O anonimato, a vaidade e a fraca qualidade nos comentários: uma ligação

Haverá uma ligação entre o anonimato, a vaidade e a javardeira fraca qualidade nos comentários? Eu penso que sim, testemunho-a e Seth Godin também. Vale a pena traduzir estas lapidares afirmações de Seth Godin sobre a qualidade das conversas na web social, negrito meu:
[ Nota: artigo publicado originalmente na edição multimedia do Expresso, reproduzido para efeitos do meu arquivo pessoal.]
“Agora que toda a gente tem o seu próprio canal, o seu próprio jornal, a sua própria emissora, é chocante ver até que ponto a média se afundou. A questão é: os meios serão tão barulhentos e ofensivos que o resto de nós simplesmente desligará o botão? Interessa-se o suficiente para remexer nos quilos de porcaria dos comentários para encontrar as pérolas? O meu palplite é que poucas pessoas o farão. É como a maioria das chamadas de telemóvel: não muitas pessoas ouvem, apenas esperam a sua vez de falar.
Num site fechado e não anónimo que eu frequento, tenho reparado que a qualidade dos comentários continua a subir. Não tomo as pessoas por estúpidas. Penso que a facilidade de uso, combinado com o anonimato e a vaidade, as faz parecer” (de Monkeys with megaphones, a tradução é o que se arranja assim a correr, sintam-se livres para a corrigir).
De há tempos a esta parte tenho avaliado de fora, sem envolvimento, algumas caixas de comentários, tanto em blogues como em órgãos de comunicação social online. Assisto à mesma tendência que Godin relata. Nos sítios onde o anonimato é banido ou desencorajado a qualidade tende a aumentar, mesmo no calor da controvérsia as picardias não descabam no insulto pessoal e a argumentação em geral melhora.
Enquanto nos sítios sem nenhum tipo de controlo o insulto é a regra a partir do terceiro comentário, a grosseria assalta quase inevitavelmente qualquer discussão, as conversas tendem para a guerra entre os egos envolvidos esquecendo argumentos e raramente há valor acrescentado ao artigo ou post.
Como todas as outras tecnologias ao longo da História, o blogging e as tecnologias de informação serão o que nós formos capazes de fazer com elas e o que fizermos ficará como um footprint não delas, mas de nós próprios.
Cada meio, cada título, cada projecto deve avaliar o que pretende das caixas de comentários e agir em conformidade. A democraticidade de opinião está assegurada pela própria Internet, onde todos podem abrir a sua loja e opinar; para quê deixarmos os nossos espaços descuidados, à mercê das ervas daninhas?
Devo acrescentar que esta é uma lição que me custou, e demorou, a aprender. Fui — e provavelmente continuo a ser — apelidado de censor e fascista por limpar as caixas de comentários do Expresso e do meu blogue pessoal. Lentamente, porém, o objectivo é atingido: mais lentamente no Expresso, por o campo ser demasiado vasto para a atenção de uma única pessoa, menos lentamente no meu blogue pessoal, circunscrito, onde bastaram meia dúzia de intervenções para motivar os leitores a melhores participações — com um ganho qualitativo que me trouxe satisfação pessoal.
Godin tem razão: não é que as pessoas sejam estúpidas, o formato do meio favorece a vanitas e o ego e as facilidade e instantaneidade obliteram a reflexão. Convém apenas nao esquecer que é igualmente fácil reorientar a bússola das pessoas para o Norte da qualidade. E esta é ainda mais fácil de definir: cada publicação estabelece a sua meta e será recompensada (ou não) pelos leitores.
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11 opiniões no artigo “O anonimato, a vaidade e a fraca qualidade nos comentários: uma ligação”
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Exemplos requerem-se neste tipo de afirmações. Dez sítios [relativamente significantes, já agora, por algum(ns) tipo(s) de critério(s)] onde o anonimato seja admitido e que tenham descambado. Dez purificados. Seria uma boa base de aceitação ou discordância do argumento. Assim está no ar (”pois é!!!”). Eu continuo na minha, a trapalhada comentadora deriva, fundamentalmente, do tom do bloguista
jpt… seja. Mas com a minha terminologia. E não garanto 10 — caramba, você pede-me trabalho demais ao cérebro e este post já é requentado. Tire uns pelos outros.
