MSM) e blogosfera que se regista em Portugal, significando o quebrar de uma barreira entre os dois mundos de comunicação.
2. O Público volta a marcar uma distância para os outros MSM, que continuam perdidos nas suas contradições e sem entender o meio que os rodeia. - E o que é isso, afinal?
O trackback é uma forma simples de fazermos o tracking, ou rastreio, das páginas que nos mencionam com um link. Trata-se de um mecanismo automático nas boas (e até nas assim assim) ferramentas de edição de blogues, nas outras pode ser feito manualmente. No caso concreto: sempre que uma página do Público for “linkada” num blogue, passa a exibir um link de volta para o texto desse blogue onde esteja o link.
É, portanto, uma forma ao mesmo tempo sofisticada e simples de sabermos quem está a falar de que assunto na rede. - Para um blogger leigo isto significa….?
… que quando faz um link para um artigo do Público, o post com esse link passa a estar referenciado no artigo do Público em causa. - E como activo essa coisa? É preciso um curso técnico?
Não. Basta introduzir um endereço num determinado sítio da configuração do seu blogue. Vou dar um exemplo do WordPress:
Menu Opções -> Escrita; abaixo na página estão os Serviços de Actualização — na caixa por baixo introduza este endereço:http://rpc.twingly.com/


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