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Russos estão a invadir o Sul dos EUA!

O Google News é espantoso até nos erros. Um dos últimos, e mais hilariantes (e graves) foi confundir o país chamado Georgia com o estado da Georgia, no Sul dos Estados Unidos da América.

Conforme se pode observar na imagem, a propósito do conflito armado que estalou na Ossétia do Sul, os algoritmos do Google situaram erradamente a Georgia levando muitos americanos a gozar a situação:


(imagem copiada do ValleyMag, onde se debateu este assunto)

Nenhum jornalista ou news-junkie pode hoje dispensar o Google News. Não só para seguir e pesquisar, mas também como fonte para selecção e tratamento de notícias. Graças ao Google News pude, por exemplo, manter no meu blogue pessoal um gráfico dinâmico (chamemos-lhe assim) actualizado de 5 em 5 minutos que, recorrendo a uma solução visual conhecida por heatmap ou newsmap, permitia avaliar com um breve olhar a importância de cada matéria sobre os Jogos Olímpicos tratada pela Imprensa lusófona, expressa na dimensão dada ao respectivo título em comparação com os demais, e ao mesmo tempo a sua antiguidade ou actualidade, através de um código de cores.

Sem a poderosa ferramenta da Google a juntar mais de 200 títulos jornalísticos em língua portuguesa e, dentro deles, a separar os relacionados com os Jogos Olímpicos, eu jamais poderia construir aquele gráfico dinâmico para acompanhar a realidade noticiosa olímpica de forma alternativa.

O mundo da informação tornou-se simplesmente demasiado grande para que nos possamos dar ao luxo de o seguir e interpretar sem o auxílio da informática e dos poderosos devoradores de dados. Mas este assunto veio trazer de novo à ordem do dia a questão do algorithm jornalism: por muito boas que sejam, e as refinadas pelo Google são admiráveis (é a expressão certa, acreditem-me), as fórmulas matemáticas que avaliam, interpretam e interligam os milhões de artigos que são publicados diariamente fazem-no muitas vezes de forma deficiente.

O tipo de questões que se levanta é semelhante, senão igual, às já conhecidas na investigação sobre inteligência artificial. Permanece por solucionar como é que o cérebro humano processa certo tipo de informações a uma velocidade imbatível por qualquer computador.

O erro que nenhum editor, por muito mau e inculto que fosse, deixaria passar, que é de imediatamente perceber de qual das Georgias se tratava graças ao contexto, é fatal para um algoritmo. Há uma parte da realidade, que tem a ver com contexto e com senso, que permanece invisível para os algoritmos, por mais que tentemos ensiná-los (provavelmente estamos a ensinar mal).

Sendo mais práticos: este erro demonstra a necessidade de, pelo menos nesta fase da evolução, e tendo em conta que precisamos de ainda melhores ferramentas de síntese do real, recorrer ao cérebro humano para complementar e corrigir o trabalho de sapa dos escravos informáticos. A própria Google, Inc está nesse terreno. Às claras, com o Knol — a sua resposta, se é que a podemos classificar assim, à Wikipedia, que continua como o melhor paradigma que jamais encontrámos para desbastar de forma eficaz (e democratizante do saber, nunca é demais sublinhar) o conhecimento que os humanos acumulam a uma velocidade muito superior à da luz.

A Wikipedia tem, até agora, a melhor relação entre capacidade de processamento / confiança, sendo que os seus críticos ignoram sistematicamente o problema que a Wikipedia veio enfrentar, preferindo continuar a ver nela, erroneamente, uma enciclopédia como as outras.

Mas não apenas com o Knol. Desconhece-se o número de pessoas contratadas para corrigir o trabalho de classificação das páginas produzido pelos algoritmos, a melhor forma de enfrentar o formidável exército de gente que quer subir nas listas de resultados à força da trapaça (e se os algoritmos são ingénuos…). Mas sabe-se que existem. Para uma empresa admirada pela sua abertura e atitude open minded, a Google é surpreendentemente fechada no que toca às suas decisões e estratégias.

Debate

2 opiniões no artigo “Russos estão a invadir o Sul dos EUA!”

    1 Nuno Pedrosa em 29 Ago 08 22:58

    Sobre o assunto dos últimos parágrafos uma questão pertinente para nos fazer reflectir de onde virá o futuro sucessor (em termos de estar na onda) do google:
    http://battellemedia.com/archives/004587.php

    Outra parte aqui:
    http://battellemedia.com/archives/004587.php

    2 Nuno Pedrosa em 29 Ago 08 22:59

    O primeiro link deveria ser:
    http://battellemedia.com/archives/004569.php

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