Sites onde o anonimato e o ego geram mais ruído de fraca qualidade de debate do que seria desejável.
http://expresso.pt
http://sol.pt
http://blasfemias.net (eles acham que não, muito provavelmente, mas eu acho que sim)
http://jn.sapo.pt
Sites onde se notam melhorias com a moderação, mesmo que alguns continuem a deixar o anonimato:
http://publico.pt
http://bitaites.org (necessário registo; tem actualmente uma conversa sobre caralhadas que é um bom exemplo — um assunto fodido e não descambou a ponta dum caralho)
http://pauloquerido,net (desde que passei a apagar sistematicamente os detritos e meti uns travões a 2 ou 3 links de fora, tem sido uma maravilha — tenho posts com 10 e 20 comentários todos a subir o tema, e não a descer as pessoas)
Não, não deriva do tom do bloguista — até porque não estamos aqui a falar só de blogs, que umbigo esse. O tom de uma notícia do Sol ou do JN é um tom relativamente neutro — eu diria morto, quando comparado com um blogger “normal”. E no entanto algumas notícias atraem enxurradas de porcaria que nem de retroescavadora se limpa.
Deriva muito mais — caro jpt — da exposição pública, pressentida ou real, que cada site faculta.
Vou contar-lhe 1 breve história. Quando assumi um posto de limpeza no Expresso online 2 indivíduos que se tinham tornado os reis do pedaço não aguentaram que eu lhes expusesse os seus vazios. Eram ervas daninhas: afugentavam dezenas de leitores, sobretudo mulheres, que se se atreviam a comentar levavam logo uma tareia de retórica.
Ora, como você sabe, em retórica não me dou mal.
Os sujeitos tinham egos descomunais — achavam mesmo que sem eles o Expresso morreria! Não estou a brincar. Eles escreveram literalmente que no dia em que saissem o Expresso online morria, porque eles TINHAM FEITO o Expresso online. Um deles achava, mesmo, que “alguém” lhe tinha 1 vez dito que ele era “o moderador”, pelo que olhava para mim como um usurpador.
Foram e montaram um forum, afirmando que não precisavam do Expresso, o Expresso é que precisava deles.
O forum sobreviveu uns meses à custa de comentários de ódio contra mim em particular, e o mundo em geral, até que definhou por completo.
Mas você sabe isto. Sabe que os mosquitos do comentário só vivem perto da luz.
O pior é que em grandes quantidades os mosquitos tapam a lâmpada.
Caro Paulo,
ainda ontem estava a pensar sobre isso. Se deveria tirar os comentários de vez (o que me pareceu logo má ideia) do blog ou se simplesmente passarei a apertar a malha dos que passam (actualmente a malha é larga, pelo que deixo passar quase todos).
também eu conheço essa opinião do Godin, até escrita já em livros. Na verdade, um homem com uma caixa de comentários é quase como um homem ao volante. Quando entra no carro altera-se e insulta tudo o que mexe. Com um extra na blogosfera. Além de não conhecer quem insulta, ainda se esconde sobre o manto do anonimato.
Acho que vai levar o seu tempo, mas a reputação e credibilidade estarão do lado das boas opiniões (boas não no sentido de serem as nossas, mas de estarem sustentadas em argumentos), e nas pessoas que dêem a cara.
abr.
jd
“tanto em blogs como em orgãos de comunicação online” - é sobre isso que o post recai. Acredito que nos jornais as coisas sejam mais rudes, tanto pela exposição almejada dos comentadores como pelas “contas” a ajustar, aspirações a ser jornalista, donde a participar nos jornais … mas parece-me que analisar os comentários in-blog e in-jornal é confundir algo relativamente diferente. Só isso. E há vários bloguistas (isto costuma ir por ondas) a referir o assunto - a terceira noite encerrou (legitimamente, acho) os cometnários e isso foi referido numa frequencia de blogs
O caso dos jornais não conheço - acho que comentei uma vez no Expresso, e vejo (sublinho,vejo - não leio) os comentários no Record, pois estão lá à vista nas notícias. Presumo que seja um fenómeno diferente - um tipo comenta uma notícia não para interacção com o seu autor (redacção ou jornalista) mas como invectiva (até se positiva) ao jornal e para “publicar” a sua opinião. Parece-me que sera isso
Nos blogs acho um pouco diferente, há sempre a expectativa do bloguista ler/responder. E há nichos de comentadores em cada blog - o caso do Blasfémias é algo diferente, tanto pelo volume de audiência como pelo número de bloguistas e pelo ritmo trepidante de publicação o blog “tende” (não vai com acinte) para jornal electrónico.
Eu gosto de comentar nos blogs alheios, coisa que escasseia nos bloguistas veteranos. E no meu do mais engraçado que há são discussões em comentários. Continuo a pensar, no reino de blogs, o problema está fundamentalmente no que o bloguista faz com o blog - pode sofrer com o ajuste de contas alheias (principalmente se for figura pública) mas para isso pode fazer o que V. deixa entender - filtra. Mas fundamentalmente é o tom dele que é o adubo do que se passará por lá.
