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Gasolina no Tratado de Lisboa: o previsível e o imprevisível

Eu sou europeísta. Como tal, caiu-me mal o (previsível) desfecho do referendo irlandês.
Eu sou pessimista relativamente às crises de todos os tipos que o (previsível) fim da economia do petróleo acarretará, ou já começou a acarretar, e portanto caiu-me bem a forma magistral como o governo geriu a mini crise aberta pela reacção dos transportadores à alta da gasolina.
Eu sou preguiçoso e portanto não me apetece escrever muita prosa sobre os dois assuntos políticos da semana. Mas além dos textos lógicos sobre o Tratado de Lisboa, por Vital Moreira no causa nossa, e parafraseando-o, encontrei um post que gostava de ter escrito: a circularidade do quadrado, de Valupi, no Aspirina B.
Ora leiam:

“pejadinhos dos vícios que consistem em tentar que nada se altere de fundamental na política portuguesa [Pacheco Pereira e Marcelo Rebelo de Sousa] ficaram banzos com a gestão e desenlace da crise dos transportadores. Nunca tal tinham visto cá na terrinha, sabendo perfeitamente que eles próprios não saberiam lidar com a situação — e não amam Portugal o suficiente para reconhecerem que o Governo assumiu profissionalmente uma situação que era nova e imprevisível”

Eu, que nada tenho a ver com isto, também fiquei banzo. Estava à espera que Sócrates entrasse no plano inclinado e assim como assim podia desculpar-se a conjuntura e a origem alienígena do preço dos combustíveis. Optou por mostrar que sabe negociar. Viva a surpresa.

Marcha atrás

O “não” da Irlanda em referendo ao Tratado de Lisboa é uma marcha atrás escusada numa altura destas.
Penso que é melhor irmos pensando nisto: se desconfiamos sistematicamente das decisões das “elites” que elegemos, algo está errado no sistema político que instituímos. Não conheço nenhum sistema que resista muito tempo a sistemáticos curto-circuitos no seu modus operandi.
O pior deste tratado é o pior destes tempos em que os “amanuenses” têm um poder excessivo sobre o curso das “empresas”, muitas vezes maior que os “patrões”. É não ter um ou mais líderes políicos com carisma que o faça engolir às massas.
São os dramas da democracia.