Há excepções? Há - lembro sempre o Da Literatura que foi ocupado por uns malucos (mas o Pitta é critíco literário, não seriam esses uns vingativos literatos?)
No fundo há outra coisa: o que se pretende fazer com um blog? A ideia que tenho é que há muita gente que não o assume (e nisso têm toda a legitimidade) como um local conversacional (isto diz-se?), daí o menos apreço pelos comentários, que são espaços menos construídos. É apenas de publicação (e a conversa, a existir, é entre-bloguistas activos, num entre-posts). E isso prende-se, acho, numa concepção impessoal, portanto altaneira, dos textos publicados.
Talvez por isso o meu apreço pelos comentários, no meu estaminé, e nos alheios. Porque coloca, sublinha, a dimensão do que para aqui vai.
Dou alguns exemplos de sítios onde o palrar é bem agradável e poderia não o ser:o quase em português, o ma-schamba de 2005/6, o tugir, o apenas mais um antigo, o avatares do desejo, aqui (apesar do truculento bloguista …), o 100 nada, e continuaria por aí fora. Blogs diferentes, concorridos, comentados. Têm todos uma característica, para além das suas tantas diferenças: um (ou mais) bloguistas que acolhem / cuidam dos seus comentários, interagem. Ou seja, no blog de pequena (ou média) audiência, a questõa não está nos maluquinhos piratas, mas naquilo que um tipo almeja com o seu bloguezito.
Nas instituições empresariais é diverso. Mas é também, acho, comentar para o boneco …
Dessa “meia dúzia de intervenções” efectuadas e que desencorajaram alguns indíviduos, algumas delas eram encapotadamente insultuosas, assumindo a facilidade de que insulto é apenas quando utilizadas determinadas palavras, todavia a insuitada violência da resposta é outro dos dramas da blogoesfera, a mesma facilitada pela falta do cara a cara, situação essa colmatada com vários meios de search, para se saber quem é o atrevido. Devido a um comentário que fiz, fui apelidado de “diva” da blogosfera, que não tinha onde cair morto, vaidoso, etc. Quanto a vaidade o PQ não precisa receber lições de ninguém, mais post menos post é o eu fiz isto práqui, eu pracolá e a “vanitas” pelos vistos só tem uma via, a do vai pra lá mas não pra cá. Devo referir que as vezes em que comentei foi quase sempre em desacordo com o opinador, sobretudo em assuntos sociais ou mais genéricos onde este me parece menos rigoroso e isento do que nos assuntos técnicos e da web que tão bem domina. Embora este post reflicta sobre uma preocupação de quem “vive” na web, resvala mais para um acto publicitário do género “vejam como tratei lindamente do assunto” ainda que mascararado de reflexão intelectual. Sobre este assunto leiam-se os artigos do João Lopes no Sound & Vision, sobre Violência nos Blogues e comparem-se os estilos. A questão do gosto e do seu sancionamento de facto fica para quem lê/visita/compra e remeto para a verdade quase lapalissiana do final do artigo “cada publicação estabelece a sua meta e será recompensada (ou não) pelos leitores”.
Eu vejo as coisas assim: uma caixa de comentários sem moderação seria idêntico a uma cidade sem polícia - haveria sempre quem praticasse crimes e violasse as leis.
A anarquia bem pode ser o último estádio da civilização, onde as pessoas agem «bem» por assim o entenderem e não por medo de sanções. Mas ainda não chegámos lá…
Por isso, em qualquer meio onde não haja alguém a impor a ordem estas coisas acontecem!
Moro numa vila do país real e também aqui, há já uns anitos, a moda dos blogues chegou. Claro que, perante a possibilidade de se poder escrever o que se quisesse de forma pública e impune, os blogues floresceram. Apenas cerca de 10% (se tanto…) dos blogues tinham finalidades críticas/construtivas - o resto eram autênticas «pulhas electrónicas», difamando a imagem de quem não gostavam, sobretudo politicamente. E, quero crer, que só mais blogues destes não houve porque, por aqui, nem todos sabem como fazer um…
Será a condição humana ou o povo que temos?…
Necessário distinguir, o que é o uso da escrita para profissionais da escrita(escritores, jornalistas etc) e o que é o novo meio de escrever em resposta(caixa de comentários), a um artigo ou blogue, em jornal, e rede social, feito por pessoas comuns entendam ou não do assunto.
O que prende a atenção pode ser, como o autor escreve, se diverte, se é sério, poético, apesar concordo dos exageros, nas respostas lidas.
Em programas de rádio, as participações poderiam ser executadas via telefone (recordo a minha mãe neste uso) e neste meio onde poderiam contar pontos? na modulação da voz? no pedido caso música? ou ao responder algum questionamento?ganhar premios?
Em artigos de jornais, o que na atualidade encontramos via mail, na coluna do leitor, as “cartas”enviadas, caso endereço não -fictício, eram unicamente lidas e levadas a sério ou não, pelo receptor.
O espaço aberto nos blogues do Expresso (o primeiro blog que li foi o da Cibercidadania, com regras do utilizador- ou da Net, não recordo bem o título) deu-me também acesso para outros blogues.
Mas o que é opinar? vem de ter o livre arbítrio (tanto quanto os autores)de pessoalmente emitir opiniões com ou sem valor, o que faz o coloquial , sim, o coloquial do assunto.
Ao ler meus comentários, pode o dono do lugar, apagar ou não, já passei por esta experiência aqui mesmo :).
A impressão poderia ser: aqui só podem emitir opiniões, pesssoas ligadas à cibercultura, ou amigos conhecidos, ou jornalistas e não pessoas comuns como eu, que possam afectar e “disvirtuar” os interesses do autor!!!:)
Mas vamos adiante, se caso o utilizador da caixa de comentario, opina por opinar, algo chamou ao seu interesse, e sua resposta pode não ter mesmo o pretenso tom de distúrbio!!!
O inconsciente faz a ligação com outras tematicas ou seja “um assunto leva a outro”; Porém, caso a resposta seja de baixa qualidade, este ponto depende da qualidade da propria pessoa sem dúvida. E mesmo assim, logo que as porcarias “vomitadas”ali (no caso das respostas) sejam intencionais, são dependentes de “vestir a carapuça” ou não!
Aprendi e aprendo rapido, com certeza, a não duvidar nunca das minhas intenções ao opinar…
e sem dúvida nenhuma a acreditar mais do que nunca que, atrás da resposta escrita em meio virtual, lá está uma pessoa, com suas experiências de vida, com o seu melhor convivendo ao lado do seu pior, momento de vida ou expectativas.
Aprender a opinar, em gerações e gerações, onde os alunos foram educados a RECEBER conhecimentos necessários para respostas concretas, decoradas para se “dar bem”, é diverso, de emitir (TRANSMITIR) opiniões pessoais, onde os argumentos devem ser válidos para os mais exigentes, como sua pessoa, que tenta sempre direcionar-se em uma ética.
Mas porque todos os comentários devem ser válidos? Exercer um controle não deve ser prazeiroso com certeza.
De facto, o tom coloquial, soa como um quase incomodar, aos que investem nos seus lugares como âmbito profissional.Ou mesmo pensam a sua ideia original, ao montar um blog, qual será ela? política, esportes, sexo, religião?… outras mil idéias.
Mas o pensamento não deve ser tão exigente, haja visto, que a Net apodera-se de mais pessoas COMUNS, que estão ávidas de saber e aprender, e esta exigência faz parte do ERRAR. Entende Paulo?
Afinal, como em criança, os erros unicamente servem para reorientarmos nossos percursos de vida.
Existe o tempo de acertar também, para qualquer um.`
Em minha voracidade em aprender, não posso considerar apenas o que deve ser “delicodoce”, pois as javard….existem, não?
Não só na escrita, as palavras que ferem, não fazem brotar o sangur que indica ferimentos, mas ferem como facas, tiros… as escritas e as ditas!
Mas, concluindo, (para não apagarem os comentários :)), as pessoas que digitam os comntários de baixa qualidade, e que escondem-se em anonimatos, devem e podem ser as primeiras a temerem as consequências das suas opiniões, tanto quanto as que se expõem, pois, se pensarmos bem, a educação teinou-nos para esconder, aquilo que é considerado maléfico, dentro da moralidade do grupo. São costumes e portanto para dar “vazão”às vontades internas, soltam-se os comentarios maldosos. Pois se estamos escondidos nada de MAL pode nos acontecer!
Mas, por outro lado, a propria net, nos ensinou a criar divertidamente apelidos- nick, em substituição à nossa propria identidade.
Proporcionou portanto, liberdade das boas e das más!
Como tudo na vida e não creia-me resignada, conformista etc e tal…
Concluo que, cada qual é de acordo com suas circunstâncias. Simplorio não!
Caro JD, vai, vai levar o seu tempo. Mas labora num erro de perspectiva: nenhum anónimo quer ser reputado, célebre ou credível. E certamente que não deseja argumentar! (Hum… a menos que se queira divertir no processo. conheço casos, relacionados com altas figuras públicas). As razões do anonimato são sempre outras (e há diversas).
Só é possível construir uma reputação — incluindo uma má reputação — a partir de uma personalidade. Real ou criada (avatar). No caso de ser criada, pode ou não ser assumida — mas terá forçosamente de ser construída ao logo do (lá está) tempo.
(sobre este assunto e o facto de ele ser 2 vezes requentado e ainda assim gerar debate, farei post em breve).
jpt,
“Continuo a pensar, no reino de blogs, o problema está fundamentalmente no que o bloguista faz com o blog - pode sofrer com o ajuste de contas alheias (principalmente se for figura pública) mas para isso pode fazer o que V. deixa entender - filtra. Mas fundamentalmente é o tom dele que é o adubo do que se passará por lá”
Nos blogs, de acordo: o tom do(s) autor(es) é marcante. Mesmo no caso do Blasfémias, pense: seria assim se os seus principais autores não fossem sofistas amadores (sem truques: no que a palavra tem de melhor, o sentido dos que amam o que fazem)?
E se o tom não marcar tudo logo, marcará mais tarde a atitude. Aqui, por exemplo, o meu tom desafiante começou por entortar muito as conversas, mas mais tarde auto-corrigi-me; depois, filtrei. E lá consegui pelo menos desentortar — ou pelo menos assim o acho.
Mas não confundamos discussão, por vezes acesa, com desníveis. Você e eu temos tido uma loooonga dose de discordâncias e nunca vi que isso baixasse a qualidade ou o nível.
caro joao henriques, tanto quanto me lembro a diva não era uma alusão directa a si. Mas adiante.
Está enganado — ou se prefere com um balão de banda desenhada debruado a flores: ainda tem mundo para ver, meu caro. Há uma boa dúzia de almas por aí capazes de me dar exuberantes lições de vaidade. Isto não sendo eu propriamente um buda.
E não veja o post assim, como um “vejam como tratei lindamente o assunto”. Em primeiro lugar, porque não tratei lindamente o assunto. Tratei até muito mal, no início, e fui corrigindo. Segundo, não está a ser justo comigo, achando que eu, por ser jornalista, não devo fazer uso da primeira pessoa na escrita bloguista. Mesmo no Expresso — para onde este artigo foi escrito e onde também motivou algum debate (até adiei a republicação aqui para lhe dar mais tempo lá) — sou pago como blogger. Ou, se prefere, como opinador em matérias sobre as quais tenho experiência, quanto mais não seja porque ando a tratar delas há que tempos.
Os artigos do João Lopes são tão pertinentes, na minha opinião, que fiz um post a chamar a atenção para eles: violência na esfera bloguista.
Quanto às intervenções que seriam encapotadamente insultuosas — aceite as minhas desculpas se o ofendi nalguma ocasião. Mas eu não seria tão auto-centrado: o joão henriques nunca esteve, pelo menos com este nome, debaixo desse meu fogo.
caro mondrian, sim, estas coisas acontecem e vão continuar a acontecer. E mesmo nas cidades com policiamento há criminalidade — ainda que menos. Não temos ilusões.
Mas não ter ilusões não é a mesma coisa que encolher os ombros e não experimentar almejar a um ambiente mais saudável e construtivo. Começando por falar das razões pelas quais há fraca qualidade nos comentários. Que são mais, além destas.
Cara T, aprendemos todos — parte da maravilha da web é essa.
e rematando, para que não me esteja a repetir - até porque isto vem de outros posts, cá e não só. A conversa do inferno blogo-comentador medra num ambiente (que é onda destes últimos tempos) que imputa aos bloguistas (donos e comentadores) uma perfídia generalizada. É, e botei-o lá no meu blog, um trejeito corporativo típico de jornalistas ou agentes de jornais. Daqui a um mês a onda é algo diversa e passar-se-ão uns tempos sem ninguém ligar ao terrror (O Horror, o Horror) que se passa no reino de posts e nos baronatos de comentários. No fundo é um enorme mal-estar de uma corporação profissional por ter perdido o quasi-oligopólio da mediação da palavra pública. A rapaziada é horrorosa? Talvez. Mas o Eça tem umas figuras de jornalistas muitos similares às miseráveis figuras blogo(comentadores que agora são agitadas. Nada mais do que isso
(aqui entre nós PQ, V. está a surfar a onda errada ao insistir neste ponto)
[...] O Anonimato, a Vaidade e a Fraca Qualidade nos Comentários: Uma Ligação - Paulo Querido Haverá uma ligação entre o anonimato, a vaidade e a javardeira fraca qualidade nos comentários? Eu penso que sim, testemunho-a e Seth Godin também. (…) [...]